• Opinião

    Entre a espada e a parede

    É sempre bom exorcizar este meu dilema, e faço-o através da escrita, o único rito religioso em que creio. Este caso bicudo dura desde que comecei a ter aqueles picos de testosterona de que todos os rapazes são “vítimas”, mais cedo, ou mais tarde. Aquela altura em que o sexo oposto deixa de ser yucky e começa a suscitar certos tipos de interesse. Admito-o: não sei iniciar um contacto amoroso. Este tema dava água pelas barbas e será explanado em futuras crónicas, certamente, portanto foquemo-nos só nesta dicotomia que já referi. A socialização é, e sempre foi, algo extremamente complicado para mim. Padeço desta estranheza do contacto cara-a-cara, que faz…

  • Opinião

    Direção: Cabeça e Coração

    Se te pedir para me dizeres duas ou três características de um líder, rapidamente te passarão pela cabeça diferentes adjectivos que bem se encaixam naquilo que o perfil de um líder deve ser. Mas experimenta perguntar isso mesmo à pessoa que vires depois de leres este artigo, e vais reparar como os adjectivos que ela escolhe são diferentes daqueles que tu escolheste. E, se procurares uma terceira pessoa, o mesmo acontecerá. A verdade é que o perfil de um líder é algo complexo e, por isso, não pode, nem deve ser, resumido a um par de palavras que muitas vezes têm uma bonita forma mas são vazias de conteúdo (o…

  • Opinião

    A ebulição da Homeopatia

    Tenho as minhas divergências com o Dr. Carlos Fiolhais. É certo que nunca o vi na vida, e muito menos falei com ele: entenda-se por “divergências” algumas discordâncias ideológicas. Não me identifico com alguma da sua teoria, assim como não me identifico com a conceção de moralidade de Immanuel Kant. Falo então de um choque ideológico absolutamente impessoal. Por exemplo, o Dr. Carlos Fiolhais entende que a ciência e a fé podem coexistir racionalmente. Na medida em que as religiões fazem declarações sobre a forma como opera a realidade (declarações essas que pertencem ao reino da ciência), o consenso torna-se paradoxal, pelo menos para mim. Não há concílio possível entre…

  • Sem Categoria

    O medo do “não sei”

    O Homem é um mamífero que procura padrões, mesmo quando estes não existem: quando não temos uma teoria racional, contentamo-nos com a teoria da conspiração; quando vemos dois pontos e um parêntesis, vemos uma cara humana a sorrir. Aquilo que parece encaixar tem de encaixar. Recordo esta clássica experiência: uma mulher visita uma vidente com a intenção de saber aquilo que o fado lhe guarda. A psíquica diz-lhe que ela deve atentar no número 32. Nos dias seguintes, a mulher começa a reparar que encontra o algarismo em todo o lado: é o número do autocarro que apanha para o trabalho, é a idade da melhor amiga e é o…