Meses Temáticos – Março de 2017

Nunca é tarde para relembrarmos os nossos autores preferidos. Seja porque lemos livros deles todos os dias ou porque quando pensamos em comprar algum livro vamos logo à estante do nosso autor preferido para ver as suas novidades. Como tal, a secção de Literatura reuniu e escreveu sobre os autores prediletos de cada um. Desde português, a inglês e francês, temos autores diversificados, com características específicas, as quais nos fazem gostar tanto deles e da sua escrita. Espreita este artigo e descobre se um dos teus autores de eleição é também um dos nossos!

Madalena Rodrigues – José Saramago

José de Sousa Saramago é, de entre muitos, um dos meus autores preferidos. Isto porque, apesar da sua escrita bastante particular, que me apaixona, fez imensas críticas à sociedade e aos seus hábitos menos corretos, como acontece na sua obra O Memorial do Convento. Nesta obra criou uma das mais belas personagens literárias chamada Blimunda. Outra obra bastante conhecida e violenta é O Ensaio Sobre a Cegueira que apesar de ser uma história triste e cheia de terror é, mais uma vez, uma crítica e uma prova de como o ser humano consegue ser bastante animalesco. Com isto pretendo realçar a capacidade de análise e escrita do autor. Saramago foi galardoado com o Prémio Camões em 1995 e com o prémio Nobel de Literatura em 1998. Para além disto, o autor valorizava bastante o ato de escrever, o que é para mim a sua melhor virtude, tanto que uma vez afirmou: “Não ter já mais nada para dizer e continuar a escrever é um crime. Porque não tem o direito de continuar a escrever se não tem nada para dizer.”

Madalena Costa – Sophia de Mello Breyner

Lembro-me de ler os poemas de Sophia de Mello Breyner na escola. Desde cedo que comecei a adorar a escrita desta autora e a sua maneira simples de escrever e de transmitir-nos tanto em tão poucas linhas. Sophia de Mello Breyner caracterizou-se por uma atitude interventiva, tendo denunciado ativamente o regime salazarista e os seus seguidores. Foi ainda fundadora e membro da Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Após o 25 de Abril, foi eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975. A sua obra está traduzida em várias línguas e foi várias vezes premiada, tendo recebido, entre outros, o Prémio Camões 1999 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana – a primeira vez que um português venceu este prestigiado galardão. Com uma linguagem poética, transparente e íntima, Sophia evoca nos seus versos os objetos, as coisas, os seres, os tempos, os mares, os dias.

Ana Rita Cristóvão – Joanne Harris

A escritora sobre a qual escolhi falar é alguém que tem uma escrita vigorante e fluida, capaz de nos fazer ler muitas páginas em muito pouco tempo. Consegue transformar assuntos mais bizarros e fora do comum em coisas que, ao lermos, nos parecem tão banais como ir a uma loja e comprar algo ou como acordarmos e tomar o pequeno-almoço. A história torna-se numa realidade da qual nós não conseguimos ficar de fora. Chama-se Joanne Harris, mas não se enganem, que não é francesa. É uma das escritoras mais aclamadas no Reino Unido, precisamente por nos levar a pensar em valores como a integração, humildade e o multiculturalismo. Os livros desta autora são deliciosos: desde chocolate a rebuçados, comida está sempre envolvida nas suas obras, com significados mais fortes do que se julga.

Manon Abrantes – George Orwell

Perspicaz, hábil e transparente, é assim a escrita de George Orwell. Nas suas obras, o autor/jornalista britânico criticou frequentemente o totalitarismo, as sociedades repressivas e as injustiças sociais. Orwell nunca escondeu as suas tendências anárquicas e imprimia vivências e experiências pessoais na narrativa que produziu. Foi graças a algumas das suas histórias que ganhei mais consciência política e que o meu sentido de justiça se intensificou. Não fosse este um dos meus autores favoritos…

Sugestões: 1984 (leitura obrigatória, aconselho!), A Quinta dos Animais, Na Penúria em Paris e em Londres.

Maria Moreira Rato – Gillian Flynn

Tenho a certeza de que este foi o tema mais árduo de todos os meses temáticos até agora. No entanto, após percorrer as minhas estantes, de ter refletido e excluído da minha mente vários autores que me são muito queridos, cheguei à conclusão de que Gillian Flynn é, provavelmente, a minha escritora predileta. Digo-o porque, quando li Lugares Escuros, aprendi que os thrillers psicológicos podem ser escritos com uma perspicácia e uma estratégia algo…doces, diria. Como se o terror pudesse ser misturado com o estereótipo de que a mulher é frágil e sempre fraca. Porque Gillian, desde Objetos Cortantes, tem vindo a desmistificar todos os nossos preconceitos através das suas antagonistas completas, que constituem personagens verdadeiramente bem construídas, que nos levam a questionar cada pessoa que se encontra em nosso redor e os desconhecidos com os quais nos cruzamos no nosso quotidiano. Para mim, a escritora norte-americana que via Alien, Psycho e Bonnie and Clyde aos sete anos e que foi jornalista na Entertainment Weekly durante dez anos não me deu somente uma dose extra de motivação para seguir o meu sonho de escrever e ser jornalista, como também me fez entender que a essência dos thrillers não se extinguiu em Stephen King e George R. R. Martin.

Duarte Pagou – Fernando Pessoa

Fernando Pessoa é uma das personalidades incontornáveis da História e da Literatura portuguesas. E quando dizemos isto, não o dizemos por haver outras personalidades importantes, mas porque Pessoa é uma das muitas pessoas incontornáveis dentro de si próprio. Poeta, ensaísta, publicitário, místico e visionário, Pessoa mudou a literatura portuguesa do século XX e influenciou toda a cultura nos anos vindouros.

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