Atualidade,  Informação

Montaria na Azambuja: o “super-recorde” que matou 540 animais

Um grupo de caçadores espanhóis abateu 540 animais na Quinta da Torre Bela, na Azambuja. O Ministério Público já começou a investigar a matança que aconteceu entre o dia 17 e 18 de dezembro.

No dia 21 de dezembro, o jornal O Fundamental noticiou a montaria que aconteceu numa herdade na Azambuja e onde 540 animais foram mortos. A notícia dava conta das fotografias que foram publicadas nas redes sociais e que revelavam a atrocidade levada a cabo por um grupo de 16 caçadores espanhóis. “Fizemo-lo de novo” e “super-recorde” são algumas das expressões que acompanham as fotografias publicadas. Segundo a TVI24, a empresa que organizou a montaria foi a Monteros de la Cabra, com sede em Badajoz, Espanha. A empresa foi fundada há 25 anos por um casal de universitários, Mariano Morales e Virginia Rodriguez, que partilhava a paixão pela caça. 

Fonte: MAG

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) não tardou em reagir às notícias e garantiu que havia “fortes indícios de prática de crime contra a preservação da fauna” e suspenderam de imediato a licença da Zona de Caça Turística de Torrebela. O Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, repudiou o sucedido, chamando-lhe “ato vil e ignóbil” e “chacina”, reforçando que se deve rever a lei da caça e fazer algumas mudanças, depois de apresentar uma queixa ao Ministério Público.

            Na passada quinta-feira (24), a proprietária da herdade da Torre Bela emitiu um comunicado onde descarta qualquer tipo de responsabilidade perante a matança que se deu na sua propriedade, reforçando o facto de estar a colaborar com as autoridades.

            A Procuradoria-Geral da República apenas confirmou a “instauração de um inquérito que corre termos no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa Norte (Alenquer)”. A informação divulgada não incluiu a data em que o inquérito foi aberto, que crimes podem estar em causa e também não esclareceu se já existem arguidos. O procurador Raul Farias, que durante muitos anos lidou com crimes contra animais, esclareceu que, se houve crime, vai ser preciso perceber se foram eliminados muitos exemplares da fauna do ecossistema: “No caso de pertencerem ao ecossistema local, se, em função do abate verificado, teve lugar uma redução significativa do número de exemplares daquelas espécies naquele ecossistema localizado”, explicou o magistrado ao Jornal Público.

            Entre as reações de revolta e choque que foram partilhadas durante dias entre os portugueses, o PAN fez questão de comentar o sucedido através de uma declaração partilhada na página de Facebook do partido. “Matar por regozijo e desporto é desumano”, destacou o PAN. O partido garantiu, numa nota de imprensa enviada ao Notícias ao Minuto, que faz questão de perceber o que é que levou à autorização da montaria “numa zona de grande sensibilidade ecológica (…) para onde está, inclusivamente, prevista a instalação de uma central fotovoltaica”.

O Bastonário dos Veterinários, Jorge Cid, também se mostrou chocado com o sucedido e falou num “atentado muito grave”. Três organizações ligadas à caça- a Associação Nacional de Caçadores Portugueses, a Fencaça e a Associação Nacional de Proprietários Rurais – também já repudiaram a morte dos 540 animais, tal como o PS, O PSD, Bloco de Esquerda e o PCP.

Fonte: Jornal Público

Para participar na caçada que aconteceu na Azambuja, cada um dos 16 caçadores teve de pagar entre sete a oito mil euros. O Travel Agencies Finder, um site de agências de viagem, descreve a Monteros de la Cabra como uma empresa que organiza eventos e preza o espírito de equipa: “recebem os caçadores como clientes e o seu principal objetivo é que voltem a casa como amigos”.

Fonte da imagem de capa: Jornal Público

Artigo revisto por Ana Roquete

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *