Literatura,  Secções

Uma viagem com “A rapariga no comboio”

Quando comprei “A rapariga no comboio”, na Feira do Livro de 2015, não sabia que este estava a ser um sucesso. Nem sabia muito bem ao que ia. Na realidade, precisava de comprar mais um livro para usar o desconto da Fnac, e este pareceu-me uma boa opção. Desde aí, tem estado poisado na minha estante, em espera. Olhava para ele de vez em quando, com alguma curiosidade, principalmente depois de descobrir que estava em destaque na maioria das lojas. Mas foi só há duas semanas que decidi finalmente pegar nele e dar-lhe uma oportunidade.

Agora que o acabei, fico muito feliz por ele ter vindo, quase sem querer, parar à minha vida. É um livro muito diferente, na minha opinião. Envolve um crime, uma investigação, mas não do ponto de vista da polícia: do ponto de vista de uma simples mulher, cuja vida aborrecida e, na realidade, deprimente a leva a embrenhar-se neste mistério.

“A rapariga no comboio” conta a história de Rachel, uma mulher na casa dos trinta anos que todos os dias apanha o comboio para Londres de manhã e volta ao fim da tarde. Em quase todas as viagens, o comboio pára no sinal vermelho perto de Blenheim Road, permitindo a Rachel ver a casa onde costumava viver com o ex-marido – Tom – e onde este agora vive com a mulher – Anna – e a filha – Evie. Mas Rachel foca-se principalmente numa outra casa, onde vive um jovem casal a que ela chamou Jess e Jordan. Todos os dias, Rach observa o casal a apanhar sol no jardim, dar beijos apaixonados, e sonha com as suas vidas, fantasiando-as na sua cabeça.

Até ao dia em que Jess – que afinal se chama Megan – desaparece. Além de se sentir extremamente ligada a esta pessoa, Rachel teme ter algo a ver com o seu desaparecimento. Assim, faz tudo para descobrir o que aconteceu, envolvendo-se por vezes em situações perigosas.

A história é contada sobretudo do ponto de vista de Rachel, embora também nos seja dada a conhecer por vezes a perspectiva de Anna e de Megan. Assim, a intriga é-nos contada através das três mulheres centrais. Uma das minhas coisas preferidas foi o facto de a protagonista não ser como as protagonistas normalmente são (bonita, magra, bem-sucedida…): Rachel tem peso a mais, bebe demais, perdeu o emprego, é divorciada e está rapidamente a dar cabo da sua vida. Ainda assim, esta personagem, que, durante o todo o livro, nos é apresentada como fazendo imensas asneiras, importunando tudo e todos, sendo uma descontrolada, consegue ganhar o nosso coração e ficamos do lado dela durante toda a obra, torcendo por ela.

Uma lição muito importante a retirar deste livro é que as aparências iludem – e muito. Aquelas que parecem ser as piores pessoas são por vezes as mais bondosas, e as que nos parecem de confiança revelam-se más. Há ainda as que nos parecem más, depois boas, depois más, depois boas… e quando chegamos ao fim continuamos sem ter a certeza do que são.

Adorei este livro e aconselho-o a todos. É uma viagem literária diferente. Não consegui parar de o ler: sempre que saía de casa sem ele dava por mim nas aulas ou na rua a pensar nele e a desejar poder estar a lê-lo nesse momento. Esses são os melhores livros, não são?

Avatar

A Inês Rebelo tem 19 anos e está no primeiro ano de Jornalismo. Começou a ler com 4 anos e a escrever as suas criações com 9, sendo que foi sempre esta a sua grande paixão. Fez teatro durante oito anos, gosta de ler e, embora não interesse a ninguém, tem três tartarugas. Também gosta de cantar, mas para isso não tem muito jeito. Na ESCS MAGAZINE integra as equipas de Correcção Linguística e de Literatura, e escreve com o Antigo Acordo Ortográfico.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *