Moda e Lifestyle

O luxo atemporal da mala Kelly

Poucas peças de moda conseguiram atravessar o século XX com o estatuto quase mítico da mala Kelly da Hermès. Mais do que um acessório, a Kelly é hoje um símbolo de elegância intemporal, excelência artesanal e poder simbólico, profundamente ligado a um momento histórico de uma das princesas mais aclamadas de Hollywood: Grace Kelly.

A origem da mala remonta a 1930, quando a Hermès lançou uma mala de viagem feminina catalogada como “mala alta com alça”, mais tarde conhecida como Sac à dépêches. O modelo foi criado numa época de transição e modernidade, refletindo uma nova abordagem à funcionalidade feminina: uma estrutura firme e uma elegância discreta, mas segura.

Nos anos 30, sob a direção de Robert Dumas, genro de Émile Hermès, a maison entra numa era de ousadia e modernismo. A mala, inicialmente pensada como um objeto prático, viria, porém, a ter um destino inesperado. Bastou uma fotografia para a transformar numa lenda.

Em 1956, Grace Kelly, uma das atrizes mais célebres de Hollywood e futura princesa do Mónaco, é fotografada ao lado do príncipe Rainier III no anúncio oficial do seu noivado. Na imagem, Grace segura uma mala Hermès em pele de crocodilo preto, usando-a para ocultar discretamente a sua gravidez dos paparazzi. A fotografia correu o mundo, tendo sido estampada em diversas capas de revistas. O público começou a referir-se ao modelo como “Kelly bag”, nome que a Hermès viria a adotar oficialmente na década de 50.

Fonte: Pinterest

Formalmente, a Kelly distingue-se pela sua forma em trapézio, linhas puras e estética quase arquitetónica. Disponível em vários tamanhos, do maxi formato de viagem ao mini, a mala expressa diferentes interpretações e funcionalidades, que demonstram a versatilidade que as peças de moda possuem. Apesar das variações, o modelo permaneceu praticamente inalterado desde a sua criação, preservando os seus códigos essenciais.

Fonte: Colagem feita pela redatora

Cada mala Kelly é inteiramente feita à mão num processo que pode durar entre 18 a 24 horas. O trabalho começa com a seleção rigorosa dos couros, escolhidos de acordo com o desejo do cliente. As peles são cortadas manualmente e enviadas para a oficina, onde o forro é preparado antes da montagem da estrutura exterior.

A confeção exige mais de 2.600 pontos, realizados com o exclusivo ponto de seleiro Hermès, um ponto duplo feito com duas agulhas e fios encerados em tensão oposta, garantindo uma resistência excecional: mesmo que uma costura se solte, a mala não se desfaz. 

Entre os elementos icónicos da Kelly, eis os que se destacam: a alça, composta por cinco peças de couro moldadas à mão na coxa do artesão com uma faca especial, o que faz com que não existam duas alças iguais; a aba frontal, presa por uma tira de couro que atravessa as laterais da mala e se fixa com duas placas metálicas douradas (na primeira versão da mala), formando o fecho e as partes metálicas, discretas e extremamente fiáveis, cujos pregos são minuciosamente polidos à mão.

Fonte: Colagem feita pela redatora

Após a montagem, a mala é passada a ferro e recebe, no interior, a gravação “Hermès Paris”, juntamente com a data e o código do artesão, um detalhe que facilita futuras reparações e ajuda a combater falsificações.

Embora profundamente associada à feminilidade, a Kelly também encontrou o seu lugar no universo masculino. A linha Kelly Masculine Harmony adapta os códigos clássicos a uma estética mais funcional e contemporânea, pensada para o quotidiano masculino.

Fonte: Hermès Paris

Hoje, a mala Kelly é um dos objetos mais prestigiados e exclusivos da moda contemporânea. Usada por celebridades, figuras públicas e colecionadores, tornou-se um símbolo de estatuto e riqueza, mas também de respeito pelo savoir-faire artesanal.

Fonte da Capa: Hermès Paris

Artigo revisto por Beatriz Mendonça

AUTORIA

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Vive num mundo onde mil e uma curiosidades vagueiam nos seus pensamentos, Ambre, aluna do 2.° ano da licenciatura em Jornalismo, sonha em, talvez um dia, poder conciliar todos os seus desejos… Animais, ciência, moda e cultura são algumas das milhentas paixões que tecem a tão confusa teia que é a sua mente. Por enquanto (e como sempre fez), refugia-se na escrita, um sítio em que pode expressar cada milímetro que percorre o seu espírito. Para explorar o tão vasto universo da escrita, Ambre aventura-se no desafio de ser Editora de Ciências, na ESCS Magazine - a melhor revista de Benfica.