Música

Quem são os Cult of the Damned?

Fonte: cultofthedamned.bandcamp.com

Poucos são os grupos com a ambição deste coletivo, tanto a nível criativo como a nível logístico. O grupo formado em 2005, nesta altura denominado Children of the Damned, juntou rappers de várias regiões de Inglaterra, desde Liverpool, noroeste do país até ao sul de Londres. A formação inicial contou com os rappers de Liverpool e arredores Lee Scott, Salar, Tony Broke e Bill Shakes a aliarem-se ao rapper de Lancanshire King Grubb, e Sly Moon, proveniente do sul de Londres. Num género musical como o rap, onde o esforço individual e a competição reinam, conseguir juntar rappers de várias regiões do mesmo país é por si só um feito.

várias regiões do mesmo país é por si só um feito.

Mas o sucesso não se ficou pela logística. Com esta formação, o grupo começou por construir o seu nome com os álbuns Tourette’s Camp, em 2007, e com Brick Pelican, em 2009. Ambos os álbuns foram fervorosamente acolhidos no seio do hip hop britânico, valendo-lhes o reconhecimento de outras lendas da cena britânica.

No que começou por ser uma relação de respeito entre rappers e beatmakers, esta ligação cimentou a sua posição de peso no hip hop britânico, devido às diferentes personalidades do grupo, resultando em carismáticos versos a roçar o obscuro elevados por beats sinistros com ritmos a fazer lembrar boom bap americano, ainda que certamente mais lentos. 

Em 2015, um regresso incinerante como Cult of the Damned (COTD). O vídeo e a faixa foram introduzidos por uma bateria e piano estrondosos brilhantemente complementados pelos antigos e novos membros. Serviu certamente para lembrar os esquecidos, mas introduzir novos rappers e uma nova vida ao grupo.

Fonte: Blah Records via YouTube

Desta faixa resultou um EP, em 2015, também intitulado Cult of the Damned, que serviu como aperitivo para o prato principal, o álbum lançado em 2018 Part Deux: Brick Pelican Posse Crew Gang Syndicate. Posse cut atrás de posse cut, o rejuvenescido coletivo continua o trabalho a que já nos tinha habituado: o sinistro e o cinismo estão de mãos dadas, o auto-degradamento e os egos propositadamente exagerados resultam mais uma vez em inúmeros versos facilmente citáveis e ricos em carisma. 

E é mesmo com essa filosofia que os COTD regressam em dose dupla com os singles Gung Foo e Worship. Mais duas posse cuts, desta vez com a colaboração de CLBRKS, em Worship, na qual mostram a prolificidade deste projeto e dos membros pertencentes à editora Blah Blah Records – tal é evidenciado no final da faixa Gung Foo: “If you’re going to try, go all the way, otherwise don’t even start. This could mean losing girlfriends, wives, relatives, jobs and maybe your mind.

Fonte: Blah Records via YouTube

Proveniente de Inglaterra, este grupo mantém-se essencialmente como uma já longa carta de amor ao rap. Consistentes em qualidade nos seus projetos como grupo e como membros pertencentes à editora independente Blah Blah Records, onde podemos verificar a versatilidade destes membros, conseguiram manter uma fervorosa comunidade de fãs. Podemos especular que se avizinha outro projeto, mas, para já, os vários rappers têm-se concentrado em esforços a solo e outras colaborações, como é o caso do rapper Sly Moon, que no passado mês de dezembro lançou o tão aguardado álbum de estreia “Why Am I So Sly?”, explorando sonoridades mais melódicas, inspirando-se em funk e blues

Fonte: Blah Records via YouTube

Como membros do culto, os fãs certamente aguardam novo projeto, mas também é justo dizer que os vários álbuns e singles lançados só este ano mantêm os fãs igualmente satisfeitos.

Imagem de capa / Créditos: Cult Of The Damned

Artigo revisto por Miguel Bravo Morais

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