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Alma à flor da pele

“O que é uma tatuagem?”, “Qual o seu significado?”, “Quais as suas histórias?”, “Quem está por detrás das mesmas?” são questões que surgem por vezes ao observar um corpo tatuado, aquele registo “para a vida” que acompanha uma pessoa. Por vezes questionamos o que está por detrás de uma ‘tela’ humana, da mesma forma que queremos interpretar uma obra de arte na parede de uma galeria.

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A Pequena Galeria, em Santos, surge como um corredor formado por arte sobre arte em paredes brancas, onde com poucos passos se podem observar 19 registos fotográficos. Estes, da autoria de Clara Azevedo, fotógrafa oficial do primeiro ministro António Costa, fazem parte de uma série de fotografias que tirou a amigos e conhecidos. São 19 retratos sem rosto e sem título, nos quais podemos observar o mais íntimo das pessoas, a sua alma. Se os olhos são o espelho da alma, então as tatuagens são a história da mesma.

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Fotografia de Jorge Cardoso no dia da inauguração

Assim nasce a Under Skin à flor da pele, uma “coleção de arte privada” que reside no corpo das pessoas e esteve no passado mês de novembro disponível para os lisboetas. Todas as fotografias foram tiradas à luz natural, enaltecendo a genuinidade do momento. Os diversos planos, captando por vezes um antebraço, o peito, as costas, as pernas, são enriquecidos pelo contraste das cores presentes na fotografia e pela luminosidade que direciona o olhar do espectador. Há uma relação de proximidade entre o público e as imagens que vê, quer pelas zonas fotografadas, quer pela resolução da imagem que torna difícil perceber se estamos a observar Da Vinci, se pêlos que saltam do print de tão reais. Tal como uma tatuagem, a exposição resulta da ideia da artista e da execução da mesma pelo curador/tatuador, chamando interessados em fotografia e tatuagens. Em mais que uma desconstrução do sentido de uma obra de arte/tatuagem, dá -se a desconstrução do processo de marcar uma cicatriz da alma e de “tatuar com luz”.

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