Ser escstunis faz toda a diferença

“Olh’á escstunis, com a sua mocidade, cantando suas canções para vós nesta cidade, olh’á escstunis, estudantes afinal, cantaremos para vós, gente deste Portugal” – estes e muitos outros versos são entoados pelos membros de uma tuna que sopra as suas vinte e duas velas a 16 de dezembro. Afinal… O que é que a escstunis tem de tão especial?

No piso 0 da Escola Superior de Comunicação Social encontram-se quadros de cortiça peculiares, que certamente não passarão despercebidos: entre fundos pretos e luzes, vislumbramos sorrisos, pernas no ar, instrumentos musicais… Ei-las, as “Memórias de Palco”, que não serão indiferentes a alunos, docentes e funcionários.

Habitualmente, considera-se que uma tuna corresponde a um agrupamento musical, caracterizado por ser constituído por cordofones (instrumentos musicais cuja fonte primária de som é a vibração de uma corda, como o violino ou a guitarra). O termo também designa o tipo de agrupamento segundo o leque instrumental que utiliza. Pode apresentar-se como mero agrupamento instrumental, na versão canto e instrumento, ser de natureza popular ou de natureza estudantil, tocando sentada ou de pé. Contudo, é legítimo dizer que fazer parte da escstunis é desconstruir teorias, entrando num mundo totalmente novo e inesperado.

Desde os seus três fundadores, cujo objetivo era “encontrar outra forma de fazer Academia”, passando pelos atuais membros, é curioso reparar que todos possuem como valores basilares a amizade, o companheirismo e o espírito académico.

“Desde o meu primeiro dia na ESCS que me senti curiosa; depois, fui assistir a um ensaio e a escstunis tornou-se numa das minhas grandes paixões”, afirma Cristiana “Floribela” Soalheiro, para quem a tuna é sinónimo de experiência, memória, academia e música.

Para Mário “Aguilera” Barata, que sempre respirou música, entrar na tuna constituiu um processo natural, até ao dia em que se apercebeu de que tudo ia para além das notas musicais: “Isso fez-me continuar e nunca desistir deste amor que agora passou a ser dois em um”. Tendo em conta que nos ensaios, nas viagens para festivais ou nos concertos em menor escala convive sempre com as mesmas pessoas, o estudante do segundo ano da Licenciatura em Jornalismo é direto: “Crescemos pessoal e emocionalmente. Aprendemos a respeitar os mais velhos, isto é, porque na tuna existe uma hierarquia. Para além disso, convivemos com pessoas de outras tunas e saber que sentem o mesmo carinho pelas suas tunas que aquele que eu nutro pela minha é ótimo. Passamos bons momentos! A tuna faz parte de mim, é a minha segunda família!”.

Curiosamente, há quem oiça o chamamento da música mais tarde, como Diogo “Regulá” Rola: “O meu caso tem alguma graça! No início não gostava de tunas. Na verdade, não gostei quase até ao fim do curso”, mas, tendo a maioria dos amigos na escstunis, começou a frequentar os ensaios a duas semanas de terminar o terceiro ano da Licenciatura em Audiovisual e Multimédia.

Por ser mais velho que quase todos os membros, considera que ainda não obteve nenhuma lição da sua passagem por lá, mas sim ensinamentos diários: “Por muito que já se saiba, lidamos com pessoas completamente diferentes umas das outras. E há uma preocupação imensa na entreajuda e respeito por todos. Isso faz-nos evoluir todos os dias. É bom quando percebo que o pessoal mais velho nos diz para fazer algo e o significado daquilo é positivo no grupo e vejo essa evolução nos ensaios. As pessoas crescem na escstunis.”

Apesar de já ter vivido momentos complicados e ter pensado que não teria tempo para conciliar a sua vida pessoal e profissional com a participação na tuna, Diogo diz ter chegado a uma conclusão: “Vou ao ensaio no dia seguinte e não consigo parar de adorar. Eu gosto mais de ensaiar do que atuar ou estar num festival. E só há uma justificação para isto: pessoas. Um grupo de pessoas fantásticas, onde se partilham emoções e se treina para fazer melhor!”.

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