7ª Arte

Culpado e isso não é pouco

Nem a tentativa de um tour de force de Jake Gyllenhaal salva um filme que é um vazio de substância. É um embaraço gritante e logo quando não era assim tão difícil cumprir os serviços mínimos.

Muito se fala do “glorioso” investimento da Netflix na produção de conteúdos. Se a plataforma de streaming nos trouxe coisas muito bonitas como The Irishman, de Scorsese, ou Roma, de Cuarón, também nos deu grandes embaraços. O Culpado, realizado por Antoine Fuqua, é exemplo de um mau filme. 

Cansa dizer que há tantas ideias boas muito mal aproveitadas? Sim, mas aqui não podemos fugir a essa frase feita. O Culpado é um remake do filme dinamarquês de 2018 que tem o mesmo nome e foi realizado pelo sueco Gustav Moller. O filme retrata uma noite de um polícia numa central de emergência. A personagem de Gyllenhaal irá debater-se com a chamada de uma mulher em pânico, alegadamente raptada pelo seu marido, ao mesmo tempo que enfrenta os seus “demónios internos”, consequência de uma ação policial mal tomada pelo agente. 

A ideia é prometedora, mas o filme dececiona. A maquilhagem é exagerada e pouco útil. Camadas de nada levam o espetador a perceber pouco da evolução do filme e, depois de nos maltratar, ainda nos impinge diálogos que ferem a paciência de qualquer um. 

Antoine Fuqua tenta com Gyllenhaal criar uma faceta semelhante à de Denzel Washington em Um Dia de Treino, filme que deu o Oscar de melhor ator a Denzel. Apesar da boa vontade e do talento de Jake Gyllenhaal, o seu esforço para obter uma boa performance que segure o filme por arames não é suficiente. Mas também não podíamos esperar muito do Fuqua, tendo em conta que os horríveis Assalto à Casa Branca e O Atirador foram responsabilidade do americano de 55 anos.

Lendo a sinopse ficamos agradados com a ideia; vendo o filme a desilusão é grande. O Culpado é um desfile de lugares-comuns; é uma preguiça embaraçosa. No início ainda nos é dada alguma esperança, mas o decorrer é mau e o fim ainda pior. Apetece dizer: “Que valente treta! Que bocejo descomunal”.



Fonte da capa: Tecmundo

Artigo revisto por Andreia Custódio

AUTORIA

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Olá, sou o Luís, tenho 27 anos e nasci em Cascais. Vivo desde, quase sempre, em Sintra e sinto-me um Sintrense de gema.  Adoro cinema - bem, adorar não é a palavra adequada, venerar parece-me um adjetivo mais justo -  e sou também obcecado por política e relações internacionais. Gosto também muito de desporto.