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A pressa de chegar

Como lidar com a ideia de estar sempre atrasado para algo

Caros leitores, a redatora deste artigo acredita firmemente na frase “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”. Tendo isto em conta, hoje vou tentar ajudar-vos a lidar melhor com a pressão da recente vida adulta enquanto me atiro às paredes, exatamente por causa da pressão da minha recente vida adulta.

Os 20 são uma idade complicada: há quem esteja a tirar um curso, há quem já esteja a trabalhar, há quem ainda não tenha acabado o secundário, há quem esteja casado, há quem esteja no auge da solteirice, há quem ainda more na casa dos pais, há quem tenha casa comprada, há quem já tenha bebés, há quem nunca tenha deixado de se sentir bebé e de se comportar como um. Entrar na idade adulta é entusiasmante e assustador ao mesmo tempo (mais entusiasmante para uns e mais assustador para outros) e, por vezes, acabamos por nos sentir pressionados a apressar a vida e a percorrer caminhos que não são os nossos. Só estamos bem onde não estamos, só queremos ir a onde não vamos, já dizia António Variações na música Estou Além, que de alguma forma me inspirou para escrever este artigo. Trago-vos então alguns conselhos e perspetivas um bocadinho mais ligeiros em relação a este assunto.

Fonte: Pinterest

Antes de mais, vamos pensar que os 20 anos são cerca de um quarto da nossa vida – se tivermos em conta que a esperança de vida está na ordem dos 80 anos. Não vos parece um bocadinho apressado tentar ter a vida toda orientada depois de uns míseros 20 anos de existência? Além do mais, passamos os primeiros anos desse tempo a aprender unicamente a existir. Com 20 e poucos anos é normal cometermos mil e um erros, falhas e excessos. Crescer tem destas coisas. E se na vossa casa tentarem aplicar o argumento de “com 20 e tal anos eu já estava casada e com filhos”, tentem respirar fundo e pensar que os tempos de hoje em muito diferem dos de há 20 ou 30 anos atrás e que, às vezes, os nossos pais não têm facilidade em perceber as nossas circunstâncias e que tudo isso é legítimo. Não vale a pena compararmos o nosso ritmo ao dos nossos pais.

Na verdade, não vale a pena compararmo-nos a uma alma que seja, por muito difícil que isso pareça. O facto de alguém ter dado um passo em frente, primeiro que nós, não significa que sejamos inferiores a essa pessoa, até porque o conceito de “dar um passo em frente” é bastante relativo e depende dos nossos objetivos. Nem todos queremos comprar casa, nem todos queremos tirar um curso, nem todos queremos ter filhos ou seja o que for, e fazê-lo só porque todos fazem é uma forma de nos autossabotarmos.

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Há que perceber, também, que os avanços e recuos da vida são bastante influenciados pela forma como nos sentimos. Os momentos em que andamos em baixo são, normalmente, aqueles em que acabamos por estagnar um bocadinho na vida. É preciso ter compaixão e calma connosco mesmos, não é necessário sermos os mais fortes do mundo sempre. É preciso saber quando parar e descansar, sem qualquer sentimento de culpa – para vos orientar melhor neste tópico, aconselho-vos o artigo sobre a importância de um momento de descanso.

Além disso, a ideia de que vamos chegar a uma altura em que a vida é água de rosas – expressão da minha mãe que significa que a vida é fácil – e que estamos sempre a progredir é ligeiramente ilusória. Os 20’s são complicados por umas razões, os 30’s por outras e por aí adiante, havemos de ter sempre alguns avanços, recuos e estagnações e não há nada de errado nisso.

Acima de tudo e vou dar-vos o conselho mais banal, é preciso calma até porque o único lado onde esta pressa de viver nos leva é ao psicólogo mais próximo. A minha mãe gosta de dizer que “a vida não se faz num dia” (estou a usar mais expressões dela do que é costume) e tem razão. Há tempo para tudo e, no fundo, não estamos a perder nada, nem estamos atrás de ninguém no que toca a conquistas.

Fonte da capa: Pexels

Artigo revisto por Ana Beatriz Cardoso

AUTORIA

A escrita sempre foi um dos seus guilty pleasures. Desde pequena escrevia textos sobre tudo e sobre nada que entregava a alguém que nada conseguia fazer com eles. O seu intuito, com a entrada na revista, é deixar nas mãos de alguém os seus textos e opiniões de qualidade por vezes duvidosa – mas esforçada – e que esse alguém lhes veja utilidade. Nem que estes sejam, apenas, um entretenimento irrelevante porque a irrelevância também nos acrescenta algo.