Desporto

Portugal já foi feliz no Catar

A seleção portuguesa já foi feliz num Campeonato do Mundo de futebol realizado no Catar. Foi em 1995. Os sub-20 apresentaram-se com uma equipa recheada de craques e chegaram ao 3.º lugar. O ‘bronze’ sublinhou a caminhada dessa geração, que um ano antes tinha conquistado o título europeu sub-18.

Daqui a menos de um mês, o Catar volta a receber uma grande competição de futebol, desta vez a nível sénior, mas novamente com a presença de Portugal. Em 1995 Cristiano Ronaldo era ainda uma criança que dava os primeiros pontapés na bola, em Santo António, ilha da Madeira, com a camisola do Andorinha. Tinha apenas 10 anos. Alguns outros elementos da atual seleção lusa ainda nem tinham nascido. 

É momento de recordar os craques da geração que deu nas vistas no Mundial sub-20 no Catar, concretamente na capital, Doha. Já lá vão quase três décadas. O tempo passa rápido. Que o digam Nuno Gomes, Dani, Beto, Bruno Caires ou o guarda-redes Quim, só para citar alguns dos jogadores então comandados pelo experiente professor Nelo Vingada. 

Nelo Vingada, o selecionador dos sub-20.
Fonte: Lusa

O título de Riade, em 1989, fez ‘despertar’ o futebol português para os talentos mais jovens. Lisboa’91, com a conquista do segundo Mundial de sub-20, confirmou o trabalho desenvolvido pelo então selecionador Carlos Queiroz, que tinha Vingada como treinador-adjunto. A geração do Mundial de 1993 ficou pela fase de grupos, mas em 1995 lá estavam os portugueses… novamente a sonhar com o título. 

A primeira fase foi imaculada. Três jogos, três vitórias. Sete golos marcados e apenas dois sofridos. Honduras ainda pregou um susto na 1.ª jornada, mas Portugal acabou por vencer por 3-2. Nuno Gomes bisou e Dani apontou o outro golo português.

Seguiu-se nova vitória, desta vez 1-0, frente à Argentina. Dani, então jovem talento do Sporting Clube de Portugal, apontou o único golo do jogo. 

Dani foi um dos melhores do torneio.
Fonte: Lusa

Com a passagem aos quartos-de-final já carimbada, os portugueses entraram em campo na última jornada sem pressão. O resultado foi um robusto 3-0 diante da Holanda. E deu para tudo. Até para um dos momentos mais caricatos do Mundial. Vamos lá contar essa história. Num lance estudado, Dani e Bruno Caires partiram ao mesmo tempo para a marcação de um pontapé livre, descaído para o lado direito, no meio-campo ofensivo de Portugal. Os dois jogadores simularam um desentendimento com o propósito de distrair os adversários. E resultou! Dani bateu o livre rapidamente e Agostinho surgiu na área a cabecear para o golo, sem marcação. Os holandeses estavam todos distraídos e nem deram pelo ‘truque’.

Agostinho, precisamente, foi o autor dos dois golos de Portugal nos quartos-de-final. O triunfo (2-1) frente à Austrália, após prolongamento, colocava os sub-20 lusos entre as quatro melhores equipas. Cada vez mais perto do sonho.

O adversário na meia-final foi o Brasil. Caio marcou o golo decisivo aos 90 minutos, quando Portugal jogava com nove. Um verdadeiro balde de água gelada para a geração dos jovens portugueses, que sonhava repetir as proezas de Riade’89 e Lisboa’91, onde pontificavam jogadores como Fernando Couto, Paulo Sousa, Luís Figo, Rui Costa, João Vieira Pinto e companhia. 

Portugal perdeu nas meias-finais frente ao Brasil. 
Fonte: Lusa

Restava lutar pelo pódio. A medalha de bronze serviu de consolo após o triunfo (3-2) perante a Espanha, a 28 de abril de 1995. Nuno Gomes, com dois golos, e Dani foram as figuras do jogo. Aliás, as figuras do Mundial, apesar de Caio ter sido considerado o melhor jogador do torneio. Nessa seleção do Brasil jogava Denilson, porventura aquele que teve melhor carreira a nível sénior, sobretudo no Bétis de Sevilha, embora sem o brilhantismo esperado. Marcou presença nos Mundiais de 98 e 2002, sagrando-se campeão do Mundo no ‘penta’ dos canarinhos. 

A Espanha apresentava nomes que deram nas vistas ao longo dos anos seguintes. Foram os casos de Ivan de la Peña, Míchel Salgado, Fernando Morientes e Etxeberria, o melhor marcador do Mundial (7 golos). 

Na final, a Argentina derrotou o Brasil, por 2-0, e sagrou-se campeã do Mundo sub-20. O conhecido José Pékerman era o selecionador. 

A seleção de Portugal despediu-se do Catar com o bronze. O guarda-redes Quim ainda fez um jogo pelos seniores do Sporting de Braga nessa época. Anos depois rumou ao Benfica. O central Beto jogava no União de Lamas, emprestado pelo Sporting. No regresso a Alvalade assumiu-se como figura importante nos títulos de 1999/2000 e 2001/2002. O médio-defensivo Bruno Caires, na altura cedido pelo Benfica ao Belenenses, jogou pela equipa sénior das ‘águias’. Dani, um dos mais promissores, fez carreira no Sporting, West Ham, Ajax, Benfica e Atlético de Madrid, mas sem o sucesso que se perspetivava. Já Nuno Gomes comprovou todo o talento que demonstrou no Catar. 

Nuno Gomes representava o Boavista.
Fonte: Lusa

Em 1995 ainda jogava no Boavista. Depois foi contratado pelo Benfica e também teve sucesso em Itália, com a camisola da Fiorentina. 

Quase três décadas depois, o Catar volta a atrair as atenções do futebol mundial. Será que a seleção portuguesa vai sorrir novamente? 

Fonte da capa: Lusa

Artigo revisto por Julia Gibelli

AUTORIA

Costuma dizer que aprendeu a ler com os jornais desportivos. É apaixonado por Desporto desde que se lembra de ser gente. Tentou ser jogador de futebol e basquetebol, mas faltou talento. Apenas sobrou vontade. Ainda procurou seguir a carreira de treinador, só que aí já tinha outra paixão: o jornalismo desportivo. Adora História. Basta dizer que é colecionador de cadernetas, jornais e revistas antigas.