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    A circuncisão não é diferente da mutilação genital feminina

    É, sem dúvida, uma afirmação atrevida, esta que encabeça a minha crónica semanal. Parece ousado, à primeira vista, tentar igualar o esfaquear violento e inútil de partes do aparelho reprodutor feminino a uma cirurgia feita em condições controladas e estéreis a recém-nascidos masculinos. Aceito o desafio. Ao invés da mutilação genital feminina, filha única de ideias distorcidas e sujas de moralidade, de pureza e de inferioridade da mulher, a circuncisão continua a ser defendida enquanto ato com valor medicinal. Durante anos foi-nos martelado na cabeça que a circuncisão tem uma suposta panóplia de vantagens médicas: diminui o risco de inflamações no prepúcio e na glande, protege contra o cancro do…