Música

O Amor é para todos, até na música

Chegou o ano 2023 e cada vez mais a comunidade LGBTQ+ se expressa na indústria musical. Há maior presença de artistas pertencentes à comunidade nas canções que ouvimos na rádio, no palco dos Grammys, em documentários, e, sem dúvida, de forma geral nas nossas vidas.

Sam Smith e Kim Petras ganharam um Grammy em 2023 para Best Pop Duo/Group Performance para a canção Unholy. No discurso de aceitação do prémio, Kim Petras referiu que foi a primeira mulher transgénero a receber este prémio, agradecendo a todos aqueles que acreditaram nela, a “todas as incríveis lendas transgénero antes de mim que abriram as portas para eu poder estar aqui nesta noite” e também a Madonna por lutar pelos direitos LGBTQ+.

Kim Petras a discursar na receção dos Grammys.
Fonte: Youtube

Ainda na cerimónia dos Grammys, Beyoncé, ao receber o prémio para Best Dance/Electronic Album relativamente ao seu novo álbum RENAISSANCE, agradeceu à comunidade queer pelo amor e “por inventarem este género”.

Já na Eurovisão, ao longo dos anos, a comunidade LGBTQ+ ganhou também visibilidade. Em 1992, a cantora portuguesa Dina representou o seu país, apesar de só mais tarde se ter assumido como homossexual. Dois anos depois, Sara Tavares, que também só assumiu a sua bissexualidade mais tarde, representou Portugal no festival.

Por outro lado, Dana International, em 1998, foi a primeira cantora transgénero israelita a ganhar o concurso. Já em 2014, Conchita Wurst cantou a canção vencedora Rise Like A Phoenix, representando a Áustria como drag queen. Foram, portanto, vários os artistas pertencentes à comunidade LGBTQ+ que participaram neste festival ou que incluíram elementos LGBTQ+ nas suas atuações.

Algumas das canções que ouvimos nas estações de rádio pertencem a artistas da comunidade, como Sam Smith e Demi Lovato, que se assumiram como pessoas não-binárias.

Sam Smith deixou uma imagem na sua página pessoal do Instagram referente aos seus novos pronomes: “They/Them”, juntamente com uma mensagem na descrição:

Depois de ter estado uma vida inteira em guerra com o meu género, decidi aceitar-me como sou, no interior e exterior. Sinto-me muito entusiasmade e priviligiade por estar rodeade de pessoas que me apoiam nesta decisão, mas tenho estado bastante nervose por anunciar isto, porque me preocupo demasiado com o que as pessoas pensam. (…) Compreendo que irão existir muitos erros e erros de género, mas tudo o que eu peço é que tentem. Espero que me possam ver como eu me vejo agora. Obrigade.

Já Demi Lovato, após um longo período de descoberta da sua sexualidade, tema abordado em documentários no YouTube, define atualmente os seus pronomes como: “They/Them/She/Her”.

Demi Lovato fala sobre o seu género.
Fonte: Youtube

Existe uma crescente quantidade de artistas LGBTQ+ que têm marcado a história da música, sendo que muitos ainda não têm tanta visibilidade. Cantores como Elton John, Freddie Mercury, George Michael, Madonna, Lady Gaga, Ana Carolina e António Variações são exemplos de nomes inconfundíveis tanto para as gerações mais antigas como para as gerações mais recentes.

Elton John e Freddie Mercury serviram de inspiração para filmes musicais baseados na sua história, tais como ROCKETMAN e Bohemian Rhapsody, nos quais também é abordada a temática LGBTQ+ e os obstáculos e conquistas pessoais que ambos tiveram.

Elton John e Taron Egerton na estreia de ROCKETMAN.
Fonte: WireImage

Podes ouvir aqui uma playlist com músicas de artistas exclusivamente pertencentes à comunidade LGBTQ+, de forma a aumentares o teu conhecimento musical e também o teu conhecimento sobre a comunidade.

Fonte da capa: Wired

Artigo revisto por Inês Moutinho

AUTORIA

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Mariana Pinela tem 21 anos e já passou pela Psicologia, estando, de momento, a estudar Publicidade e Marketing. A música sempre foi a sua paixão, e, mais tarde, surgiu a escrita para completar. Agora está a realizar um dos seus maiores sonhos na ESCS, escrever sobre música numa revista. Sempre pronta para novos desafios, Mariana não tem limites para os sonhos na ESCS Magazine. Utiliza a música e a escrita como ar para respirar num mundo tão sufocante, e, assim, abraça esta nova oportunidade como algo único e mágico.