SuperNanny – Batalha Pedagógica

A SIC decidiu lançar para o ar o novo programa “SuperNanny”, alegando a necessidade de uma vertente pedagógica na Televisão Portuguesa. Este é um programa de televisão originalmente criado na Inglaterra, cujo objetivo, através de psicólogas ou pedagogas, é demonstrar ao público como impor disciplina às crianças, neste caso aos filhos de um casal que peça ajuda.

Desde o primeiro episódio da SuperNanny em Portugal que a polémica se instalou e é um dos temas mais falados dos últimos tempos, uma vez que tem sido criticada a exposição que a criança tem no programa e os riscos associados em termos de saúde mental que poderá vir a ter no futuro.

Primeiro que tudo, e sem me debruçar ainda sobre a polémica da exposição, será que a SIC fez um estudo para perceber se os portugueses queriam ou estavam preparados para um programa com uma dimensão pedagógica? Porque é que em termos televisivos continuamos a trazer exclusivamente programas de fora? Será que só temos capacidade interna para gravar novelas e séries como o “Conta-me como foi”?

E a verdade é esta, muitos deles são programas “crus” em termos de conteúdo, que apenas vêm mostrar que Portugal tem Ronaldos no futebol e nas finanças, paisagens e monumentos históricos, mas que, por outro lado, não consegue criar uma reputação televisa culturalmente digna.

Voltando ao assunto polémico da exposição da criança, a psicóloga do programa disse que “a polémica só confirma a necessidade de discutir as questões tratados no programa”. Eu concordo com o que é dito, ou seja, sim, é necessário discutir estas questões, mas não expô-las da forma como está a ser feito, pois não estamos a falar do “César, o tratador de cães”, que vai corrigir o comportamento dos donos e do cão.

Por outras palavras, os animais dependem maioritariamente da postura dos donos, enquanto o comportamento das crianças, neste caso de 7 anos – cujas atitudes se alteraram do “dia para a noite” -, depende do comportamento dos pais, do ambiente familiar e caseiro, dos problemas escolares, do comportamento de outras pessoas, entre muitas outras situações que têm uma forte influência.

Existem outras duas questões para não concordar de todo com o programa televisivo:

  • Será que a exposição de uma criança de 7 anos a câmaras ou a pessoas estranhas, as quais impõem comportamentos, irá ter um impacto assim tão positivo?
  • Se abordamos temas como a violação e o bullying sem expor as vítimas, porque é que expomos uma criança por ter comportamentos indevidos? É raro expormos a cara de suspeitos de crimes, na televisão, por isso não o deveríamos fazer com uma criança, que pode nem estar preparada, cognitiva e emocionalmente, para tal situação.

Concordo assim que todos estes assuntos mais sensíveis devem ser falados e discutidos. No entanto, nem sempre a componente audiovisual traz benefícios na transmissão da mensagem, isto porque, neste programa, a criança poderá incorrer em riscos, físicos e emocionais, a curto prazo – as outras pessoas também vêm o programa e esta poderá sofrer de bullying na escola – e a médio-longo prazo, se estivermos a pensar em possíveis traumas.

Autor
Pedro Almeida

Pedro Almeida, de 21 anos, é um estudante universitário do curso de Publicidade e Marketing, cuja paixão reside no Marketing, na escrita e na responsabilidade social.

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