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One Hour Photo (2002): a outra face de Robin Williams

one hour photo
 

Muitos de nós idealizamos Robin Williams como um ator que, ao longo da sua carreira, se dedicou a fazer as pessoas sorrirem protagonizando inúmeras comédias ou papéis tendencialmente cómicos.

No entanto, o malogrado ator foi sempre muito mais do que apenas um ator cómico. Dotado de uma versatilidade tremenda, sempre foi capaz de interpretar com a mesma qualidade papéis muito díspares, revelando um fantástico talento para a arte da representação.

Assim sendo, o filme acerca do qual escrevo constitui mais uma prova da versatilidade interpretativa de Robin Williams. Em One Hour Photo (Câmara Indiscreta), realizado por Mark Romanek, Robin Williams encarna Sy Parrish, um funcionário da área de revelação de fotos de um centro comercial.

O protagonista, Sy, é um homem recatado, calado e solitário que se limita a dedicar-se ao seu trabalho. Não tendo amigos, este acaba por conhecer, quase intimamente, a vida dos seus clientes através das fotos que vai revelando. No meio dessa fantasia, na qual acaba por sentir que os clientes da loja estão, de alguma forma, ligados a si, Sy acaba por desenvolver um especial interesse pela família Yorkin, que é sua cliente há mais de 14 anos.

O interesse de Sy Parrish na família Yorkin é facilmente descrito como uma obsessão, que se revela de diversas formas: desde descrever-se como o “Uncle Sy”, afirmando inclusive que é parte integrante da família, a imprimir em duplicado as fotos que estes lhe entregam desde que são seus clientes, criando uma parede na qual estão presentes todos os momentos da família Yorkin. Sy vai construindo assim um mundo de fantasia, tanto para combater a solidão em que vive como para lidar com a inveja que sente da felicidade que aquela família aparenta ter.

Ao longo do filme vamos observando as diversas tentativas de Sy para contactar com a família Yorkin fora da loja onde trabalha. Assim, começa por se encontrar com o filho do casal Yorkin, Jake (Dylan Smith), após este sair de um treino de futebol, ou com a mãe de Jake, Nina Yorkin (Connie Nielsen), com quem tenta inclusive estabelecer pontos em comum fazendo referência a um livro que ambos estavam a ler.

Entretanto, Sy descobre, através da impressão de fotos de uma outra cliente, que Will Yorkin (Michael Vartan) trai Nina. Esta descoberta, associada à dispensa do seu trabalho motivada pela descoberta de que duplicava as fotos dos clientes, conduz Sy a uma espiral negativa que o leva a revelar a Nina Yorkin a traição (através do envio das fotos que a comprovavam), a ameaçar a família do seu ex-patrão e ainda a perseguir Will Yorkin e a amante.

Assim, deparamo-nos com o verdadeiro estado mental de Sy Parrish, e para isso muito contribui a extraordinária interpretação de Robin Williams, que se revela um homem deveras solitário, triste e perturbado, traumatizado por eventos que o atormentam desde a infância.

Posto isto, este é um filme cujo visionamento aconselho, pois trata-se de um ótimo thriller, um filme que “cola” o espectador ao ecrã, emocionante e muito bem conseguido, que explora temas como a solidão humana ou até a influência que os traumas de infância têm na vida adulta.

Robin Williams assina uma ótima interpretação encarnando uma personagem que, apesar de ser o “vilão” da história, consegue provocar pena e empatia, sendo por isso completamente justo o Saturn Award para Melhor Ator que conquistou.

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