The beach bum: nem tudo é mau

Não tenho por hábito ir ao cinema sem primeiro ter uma boa noção do filme que vou ver. Procuro o trailer e, por vezes, leio até o que os críticos têm dito sobre o filme. Mas, desta vez, decidi fazer as coisas de uma forma diferente. A escolha do filme foi aleatória e fui para a sala a saber apenas o título e as horas a que ia começar. Deixei-me surpreender por absoluto por aquilo que iria encontrar. Mas entrar numa sala praticamente vazia num dos cinemas mais visitados do país, tornou-se de imediato num alerta para mim. Comecei a ver o filme já de pé a atrás, e a verdade é que essa sensação nunca me abandonou durante os 95 minutos que ali permaneci.

Fonte: USA Today, retirado de: https://eu.usatoday.com/story/life/entertainthis/2019/03/26/the-beach-bum-is-basically-matthew-mcconaughey-the-movie/3269772002/
Créditos: NEON/VICE

O filme que escolhi foi o “The beach bum”, o que em português significa algo parecido com “o vagabundo da praia”. O título não engana nada. Toda a ação centra-se na história de Moondog (interpretado por Matthew McConaughey), um escritor que escreve poemas considerados geniais por todos aqueles que leem o seu único livro publicado. Contudo, Moondog não vive uma viva normal. É casado com uma mulher rica e, por isso, goza de uma vida sem quaisquer preocupações ou limites. Todos os dias são vividos como se fossem a melhor festa de sempre. Constantemente rodeado por drogas, álcool e mulheres prontas a satisfazer qualquer pedido, Moondog facilmente se esquece do seu extraordinário talento enquanto vagueia por praias paradisíacas. Mas quando a sua esposa morre devido a um acidente, Moondog vê-se confrontado com um problema: ela escreveu um testamento que o proíbe de ter acesso ao dinheiro sem antes publicar um segundo livro. A partir daqui, Moondog vive uma série de peripécias que o inspiram a escrever, mas sem nunca mudar o seu estilo de vida ou a sua essência.

Fonte: USA Today, retirado de: https://eu.usatoday.com/story/life/entertainthis/2019/03/26/the-beach-bum-is-basically-matthew-mcconaughey-the-movie/3269772002/
Créditos: ATSUSHI NISHIJIMA

Aqueles que depois desta descrição se sentem com vontade de ver o filme, devo dizer-lhes que há somente duas formas de o ver: podemos tentar procurar o lado bom de toda esta história e tentar perceber qual é a mensagem que se tenta passar pelas entrelinhas; ou podemos olhar apenas para aquilo que está à nossa frente e que é, na verdade, muito fraco em termos de argumento ou de aspetos técnicos.

Para quem escolher ver o filme da primeira forma, pode encontrar uma bonita história de amor, onde a admiração e o amor um pelo outro se torna mais importante que aspetos como a fidelidade. Pode também descobrir que a vida deve ser levada de uma forma leve e divertida, onde o dinheiro e as “normas” da sociedade pouco ou nada interessam.

Mas quem decidir ver o filme assim tal como é, vai encontrar uma história que impulsiona uma vida de excessos, onde o humor vem demasiado forçado, os diálogos sem filtros (mas não no bom sentido) e um enredo que facilmente cansa o espetador de tão repetitivo que é.  

Está agora nas vossas mãos escolher qual a visão que querem dar a esta obra de Harmony Korine.

Artigo revisto por Daniela Costa

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