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    Como ser uma pessoa supersticiosa (e ligeiramente paranóica)

    “Não acredito em bruxas, mas que as há, há”. Esta expressão descreve bastante bem a minha posição perante as superstições. Racionalmente, sei que não fazem sentido e que o facto de eu bater três vezes na madeira quando digo algo que não quero que aconteça dificilmente vai evitar que essa coisa aconteça. Por outro lado, eu dizer algo que não quero que aconteça não devia resultar no acontecimento dessa coisa. Perceberam? É complexo, mas o dia-a-dia de uma pessoa supersticiosa é tudo menos simples. Há muita coisa a ter em conta, muito que fazer, muito que evitar. Este texto é para os supersticiosos que se sentem sozinhos, para os não-supersticiosos…

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    O que fazer quando estamos a ler um livro de que não gostamos

    Vejo um bocadinho a leitura como a vida amorosa. Acho que cada livro que lemos é como se fosse um namoro: se gostamos muito da obra, e esta nos enche as medidas, é um período de grande felicidade e, seja o que for que estamos a fazer, pensamos nela a toda a hora; quando é um livro que tem alguma graça, mas não é propriamente espetacular, é bom para passar o tempo, mas não deixa grandes marcas; quando nos cai na rifa um livro que é aborrecido, cuja escrita não nos interessa, ou um com o qual não nos identificamos, a coisa torna-se feia. Neste último caso, há duas hipóteses:…

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    Quatro tipos de pessoas que me irritam no ginásio

    Vou ao ginásio todas as semanas. Quatro ou cinco vezes durante as férias, uma ou duas se estiver em aulas. Faço elíptica, bicicleta, passadeira, e vou às aulas, normalmente as de Stretching ou Yoga. Ainda assim, não sou uma pessoa que adora ir ao ginásio. Tenho até muitas coisas contra isso, na realidade: ter de sair de casa, para começar; transpirar; ficar exausta; tudo coisas que não gosto nada de fazer. Mas uma das coisas que mais me irritam são as pessoas. Há vários tipos de pessoas no ginásio. As minhas preferidas são aquelas que ficam “na sua”: chegam, fazem o seu exercício sossegadas, não se metem com ninguém. Mas,…

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    Uma viagem com “A rapariga no comboio”

    Quando comprei “A rapariga no comboio”, na Feira do Livro de 2015, não sabia que este estava a ser um sucesso. Nem sabia muito bem ao que ia. Na realidade, precisava de comprar mais um livro para usar o desconto da Fnac, e este pareceu-me uma boa opção. Desde aí, tem estado poisado na minha estante, em espera. Olhava para ele de vez em quando, com alguma curiosidade, principalmente depois de descobrir que estava em destaque na maioria das lojas. Mas foi só há duas semanas que decidi finalmente pegar nele e dar-lhe uma oportunidade. Agora que o acabei, fico muito feliz por ele ter vindo, quase sem querer, parar…

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    Os seis livros que me desiludiram

    A Inês Rebelo não escreve com o Novo Acordo Ortográfico. Falamos muitas vezes dos livros de que gostámos e que marcaram a nossa vida. Mas e aqueles livros que começámos a ler cheios de entusiasmo e se revelaram um “embuste”? A verdade é que esses também são muito importantes nas nossas vidas, sendo como marcos dos pontos baixos do nosso percurso literário; principalmente se, como eu, tiverem muita dificuldade em deixar um livro a meio. A leitura acaba por se arrastar dolorosamente, porque não somos capazes de voltar a meter o livro na prateleira, mas também não conseguimos pegar nele. Estes são os livros que ocuparam semanas da minha vida…

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    A importância de falar bem Português

    Não é segredo para ninguém que a Língua Portuguesa é chacinada diariamente pelos seus utilizadores. Temos os “há-des cá vir”, os “à séria!”, os “eu não me acredito”. No entanto, estas, apesar de serem expressões erradas, não nos induzem em erro. Sabemos exactamente o que a pessoa pretende dizer. Há outros erros, porém, que não dizem exactamente aquilo que a pessoa quer – em alguns casos, dizem até o contrário. O primeiro caso de que vou falar não é muito problemático: meio-dia e meio. Dificilmente alguém se sentirá confundido com o seu significado. No entanto, quando pensamos bem na expressão e a analisamos, concluímos que não é assim tão simples.…

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    Os seis (potenciais) casais que animaram a minha vida

    Todos nós conhecemos aqueles casais, nos livros, que não são realmente casais; todos sabemos que se adoram, que vão ficar juntos para sempre e ter muitos filhinhos, mas por enquanto resumem-se a um toque aqui, um olhar ali, ciúmes disfarçados… Na verdade, acabamos por preferir estes casais àqueles que são verdadeiros casais, que estão juntos oficialmente, pois a magia é diferente. Assim, fiz uma lista dos potenciais casais que animaram a minha vida, que fizeram o meu coração bater e que me fizeram estremecer de cada vez que se aproximavam, como se estivesse eu no lugar deles. Cormoran Strike e Robin Elacott – Este é o mais recente casal a…

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    Uma perna sem dona, dois detectives e quatro suspeitos

    Recensão crítica ao livro “Career of Evil” “Career of Evil” é o terceiro livro de Robert Galbraith, pseudónimo da conhecida autora J. K. Rowling. Continuando a seguir a vida e negócio de Cormoran Strike, esta obra traz-nos mais uma aventura do detective e da sua secretária – parceira? –, Robin Ellacott. Desta vez, chega-lhes uma perna amputada ao escritório, endereçada a Robin. Começa então a demanda para descobrir a quem pertence a perna e quem a terá enviado; Strike e Robin investigam os seus quatro suspeitos, deliciando-nos como sempre com os estratagemas a que têm de recorrer, enquanto tentam ao mesmo tempo que o culpado não chegue a Robin. Tal…

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    Quando as pessoas não pensam

    Na qualidade de pessoa que vive, sai de casa e se cruza com outros seres humanos no seu dia-a-dia, sou, como todos nós, forçada a lidar diariamente com a falta de respeito e consideração dos outros, com o egoísmo, com o simples “não querer saber”. Há as pessoas que saem das casas-de-banho públicas e não puxam o autoclismo; as que passam à frente dos outros nas filas de supermercado; as que gostam de falar muito alto no cinema, estragando o filme a toda a gente; as que atiram lixo para o chão… Mas, de todas, as piores para mim são as que estacionam nos lugares de deficiente sem terem o…

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    De mão em mão

    Caí ao chão. Um ressalto, dois, e fiquei deitada no meio da multidão. Pisaram-me; um guincho, um riso; rebolei mais um pouco. Esperei. Silêncio. Passos soaram ao fundo, depois mais perto. Os passos pararam e eu fiquei na sombra. Pegaram-me. – Olha, alguém a deixou cair. Será que está boa? – voz feminina, mãos suaves… era definitivamente uma rapariga. Fez-me deslizar para dentro do bolso quente e apertado de ganga. Senti a contração e a descontração e percebi que tinha começado a andar. – Como estava a dizer, remarcaram-me o trabalho para a próxima semana – dizia a voz. – É uma sorte, nesta altura. O ruído aumentou e deixei…