Opinião

Ser mulher no jornalismo desportivo ainda é uma luta de género

Por ainda existir um longo caminho a percorrer no sentido da igualdade de género, é importante refletir sobre o aumento da presença de mulheres no jornalismo desportivo.

A desconfiança em relação à cobertura mediática desportiva realizada pelo género feminino continua a levantar questões. Tal denota que as pessoas ainda estão presas a uma mentalidade conservadora. Em Portugal, cada vez mais mulheres têm dedicado a sua carreira ao jornalismo desportivo.  Tem havido uma integração progressiva nesta área e isso revela a evolução do papel feminino na sociedade. Há quem ainda acredite que as mulheres não são capazes de entender e de falar sobre desporto, mas essa ideia só se justifica através das expectativas limitadas que são criadas em torno do género feminino.

Agora já existe um espaço maior para as mulheres no jornalismo desportivo, contudo a luta pela credibilidade é muito maior em comparação com a dos homens. É exigido mais tempo, mais trabalho, e há uma menor tolerância para cometer erros.

Fonte: Due

As mulheres são tão competentes quanto os homens e demonstram a mesma capacidade de trabalho. O acesso à profissão, bem como a possibilidade de assumir cargos de direção dentro do jornalismo desportivo, deve ser igual. 

Ser mulher é uma construção social e cultural. Com isto quero dizer que conquistar um lugar na sociedade vai ser sempre uma luta com altos e baixos. O importante é continuar a incentivar e a valorizar o papel da mulher fora dos padrões e preconceitos que têm marcado a história. Apesar de haver um aumento da presença de mulheres jornalistas na área do desporto, ainda existe muito trabalho pela frente, tal como em todas as questões de discriminação. As mulheres pretendem ser vistas como profissionais da área e não como exceções à regra.

Já não devia existir a ideia de que as bonecas são para as meninas e o futebol para os meninos. Talvez esta posição seja o motivo de muitas mulheres limitarem as suas escolhas – por medo de quebrarem as expectativas criadas pela sociedade. Mas, felizmente, esta realidade está a mudar. No entanto, ver uma mulher a comentar ou a realizar análises de jogos de futebol ainda é um momento raro. Como estamos tão habituados a ver os homens nesses papéis, parece-nos que este é o rumo normal das coisas. Porém, de certeza que existem imensas mulheres com vontade de desempenhar essas funções e, nesse caso, as exceções deveriam ser a regra. 

A luta tem de continuar a ser no sentido da evolução. A presença de mulheres jornalistas numa área dominada por homens mostra que as mentalidades estão a transformar-se e que a nova normalidade passa por fugir aos padrões. Ser mulher é lutar diariamente contra preconceitos e estereótipos, que limitam tudo aquilo que o género feminino é capaz de conquistar. 

Fonte de capa: GETTY IMAGES 

Artigo revisto por Madalena Ribeiro