7ª Arte

Blade Runner: São Robots ou Humanos?

Blade Runner é um belo exemplo de um bom filme que pisca o olho ao espetador, sem o enganar com “malabarismos técnicos”. É um dos filmes de culto mais célebres de Hollywood.

De Blade Runner já muito se disse: revolucionário, diferente, um género à parte. Ficção científica meio Kubrickiana? Talvez sejamos demasiado ambiciosos com esta última frase. A inspiração está lá certamente. Ridley Scott, realizador do filme, consegue transpor para a tela um ambiente diferente, inovador, futurista sem cair na tentação de nos apresentar “um show de variedades”. 

Do que se reveste Blade Runner? Inspirado no conto de Philip K. Dick “Do Androids Dream of Electric Sheep”, o filme fala de um ex-agente da polícia de Los Angeles, Rick Deckhard, interpretado por Harrison Ford, que está encarregado da investigação a um grupo de Androids “clandestino”. Num futuro onde seres humanos artificiais, chamados replicantes, são criados e usados na Terra e, principalmente, fora dela. A empresa responsável pelo fabrico deste replicantes chama-se Tyrell Corporation. Após uma revolta, os replicantes são banidos da Terra, passando a ser usados para trabalhos perigosos em colónias espaciais fora do planeta. É neste contexto que os caçadores de replicantes, os Blade Runner, tentam colocar “fora de circulação” os robots “clandestinos e revoltados”. Pelo meio, Rick Deckhard apaixona-se por um android chamado Rachel, interpretado por Sean Young. Tudo isto é passado em pleno século XXI; não esquecer que o conto de Dick é de 1968, ano de estreia de 2001 Odisseia no Espaço. Estará tudo ligado? Não sabemos, mas a situação é, no mínimo, curiosa.

Ridley Scott. Fonte: Indiewire (Foto de Invision/AP/REX/Shutterstock)

Ridley Scott é conhecido não só por Blade Runner, mas também por parte da saga Alien, filme também de culto de terror que explora, tal como Blade Runner, a asfixia negra e decadente de personagens em “perda” do real. Alien veio primeiro, filme de 1979, e acabou por preparar o caminho para Runner, que é de 1982. Se em Alien o terror está concentrado numa criatura alienígena e se propaga pela tripulação de uma nave, num claro ambiente claustrofóbico, em Blade Runner o terror espalha-se um pouco por todo o lado – a diferença é que este terror é feito de forma mais psicológica em vez do “choque de imagens” de Alien.

É esse trabalho psicológico que consegue ser meio caótico, mas sem cair no ridículo. A tentação era grande. E o que dizer dos cenários?  Coisa suja, decadente. Um noir de olho no futuro? Talvez, mas há ali algo de escuro que nos afasta do brio da tecnologia e esse é um grande trunfo a apresentar.

Rutger Hauer. Fonte: Indiewire

O trabalho de atores de Blade Runner é exemplar. Não há muito para criticar. Há até que elogiar o papel de Rutger Hauer na pele do replicante Roy Batty. Uma interpretação que combina a capacidade física do ator com a sua dimensão “psicológica”. É de Hauer a frase mais conhecida do filme: “os momentos perdidos no tempo, como lágrimas na chuva”.

A continuação da história seria feita com um novo filme, mas sem muito a acrescentar ao anterior. Apesar do inegável talento do novo realizador, Denis Villeneuve, Blade Runner 2049 não tem a novidade nem o impacto do primeiro filme de Scott. É pena, porque Villeneuve, homem por trás do majestoso Arrival e do muito bom Sicário, parecia o indicado para pegar em “tamanha empreitada”. Ficamo-nos pelo original, um filme de culto bem mais do que meramente agradável.

Artigo redigido por Luís Carvalho

Artigo revisto por Adriana Alves

Fonte da imagem de destaque: IMDb

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