O período de férias é especial para todos. É aquela altura do ano em que toda a gente pode fazer aquilo que bem entender sem ter que se stressar muito. Para os mais pequenos, significa continuar a brincar e a explorar de forma a aprender mais sobre o mundo (seja em frente a um ecrã ou não), ou basicamente a fazer precisamente aquilo que lhes apetece, livres do constrangimento da escola. No entanto, à medida que vamos avançando em idade, essa ingenuidade e esse positivismo são substituídos pela simples vontade de total evasão da vida urbana e de todo o stress a ela subjacente (os horários, o trânsito, os trabalhos, os prazos, etc.). Este sentimento agrava-se substancialmente na véspera de umas férias, independentemente da idade. Já posso dizer que sinto isto fortemente nas alturas próprias (Natal, fim de maio), nas quais a única coisa que quero fazer é enfiar-me em casa a jogar o que quer que seja. Não é que não jogue em tempo de aulas: até jogo, mas stresso-me porque tenho coisas para fazer.

Mas, ainda em aulas, vou apontando umas cenas que durante as aulas não consigo ou posso fazer, para fazer em tempo de férias, quer seja ler um livro quer seja aprender sobre um certo tópico, jogar novos jogos, ouvir diferentes tipos de música, escrever umas cenas mais “artísticas”, fazer mais exercício, etc. Ao mesmo tempo, vou imaginando e criando na minha cabeça uma série de situações potencialmente positivas para mim, sendo consequência da minha evolução em todas essas áreas, algo que me dá confiança e me motiva para levar a cabo tais atividades. Por momentos, essa motivação transfere-se para a minha realidade (aquela de carradas de trabalhos), mas já estou tão farto que a vontade de correr à máxima velocidade antes de embater com toda a minha força contra uma parede e desfazer-me é bastante superior. Provavelmente exagero.

Acabadas as aulas, mal posso esperar por colocar os meus planos em prática. Por outro lado, os primeiros tempos após os últimos anos são os da “diarreia mental” como eu gosto de chamar. É basicamente aquele período de total desleixo ao qual fiz referência anteriormente. Ou seja, durante as primeiras semanas das minhas férias, gosto de estar só a jogar, que é aquilo que costumo fazer nos meus tempos livres (e outros que supostamente deveriam ser ocupados) em período de aulas.

Após as primeiras semanas, vou para o Algarve. Imagino as minhas idas anuais para o Algarve como uma espécie de retiro para refletir sobre aquilo que quero fazer, planear tudo isso e deitar mãos à obra, dentro do possível. Adoro ir para a praia, especialmente quando a água está quente (nos últimos anos não tenho tido sorte). Um hábito que ganhei no ano passado na praia foi o de correr. Tenho jogado futebol todos os anos e serve para que eu volte à forma. Nos meus melhores dias, costumo correr cerca de dez quilómetros em uma hora. Durante os primeiros dez minutos, sinto me como se fosse um atleta olímpico. Quando acabo de correr estou tão dorido e com tanto calor que fico de molho na água até ficar com frio… o que acontece passado cinco minutos. Estando cansado, arranjo desculpa para jogar aqueles jogos que costumo jogar e ouvir as mesmas músicas que costumo ouvir durante o dia inteiro. Quando vou dormir, reflito novamente sobre aquilo que quero fazer, e volto a criar situações imaginárias que me dão motivação para continuar a planear coisas para fazer… para nunca as fazer. Vou fazendo uma coisinha ou outra de vez em quando, mas quando vejo que não tenho grande noção daquilo que estou a fazer, visto que estou a pensar na história que criei na minha mente para aquele jogador fictício que acabei de adquirir no draft no NBA 2K17, deixo aquela coisa semiprodutiva que estou a fazer para jogar. Ao menos tenho feito exercício. É a única coisa de jeito que tenho feito.

Continuo a fazer as mesmas coisas por muito que saiba aquilo que quero fazer. Afinal de contas, qual é a diferença entre esta situação e não fazer nada daquilo que quero porque tenho cenas da universidade para fazer? A universidade ocupa grande parte do meu tempo e da minha energia, mas ao menos faço algo útil. Eu não quero deixar de jogar e fazer as coisas que costumo fazer quando não tenho nada para fazer (ver vídeos, ouvir música, etc.), e sei que o posso fazer desde que não seja por muito tempo e que não “queime” tempo dedicado àquilo que realmente devo fazer, mas não posso fazê-lo durante um dia inteiro, quanto mais durante a grande maioria destes três meses. Ao criticar uma rotina que não posso quebrar, embarco numa outra rotina que posso quebrar mas que não quebro porque sou preguiçoso e parvo.

Concluindo, se quiserem fazer alguma coisa, mesmo que não saibam se vai dar nalguma coisa de jeito ou não, façam. Não tenham medo de quebrar hábitos que não têm grande utilidade, por muito que gostem de ter esse hábito. A única maneira de ganharem disciplina e de fazer algo bem é habituarem-se e comprometerem-se a fazer isso que querem fazer. Não há mal nenhum em descansar um pouco depois das aulas e não fazer grande coisa, mas se quiserem fazer algo mais, convém não procrastinar. Também há tempo para fazer coisas para desanuviar durante as aulas, mas convém fazer tudo aquilo que devem antes de poderem desanuviar. Que isto me sirva de lição. passados anos a fazer isto. Espero que tenham tido umas boas férias.

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