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    Silêncio

    Quem me conhece sabe bem que não sou facilmente acabrunhado. Os meus demónios estão à vista de todos. Muitas vezes sou eu mesmo que os exponho: torna-se mais confortável para mim fazê-lo. Que raio de paradoxo é esse?, perguntam vocês, e bem. É, à partida, estranho como um tipo que sofre de ansiedade social fala ao desbarato e comunica com toda a gente. Diz-nos o cinema que eu deveria ser o contrário – um tipo taciturno e cabisbaixo que não fala com ninguém e que fica em casa trancado enquanto faz obscenidades dentro da privacidade das suas quatro paredes. Não nego que alguns destes traços sejam visíveis na minha pessoa,…

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    Egocentrismo amoroso

    Não quero ter filhos. O próprio conceito de paternidade assusta-me tremendamente: o fardo de ter de moldar o futuro de um recém-nascido, o dispêndio temporal e a subsequente destruição dos meus (ou nossos, dependendo do grau de divórcio) tempos livres e a pressão social intrinsecamente relacionada com os comentariozinhos do tipo “se ele fosse o meu filho, eu…”. Que dor de cabeça! Já tenho doenças mentais que cheguem! A minha ansiedade patológica ia gritar por piedade. Para dizer a verdade, é mais egoísmo do que outra coisa. Adoro estar sozinho. Não no sentido de me sentir só, mas no de ter o meu espaço, o meu silêncio. Todas as relações…