• 7ª Arte

    Rocky: Uma série de murros bem dados?

    É um daqueles filmes que foi quase esmagado pelo sucesso. Deu uma carreira a Stallone, mas fica longe de ser um grande filme. Conta-se que Sylvester Stallone escreveu o guião de Rocky em três dias e meio, depois de ter assistido ao combate entre Ali e Wepner. Mas o que fez Balboa? Tirou Stallone da pobreza, revolucionou o filme de ação ou deu à sociedade americana uma “febre” pelo boxe? É muito jargão. Talvez exagerado. As histórias da cultura pop tendem sempre a resvalar para a mitificação: é o poder das massas. Balboa é um pugilista de Filadélfia bondoso, mas falhado, que vive com poucas oportunidades de vingar no mundo…

  • 7ª Arte

    La Dolce Vita: a festa do vazio

    É um monumento de Fellini. O filme que mais lhe granjeou fama, especialmente em Hollywood. É muito mais do que a cena de Ekberg na Fontana di Trevi – Mastroianni é um monstro na tela. Há quem diga que A Doce Vida, de 1960, é mais autobiográfica do que Oito e Meio, de 1963. Fellini saiu da sua rimini natal. Em Os Inúteis, filme de 1953, a gosto pessoal talvez o seu melhor filme (o que o torna, obrigatoriamente, num dos melhores filmes de sempre), ensaiou Roma em casa – rumou à cidade eterna em 1939, onde trabalhou num jornal satírico da época. É nessa inspiração como jornalista que Fellini…

  • 7ª Arte

    Closer: São estórias de amor

    Um filme interessante de Mike Nichols, mas sem a complexidade narrativa que as personagens lhe pediam. Há um trabalho esforçado dos atores, mas perde-se um pouco na ausência de coesão da estória. Perto Demais (Closer no nome original), baseado na peça do dramaturgo inglês Patrick Marber, que assina o argumento, é um daqueles filmes cheios de potencial. Tem um elenco de luxo: há Julia Roberts, Jude Law, Clive Owen e Natalie Portman. Um realizador, Mike Nichols, que sabe bem tomar conta dos compassos da herança tanto do cinema dito clássico americano como da nova Hollywood dos anos de 1970. Não faltam razões para tornar Perto Demais num grande filme, mas…

  • 7ª Arte

    “Pearl Harbor”: Um Valente Bocejo

    Blockbuster preguiçoso de Michael Bay. Nem é documento histórico, nem melodrama útil, fica-se no meio de algo que nunca chegamos a entender.  Faz, neste mês de dezembro, 79 anos desde o ataque do Japão à base aérea americana de Pearl Harbor, no Havai. Assinalando tal data, consideramos pertinente a análise ao filme Pearl Harbor, de Michael Bay. O ataque por parte do Japão é o principal catalisador para a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial e consequente equilíbrio na balança do conflito. A intenção de Bay ao transpor para a tela tal momento é um clássico da doutrina comercial de Hollywood: pegar num evento definidor dos Estados Unidos da…

  • 7ª Arte

    Era uma vez

    Versão em forma de tributo de uma Hollywood em transição da sua fase clássica para uma nova era mais escura. O “nono” de Tarantino não desilude. O fim é um assombro grande e eloquente. A expectativa em Cannes era a confirmação de um crescendo de antecipação para com a nova obra de Quentin Tarantino. Era uma vez… em Hollywood, promessa há muito enunciada de um cruzamento entre os crimes da trupe Manson (talvez o mais infame dos serial killers americanos, ele próprio figura transcendental do final da década de 1960: os loucos anos dos Beatles, da revolução hippie que Manson ajudou a destruir ou a ida do homem à lua)…

  • 7ª Arte

    Violência de Cimento

    Matteo Garrone filma num tom sóbrio, quase de documentário, a descida ao inferno dos subúrbios napolitanos. Há crime por todo o lado num sítio em que a prisão ou a morgue são rápidos destinos. Baseado no livro de Roberto Saviano com o mesmo nome, Gomorra explora os meandros da máfia napolitana e de várias personagens profundamente realistas. Relata a história de Toto, um jovem de 13 anos que trabalha como mensageiro de um grupo de traficantes de drogas e armas, e de Pasquale, um alfaiate contratado secretamente por chineses para formar trabalhadores no setor do têxtil. Relata também a de Don Ciro, que é responsável por levar dinheiro a famílias…

  • 7ª Arte

    A insustentável beleza humana de um Robot

    Spielberg pegou no projeto de Kubrick e deu ao mundo um dos mais belos filmes da sua cinematografia – uma dança dramática entre a crueldade e o amor humano num mundo cheio de máquinas. Durante mais de 18 anos, Stanley Kubrick pensou e preparou uma estória de um Pinóquio dos tempos modernos –  centrada na luta pela humanização da máquina e na possibilidade de esta ter emoções e contradições que a tornassem num verdadeiro ser humano. O projeto não seria concluído pelo realizador de 20001 Odisseia no espaço, sendo que a sua última obra acabaria por ser De Olhos Bem Fechados (emaranhado de amores do casal sensação da altura Cruise|kidman).…

  • 7ª Arte

    Guardiões do velho Cinema

    Scorsese de volta ao grande cinema depois de um “insonso” Silêncio. Não é a Magnum Opus do velho mestre, mas não deixa de ser um grande filme. A certa altura no Irlandês, Jimmy Hoffa (Al Pacino), um dos homens mais conhecidos da América, ouve-se por momentos que é tão famoso como Elvis, diz a Frank Sheeran (Robert De Niro) que levará a “luta pelo seu sindicato até à morte”, anunciando ali o desenlace final que terá sobre a pistola de Sheeran. A história do envolvimento do sindicato de Hoffa, os Teamsters ligados ao transporte em camiões, com a Máfia, é parte importante do filme, é um regresso de Martin Scorsese…

  • 7ª Arte

    O mito de uma geração

    Nicholas Ray traz-nos um dos maiores filmes americanos de sempre. James Dean sobe ao olimpo da representação numa atuação poética e comovente. Nos resquícios do pós-Guerra, a sociedade americana dos anos de 1950 apelava a um consumo desenfreado. A um estilo de vida capitalista, mas tremendamente puritano nos costumes, impregnado na personagem do pai de James Dean. Fúria de Viver, de 1955, explora esse espírito próprio de uma geração colocada entre os jovens perdidos na grande guerra e os baby boomers dos anos de 1960. É essa geração meio perdida que serve de base para a trama de Nicholas Ray. Jim Stark (James Dean) é o novo miúdo na cidade:…

  • Atualidade

    Nethanyahu forçado a novas eleições em Israel

    Primeiro ministro israelita não conseguiu reunir apoios suficientes para uma coligação. Dissolução do parlamento leva a uma situação inédita de impasse político. Novas Eleições marcadas para 17 de setembro. Depois de esgotar o prazo de 50 dias para negociar uma coligação de governo, o primeiro ministro de Israel, Benjamin Nethanyahu, teve de assumir a derrota. O desfecho das longas negociações não correspondeu ao esperado após as eleições de abril. Nethanyahu foi forçado, pelo eleitorado, a procurar uma solução de direita para governar, mas mostrou-se incapaz de chegar a um amplo acordo de governação. Netanyahu precisava tanto do partido nacionalista, o Israel Nossa Casa, liderado pelo seu antigo aliado Avigdor Lieberman,…