Opinião

Uma existência sem inimigos

Abrimos este dia para celebrar o nascimento de Leonardo Da Vinci: 15 de Abril de 1452. Ele era músico, pintor, escultor, poeta, inventor, anatomista. Um génio da arte.

E a arte é a imagem de um país.

É a expressão, os sentimentos e as emoções de um indivíduo que partilha com o mundo. E o mundo recebe-a, projeta-se nela e fica com ela.

Mas nem toda a gente quer saber de arte. As profissões são desvalorizadas pelo governo e pelas próprias pessoas que dizem que músicos e pintores não são profissões. Que dizem que o escultor ou atriz deviam ir trabalhar.

E o governo não aposta na cultura do país, vivemos engasgados de Hollywood, mas não conhecemos os artistas nacionais. Vivemos de injeções nos bancos, mas não há apoio à cultura. Dentro da cultura, há seres humanos que pagam contas e que precisam de trabalhar para alimentar a família e viver numa casa.

O que é uma pena, porque a arte é tudo isto: é música, dança, pintura, cinema, fotografia, literatura, teatro e escultura. E é um trabalho.

Na música, em cada nota há um início; em cada compasso há uma frase. Em cada partitura há uma história. Os violinos gritam, o piano é profundo. A bateria é selvagem. Podia enumerar cada instrumento, mas todos eles fazem o ambiente.

Na dança, soltamos o nosso corpo. Desprendemo-nos do nosso inconsciente e voamos alto, somos livres. Mexemos o corpo, seguindo o compasso da nossa vida.

Na pintura, o pincel ou o lápis são a caneta que escreve a imagem, onde a mesma absorve as emoções do pintor e as projeta numa tela ou papel. As cores reproduzem estados de espírito, o carvão anula-os, criando uma melancolia agradável.

No cinema, visualizamos narrativas. Narrativas essas que estão presentes na vida de todas as pessoas, onde nos revemos e criamos empatia com personagens, com histórias, com ambientes.

Na fotografia, reproduzimos e manipulamos o real. Criamos fantasias, viajamos no visual. Educamos os nossos olhos a olhar para além do que já existe.

Na literatura, escrevemos prosa, contos, poesia, géneros. Várias histórias, biografias que quando lemos, somos puxados para lá, e lá ficamos. A viver a mesma história, uma história de fantasia ou que já aconteceu.

No teatro, estudamos e dominamos as expressões do próprio corpo. Com esse domínio, agarramos a mão dos espetadores para participarem diretamente na história.

Na escultura, aquecemos e damos vida a objetos considerados frios e mortos. Damos textura, damos sentimento a algo que não o tem.

A arte é uma poesia que nem sempre precisa de palavras.

É o entretenimento do nosso dia-a-dia rotineiro; é a mudança.

Estimula os sentidos, dá-nos boas energias e arrepia-nos a espinha.

É uma existência sem inimigos.

A arte é uma linguagem universal.

Fonte da imagem de destaque: Info Del Nea

Artigo revisto por Ana Janeiro

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Ana Rebelo é licenciada em Ciências da Comunicação pela UAL. Farta da escrita de notícias e reportagens, Ana quis sair dessa prisão e embarcar pela escrita criativa e pela opinião, falando dos seus próprios interesses, sem qualquer obstáculo. De momento, frequenta o mestrado em Audiovisual e Multimédia na ESCS, dá aulas de piano e teoria musical e é músico.

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