“Uma batalha ganha-se pela estratégia e não pela superioridade de forças”

Capa

Sabem quando julgamos um livro pela capa? “Nunca me esqueças”. O título remete-nos para uma história romântica, um mundo cor-de-rosa, onde o amor vence tudo e todos. E depois, à medida que se folheiam as páginas, leva-se com um grande balde de água fria.
Lesley Pearse é uma das escritoras mais aclamadas pelo público a nível internacional. Com uma infância difícil, a escritora apresenta-nos uma forte carga emocional nesta obra, repleta de palavras que nos fazem arrepiar, histórias com mistos de emoções e experiências que nos levam a realidades diferentes: desde a mais utópica até à mais aterrorizadora.

A escritora inglesa Lesley Pearse

Este romance, mais um sucesso de Lesley, é baseado numa história verídica e conta a história difícil de Mary Broad, uma jovem que, aos 19 anos, anseia sair de casa à procura de uma vida melhor: o sonho de qualquer jovem. Deixada levar por más influências, é presa por tentar roubar um chapéu de chuva: um crime robusto.

“Num dia…
Com um gesto apenas…
A vida de Mary mudou para sempre.
Naquele que seria o dia mais decisivo da sua vida, Mary – filha de humildes pescadores da Cornualha – traçou o seu destino ao roubar um chapéu.
O seu castigo: a forca.
A sua única alternativa: recomeçar a vida no outro lado do mundo.”

Mary escapa à morte e é exilada: uma notícia que a deixa estupidamente feliz, devido ao sonho de recomeçar a sua vida do outro lado do mundo.
Porém, todas as esperanças se desvanecem quando entra no navio que faz a travessia até à Austrália, na altura, uma colónia de condenados: cheiro nauseabundo, ratos e ratazanas, infeções. Um navio onde a pestilência ameaçava o ar e onde se misturavam novos, velhos, grávidas, doentes. Os setores mais frágeis de uma população todos amontoados em divisões minúsculas, onde pairava o cheiro da morte.
No meio deste cenário consumido pela imundice, proveniente das más condições de higiene existentes, Mary conhece Tench, capitão tenente do navio prisão, que, apesar da sua má aparência, era o homem mais generoso daquele barco.
Lesley Pearse alerta o leitor para uma realidade que vai além do simples romance em si: seres humanos renegados, condições de vida desumanas, contacto praticamente inexistente entre sexos opostos e escravidão. São estes os cenários apresentados por uma escrita objetiva e caracterizada pela pormenorização.
Após dolorosos tempos na viagem até à terra prometida, os poucos que sobreviveram chegam ao destino.
Porém, a desilusão toma as rédeas. A conquista pelo poder sobe às cabeças, e Mary vê-se obrigada a fugir, sozinha.
Quem sabe não andará por aí, talvez a vender chapéus de chuva…
“Nunca me esqueças” são 432 páginas escritas de forma vigorosa e expressiva, onde o leitor é envolvido pelas descrições minuciosas e em que uma coisa é garantida: depois de começar é difícil interromper a leitura.

Artigos recentes

Um adeus a Luis Sepúlveda

Um mês depois da sua morte devido à covid-19, Luis é ainda relembrado – com uma história de vida incrível, certamente memorável para muitos. Escritor,

Ler mais »

Problemas maiores, Carlos?

Claro que eu não discordo totalmente do ponto fulcral. Há problemas maiores. Haver pessoas a morrer é pior do que eu não ter conseguido celebrar

Ler mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *