7ª Arte

“Becoming” : A Vida Não Tão Perfeita de Michelle Obama

Becoming – A minha História é o nome do documentário produzido pela Netflix, que acompanha Michelle Obama na sua digressão de apresentação do livro Becoming, uma produção com o objetivo de inspirar as próximas gerações.

Este documentário mostra, em pequenas partes, a vida de Michelle Obama antes, durante e depois da sua estadia na Casa Branca, com o grande propósito de chegar aos seus ouvintes, de explicar que nem tudo foi um mar de rosas e que teve de aprender a ser maior e melhor do que aquilo que diziam sobre ela. São apresentadas várias cidades (34 no total) e eventos comunitários, onde passa para deixar a sua palavra e refletir sobre os seus anos na Casa Branca. É também entrevistada por um leque de apresentadores vasto e muito conhecido, como Oprah Winfrey e Stephen Colbert.

Durante a digressão, a ex-primeira-dama dos Estados Unidos relata como é sentir uma liberdade que lhe é parcialmente devolvida, depois de oito anos a aparentar ser perfeita. Dá vários conselhos ao longo do documentário: um deles é lutarmos sempre por aquilo que nos faz feliz; e conta como foi experienciar, em idade tão nova, discriminação por parte de terceiros. Era boa aluna e tinha boas notas, mas a mãe de uma das suas colegas de quarto obrigou a filha a sair do mesmo, por ter medo de que Michelle lhe fizesse algum mal. Chegou até a ser chamada de “demasiado ambiciosa” por parte da orientadora da escola, que não via Michelle Obama como uma candidata a ir para Princeton. A verdade é que foi e acabou por ser uma das melhores da turma. Para estes casos, Michelle Obama deixa um conselho: não ouçam as pessoas que estão no topo da pirâmide a dizer que vocês não conseguem, porque muitas vezes essas mesmas pessoas não sabem como chegaram lá.

Michelle Obama a assinar o seu livro, lançado em 2018. Fonte: ELLE

Como é que, sendo uma mulher negra, perseverou nesta invisibilidade?”, foi uma pergunta feita a Michelle Obama por uma aluna, à qual a ex-primeira-dama respondeu que nunca se tinha sentido invisível. Sempre foi impulsionada pelo avô a dar o melhor de si, a ser trabalhadora e mais do que achava que conseguia ser. Diz, direcionada às pessoas negras que estavam na sala, que “não podemos esperar que o mundo seja igualitário para nos sentirmos vistos. Estamos longe disso. (…) Têm de encontrar ferramentas em vós para se sentirem visíveis, para serem ouvidos e usarem a vossa voz”.

Após vermos várias cidades, eventos e estádios cheios de pessoas a escutarem a vida da ex-primeira-dama, é apresentado, por um curto espaço de tempo, Barack Obama e a vida dos dois em conjunto. Michelle conta como conheceu o ex-presidente dos Estados Unidos pela primeira vez e como era suposto ser a sua orientadora na firma de advogados onde trabalhava. Ele convidou-a para um encontro, mas ela disse que não, não querendo cair no estereótipo de as únicas duas pessoas negras ali presentes estarem juntas. A verdade é que ficaram e, depois do nascimento das suas duas filhas, Sasha e Malia, sentiu que, para ter tempo, algo tinha de desaparecer e foram os seus sonhos e aspirações.

Durante a campanha e presidência do seu marido, Michelle foi várias vezes difamada pela imprensa. Diz que os seus discursos eram muito vulneráveis, que foram distorcidos pelos media e que, depois de se sentir sem escapatória, deixou de falar livremente. Por muito que ela soubesse que o que diziam sobre si era mentira, a própria diz que este tipo de comentários “muda a alma de uma pessoa”.

Com o seu marido e ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Fonte: Espalha-Factos

Que conselho daria a alguém que tenta evitar ser apenas uma estatística? Como evitamos ser um número?” É mais uma de muitas perguntas pertinentes e interessantes para os espetadores refletirem. Como é que, nos dias que correm, os jovens se podem permitir a não ser apenas um número no final do ano? Michelle Obama responde a isto de uma maneira simples: “O que faz de ti mais do que uma estatística é veres-te a ti (…)  mesma como mais do que uma estatística. E começares a pensar “Quem és tu?”, “O que te faz feliz?””. Uma das melhores formas de evitarmos este problema é percebermos nós mesmos qual é a nossa força e integrar esse sentimento. É percebermos que ao longo da vida haverá vezes que estaremos mais fracos, mas que vamos precisar de continuar para mostrarmos o nosso poder.

Michelle Obama relembra que, apesar de ter sido primeira-dama, é também descendente de escravos e que, apesar da cor da sua pele, esperava que a América estivesse mais preparada para a presidência do seu marido. Confessa também que, após tantos anos de trabalho, sentia que as pessoas continuavam a não ir votar e que não se importavam com isso, mesmo sabendo que o futuro do país estava nas suas mãos. Contudo, um dos momentos mais simbólicos retratados no documentário é o dia da legalização do casamento LGBT, em que Michelle Obama implorou que a deixassem sair para experienciar aquele momento e sentir que “o país estava a avançar”.

A ex-primeira-dama é caracterizada como uma visionária, alguém que escuta a geração seguinte e que abraça a diversidade. Palavras como encorajamento, vulnerabilidade e esperança definem Michelle Obama e são ditas ao longo do documentário, para nos mostrar que o seu trabalho agora é com a próxima geração. Aprender a ser e a fazer melhor, respeitar e ser respeitado e, acima de tudo, sabermos que valemos mais do que aquilo que nos dizem.

Artigo redigido por Inês Policarpo

Artigo revisto por Lurdes Pereira

Fonte da imagem de destaque: AdoroCinema

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *