Pseudofilosofias

Este artigo serve como uma espécie de exposição e sticker mental para mim e para quem o quiser ler. Politicamente, considero-me alguém relativamente moderado: apesar de ter as minhas inclinações naturais, tento focar-me mais nos problemas específicos e nas suas implicações do que em ideologias. Não gosto de meter vendas nos olhos, e tento que as vicissitudes da minha adolescência não prejudiquem o meu bom senso: independentemente do nosso grau de expertise no que toca a determinado assunto, o nosso bom-senso deverá servir sempre como bóia. O bom-senso ajuda a criar consenso: não é que o consenso explícito seja sempre o caminho certo, e eu acredito no poder do choque. Por isso, o meu bom-senso às vezes extravasa-se e extrema-se pelo bem do choque e da provocação. Perante tamanhas ignominiosidades, é muitas vezes aquilo que acho correto fazer. Mas a forma como se raciocina tem sempre de passar por um casamento de extremos, e só se alcança esse objetivo se soubermos fazer o papel de advogado do Diabo: a mente é um purgatório, de certo modo. Perante tanta pseudofilosofia, silogismos absolutos não são o caminho que pretendo enveredar durante a minha vida e tentarei reger-me sempre pelo desenrolar dos acontecimentos e aquilo que realmente acontece ou aconteceu nesse determinado ponto.

A partir disto, vou desabafar, em jeito de teste. Se alguém vos roubou o dinheiro do almoço ou vos deu uma pêra em mais novos, isso não faz de toda a gente com traços semelhantes demónios, mas pode fazer de vocês uns burros maricas. Se alguém vos partiu o coração, isso não faz de toda a gente do mesmo sexo um demónio, mas pode fazer de vocês uns burros maricas. Há gente atrasada e inteligente de todas as cores, e muitas vezes os mais atrasados são aqueles que extremam por um sexo ou etnia para justificar o seu trauma da treta. Existe discriminação racial, de género (no trabalho e não só), existem inclusive abusos sexuais, e existe quem se aproveite da cultura SJW e antidiscriminação para se aproveitar dos outros e destruir vidas sem razão. O movimento feminista foi reduzido a meme e a ferramenta de marketing. Donald Trump e Nicolas Maduro são ambos políticos ignorantes e sem escrúpulos, mas se não houvesse retardados a apoiá-los não chegariam ao poder. O mesmo se pode aplicar a casos de menor nomeada, como de Bruno de Carvalho, por exemplo. O futebol português é corrupto. O Mundial de 2022 não pode ser realizado no Qatar. Messi e Cristiano são dois monstros da mesma estirpe, mas que torturam adversários à sua maneira. Black Panther é um filme mediano: Moonlight é bem superior e não levou nem metade do hype. Ananás na pizza é bom. Camarão na pizza é repugnante. Proteína não é a mesma coisa que esteróides. Aborto devia ser legal, visto que não há necessidade de arruinar a vida de mais putos que não têm a culpa de ter pais mentecaptos, mas há quem mereça ver a sua vida arruinada. Eutanásia devia ser legal: quando menos tempo estivermos cá melhor.

Acredito na liberdade de expressão e, da mesma maneira que toda a gente pode expressar livremente a sua opinião sobre qualquer assunto, outra pessoa tem direito de ridicularizar a opinião de outra pessoa. Existe gente que não devia ser autorizada a expressar-se livremente, mas é bem mais produtivo para a sociedade se forem autorizados a fazê-lo para que possam ser, efetivamente, ridicularizados e para que outros aprendam que também serão ridicularizados se se armarem em parvos. Peço desculpa se me esqueci de mencionar algo, mas ficam aqui opiniões moderadas e choninhas para 2019. Assim ninguém tem desculpa para se armar em parvo, exceto eu.

Artigo revisto por: Ana Margarida

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