No meio do medo, a humanidade brilha… às vezes.

Como parece que já não temos outro tópico para além do novo coronavírus ou da quarentena, vou manter-me na moda. Mas só neste artigo! Prometo ir aos confins do mundo para arranjar outro tema, mas, nas próximas 25 linhas, covid-19 será. 

Aquilo que mais me tem fascinado durante esta confusão inteira é observar como o ser humano se comporta numa situação assustadora, completamente nova e complicada. Aquilo que mais noto é que, ou quebramos em modo sobrevivência, ou ligamos o modo comunitário. Há quem adote um só e há quem vá alternando na tentativa de apenas ser um vizinho digno de um vídeo no Goalcast – atenção, esta tentativa apenas já é de louvar! 

Não sendo a pessoa mais chorona, tenho-me comovido com tudo o que é ato de compaixão, com um qualquer vídeo inspirador, com os meus vizinhos a dançar, com palmas na janela e com lives de comédia que me relembram de que aquilo que queremos mesmo é conexão. É algo bonito de nos apercebermos: quando tudo à nossa volta se vira do avesso, viramo-nos uns para os outros. 

Obviamente existem ainda os instintos de sobrevivência, que nos dizem o que é mais importante. E, em alguns, esse é o pensamento que prevalece. Mas, ainda assim, devemos dar um desconto, pois nem sempre vem de más intenções, mas sim de muito medo. Mesmo que nos irrite essa atitude, mesmo que nos frustre, porque não pensamos assim e não achamos correto, vamos tentar dialogar sobre isso e compreender que todos reagimos ao medo de forma diferente. Não digo que seja aceitável açambarcar ou viver a fingir que o vírus não veio para ficar, mas entendo que o incerto e o instinto protetor pelos nossos nos faça fazer coisas malucas.

Talvez por ser positiva até à última gota, acredite mesmo no bem das pessoas – à exceção de uns “odiozinhos” de estimação a uns certos egos, por norma dirigidos a líderes mundiais – e seja crente fiel do “vai ficar tudo bem”. Seja por que motivo for, escolho olhar para a melhor parte de tudo isto. Talvez seja um pouco triste que tenha sido necessário ficarmos confinados para darmos valor a um abraço, criarmos tempo para nos melhorarmos a nós mesmos ou perceber que não podemos estar sem sentir o sol português na cara. Mas o importante é que agora entendemos.

Tudo agora é mais bonito; as saudades ganham uma dimensão ainda maior e o que fazemos fora de casa tem o seu “quê” de entusiasmante, como se fosse a primeira vez. Vamos tentar lembrarmo-nos quando nos derem ordem de soltura!

Artigo revisto por Rita Serra

Fonte da foto em destaque: Louis Droege/Unsplash

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