The Cincinatti Kid (1965): como ser um ás

Por mais listas que se façam sobre os filmes de Steve McQueen, poucas serão aquelas onde The Cincinatti Kid aparece à cabeça. Considerado um dos filmes mais subestimados da carreira de McQueen, The Cincinnati Kid (O Aventureiro de Cincinnati, na versão portuguesa) surge como uma lufada de ar fresco.

A narrativa desenrola-se durante o período da Grande Depressão, em Nova Orleães. Steve McQueen interpreta Eric “The Kid” Stone, um jovem prodígio no póquer, que vive da adrenalina do amadorismo e do jogo clandestino. Ciente do seu talento, The Kid decide desafiar Lancey “The Man” Howard (interpretado por Edward G. Robinson) , um experiente jogador até então invencível, que está de passagem pela cidade. É a partir deste momento que toda a ação se encaminha para o tão esperado jogo de póquer. Mas já lá vamos…

The Kid é-nos apresentado como um “pobre coitado”, vagueando pelas ruas de Nova Orleães com um único pensamento em mente: póquer. Nos momentos iniciais, a sua namorada, Christian (Tuesday Weld) é uma figura constante na vida de Kid, mas este esforça-se por afastá-la. Quando a oportunidade de defrontar “The Man” surge, Kid recorre ao seu amigo Shooter (Karl Malden), implorando-lhe por um jogo com o campeão. Shooter, por sua vez, vai recorrer a Slade (Rip Torn), um homem rico e com intenções menos puras, que aceita, apenas na condição de ter Shooter como dealer. Mas Slade tem uma agenda própria: viciar o jogo de forma a que The Kid ganhe, através de um suborno a Shooter…

Pelo meio temos direito a uma luta de galos (censurada em Inglaterra), cenas semi-tórridas entre Kid e a mulher de Shooter, a bela Melba (interpretada por Ann-Margret), e alguns momentos mais cómicos, como os encontros fortuitos entre Kid e um pequeno rapaz, nas ruas de Nova Orleães.

A realização ficou a cargo de Norman Jewison (Um Violino no Telhado, O Furacão) e a banda sonora foi composta por Lalo Schifrin (Missão Impossível), num filme que aborda temas como o vício do jogo, a fraude e a noção de integridade, sem nunca subtrair interesse ao espetador.

Menção honrosa para Ray Charles, que compôs a música que eternizou esta história.

Importa igualmente referir que, para os fãs de póquer, o filme acerta em cheio no alvo. As derradeiras cenas, onde o tão esperado jogo acontece, estão recheadas de tensão, suspense e uma surpresa (para alguns).

The Cincinnati Kid pode ter ficado fora dos radares cinematográficos, mas, sem dúvida, ajudou a cimentar a reputação de “Rei do Cool” de Steve McQueen. É caso para dizer: só perde quem quer!

 

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