7ª Arte

Saturday Night Fever (1977): quando a febre atingiu as salas de cinema

Quem não conhece a famosa cena em que John Travolta desce uma rua de Brooklyn com uma lata de tinta na mão ao som de Stayin Alive dos Bee Gees? Esta cena, que é uma das mais replicadas no mundo da sétima arte, é, ainda hoje, a imagem de marca de um filme que marcou o final da década de 70 do século passado.

Lançado em 1977, Saturday Night Fever foi, ao mesmo tempo, o pináculo do género musical disco sound e o seu canto do cisne. O filme ajudou ainda a lançar John Travolta para a ribalta (ao sucesso obtido com este filme seguiu-se Grease) e para eternizar a obra da banda australiana Bee Gees, composta pelos irmãos Gibb.

Realizado por John Badham, esta foi uma escolha envolta em alguma polémica: até bem perto do começo das filmagens, o escolhido para o papel de realizador era John G. Avildsen, realizador de Rocky (vencedor do Óscar de melhor filme no ano anterior).

Quanto ao filme, este leva-nos até Brooklyn, onde ficamos a conhecer Tony Manero (protagonizado por John Travolta). Este é um jovem italo-americano que se divide entre o trabalho numa loja de tintas durante a semana e as loucas noites de festa, dança e bebida aos fins-de-semana numa discoteca local.

Tony encontra nas noites passadas na discoteca o escape ideal para uma vida difícil, marcada por uma profissão sem perspetivas de futuro, tensões raciais entre gangs e ainda por um ambiente familiar onde as comparações entre Tony e o seu irmão Frank Jr. (protagonizado por Martin Shakar), que é padre e tido como o filho perfeito, são constantes.

Como parceiros nas noites loucas, Tony conta com Bobby C. (protagonizado por Barry Miller), Joey (interpretado por Joseph Cali) e ainda Double J. (encarnado por Paul Pape), para além da sua habitual parceira na pista de dança, Annette (Donna Pescow).

Na pista de dança, Tony é o rei: aplaudido por todos e visto como o melhor dançarino nas loucas noites de sábado. A dada altura na trama Tony decide inscrever-se num concurso de dança e é aí que este se cruza com a personagem de Karen Gorney, Stephanie Mangano, em quem ele vê a parceira ideal para o ajudar a alcançar o primeiro lugar no concurso e por quem ele troca Annette.

O argumento deste enorme sucesso comercial baseia-se num artigo publicado na revista New York, em 1976, do escritor britânico Nik Cohn, “Rituais tribais do novo sábado à noite”.

Em termos de bilheteira, este foi um enorme sucesso e ajudou a popularizar o disco sound um pouco por todo o mundo, elevando John Travolta ao estatuto de estrela. Já a banda sonora, maioritariamente composta pelos Bee Gees, é ainda hoje uma das mais vendidas de sempre.

Saturday Night Fever é atualmente visto como um marco em termos musicais, de dança e da subcultura existente na década de 70 do século XX.

Houve ainda uma sequela, lançada em 1983, chamada Staying Alive, que teve como protagonista John Travolta e como realizador Sylvester Stallone, mas ficou bastante aquém do sucesso do original.

Por fim, este é mais um filme que recomendo, pois funciona quase como uma máquina do tempo, levando-nos a viajar até aos anos 70 do século passado, até à era das calças à boca de sino, das camisas abertas quase até ao umbigo e para uma altura em que usar polyester e sapatos de plataforma estava na moda. Para além disso permite relembrar alguns dos maiores êxitos musicais dos Bee Gees, o que, para alguém que, como eu, aprecie música mais antiga, é sempre um bónus.

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