Mundo Académico

Rui Gonçalves: pensar, criar e sair da bolha

O coordenador da Licenciatura em Publicidade e Marketing da ESCS, Rui Gonçalves, acredita que a criatividade, a ambição e a capacidade de resolver problemas são essenciais para quem quer trabalhar nesta área.   

“Não há ideias erradas, não há produtos maus. Se for bem pensado, vai sempre haver alguém que há de querer o produto.” 

Rui Gonçalves tem apreço em ver os alunos a sair da bolha. A inventar e a serem inesperados e criativos nos trabalhos. Num mundo em constante mudança, defende que os futuros profissionais devem saber adaptar-se, questionar, e, acima de tudo, não deixar de acreditar nas próprias capacidades.   

Antes de dar trabalhos, também os teve de entregar

Estudou Gestão na antiga Universidade Internacional, no Bairro Alto, durante cinco anos que recorda como bastante animados. Mais tarde, tirou um mestrado em Estatística e Gestão de Informação, na NOVA IMS, e um doutoramento em Gestão, no ISEG. Trabalhou numa consultora americana antes de começar o seu percurso como professor, que o levou a passar por várias escolas. Atualmente, dá aulas na ESCS e no ISCTE. 

Na Escola Superior de Comunicação Social, foi eleito coordenador da licenciatura em Publicidade e Marketing, um cargo ao qual associa uma grande responsabilidade. Ainda assim, quando fala daquilo que mais gosta na função, afirma que: “a parte melhor de ser coordenador é poder trabalhar com os alunos.” 

É também ao falar deles que percebemos o valor que atribui à criatividade. Rui Gonçalves gosta especialmente de dar aos alunos trabalhos em que estes tenham liberdade para criar, inventar e experimentar. Daqueles em que não existe apenas uma resposta certa e em que os alunos têm espaço para mostrar aquilo que conseguem fazer. 

“Quando eu lhes peço para serem criativos é fantástico. São capazes de fazer coisas muito mais lindas do que aquilo que eu, se calhar, era capaz de fazer na idade deles.”

Fonte: ESCS Magazine

“Acho que as empresas deviam ter visto. Fascinantes.” Mais do que cumprir um enunciado, interessa perceber como os alunos chegam às ideias, como exploram um problema e o que acontece quando não ficam presos à solução mais evidente. Numa era em que encontrar uma resposta é cada vez mais rápido, analisar essa resposta tornou-se ainda mais importante.  É preciso questionar, comparar e perceber a qualidade do que se tem à frente. 

“Ser capaz de não ficar preso àquilo que está num livro ou no ChatGPT… e analisar se está certo ou errado.”

A criatividade, para Rui Gonçalves, também é sobre ter a capacidade de procurar outra possibilidade quando parece que tudo já foi respondido, de não assumir que a primeira solução é necessariamente a melhor e de conseguir olhar para uma questão de maneiras diferentes. 

Contudo, numa sala de aula não são só os alunos que aprendem. O professor reconhece que o contacto com as novas gerações também lhe trouxe outras perspetivas. “Aprendo muita coisa sobre vocês, sobre as maneiras de pensar, novas culturas.” 

Vê nos estudantes atuais mais ambição e identifica neles uma maior exigência em relação a temas como os horários de trabalho e a sustentabilidade. Uma postura que admira e que, admite, é diferente daquela que teve enquanto jovem. “Vocês saem muito mais dessa bolha do que eu saí, e por isso perdi muitas oportunidades.” 

A ideia de sair da bolha acaba por aparecer várias vezes ao longo da conversa. Não apenas enquanto conselho pessoal, mas também como uma das competências que considera importantes para quem está prestes a entrar no mercado de trabalho. 

Os alunos vão encontrar pessoas de diferentes gerações, culturas, experiências e formas de trabalhar. Vão entrar em contextos aos quais não estão habituados e terão de perceber como se adaptar. Para Rui Gonçalves, essa capacidade de lidar com ambientes diferentes será um dos grandes desafios dos futuros profissionais. 

E o conselho que deixa é simples: “Não parem de aprender e de investigar.” Continuar curioso, procurar saber mais e olhar para além das redes sociais. Perceber que existem realidades fora do ecrã e que nem todas as respostas devem ser aceites só porque surgem rapidamente ou parecem convincentes. 

Fonte: ESCS Magazine

Quanto à Inteligência Artificial, que inevitavelmente entra na conversa, Rui Gonçalves encara-a como uma ferramenta e não como uma ameaça inevitável aos futuros profissionais de marketing. Continuará a haver oportunidades na área e o mais importante será aprender a utilizar a IA, tal como a internet, enquanto recurso para alcançar objetivos e resolver problemas. 

É precisamente essa capacidade que destaca: olhar para uma oportunidade ou dificuldade, perceber como a estruturar e escolher, entre várias ferramentas e abordagens, uma forma de lhe responder. 

Por fim, resume Publicidade e Marketing em três palavras: criatividade, ambição e gestão. Três ideias que, afinal, atravessam também grande parte da conversa. Criar permite imaginar, a ambição leva a querer ir mais longe e a gestão ajuda a transformar essas ideias em algo concreto. 

Mas, e um bom profissional de Publicidade e Marketing? O que precisa de ter? Rui Gonçalves escolhe uma palavra: ambição. Continuar a aprender, fazer perguntas, procurar novas soluções e não ficar preso à primeira resposta. 

Continuar, no fundo, disposto a sair da bolha. 

Fonte da capa: ESCS Magazine

Artigo revisto por: Érica Gregório

AUTORIA

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A Inês está a poucos dias de fazer os 18, está no seu primeiro ano na ESCS no curso de Relações Públicas e Comunicação Empresarial. A adolescente é conhecida por ter sempre a cabeça no ar (é mesmo muito distraída), e a probabilidade de bater contra um poste por estar no mundo da lua é bastante elevada. A Inês tem um irmão gémeo, adora música e está sempre de fones. Ela gosta de estar sempre muito arranjada e, às vezes, pode parecer arrogante por causa disso, contudo, vai ser sempre a rapariga pronta a ajudar o próximo, aquela que nunca se cala e adora dar conselhos. Adora festas, saídas e girl talks. Está ainda muito nervosa para este novo ciclo da sua vida, mas disponível e aberta para estas novas aventuras.