Opinião

Bullying: “uma coisa de crianças”

As diferenças existem, mas é fundamental que haja respeito e educação, para que exista uma relação boa e saudável entre crianças, adolescentes ou adultos. 

Acredito que as diferenças, a exclusão social e o bullying sejam assuntos muito abordados em inúmeros artigos e em diversos debates. Todavia, após um vídeo que começou a circular nas redes sociais, é inevitável discutir o assunto. 

Um rapaz de 13 anos foi atropelado quando tentava atravessar uma estrada nacional, para fugir de um grupo de raparigas que o importunavam. No vídeo, que tem um pouco mais de um minuto, podemos observar uma rapariga a agredir o jovem enquanto este se encolhe e tenta escapar-lhe. O menino atravessa a estrada a correr uma primeira vez, com a agressora atrás, e, quando tenta fazê-lo numa segunda vez, é atropelado. 

Vejamos: o bullying corresponde à prática de atos intencionais de violência física ou psicológica, cometidos por um ou mais agressores contra uma determinada vítima. Estes atos são perfeitamente visíveis no vídeo, mas será que o bullying deve ser perdoável quando é praticado por crianças?

Definitivamente, esta prática não pode ser vista como “uma coisa de crianças” ou como “uma brincadeira”. Quando se é exposto a um ambiente como a escola – onde convivem crianças com culturas diferentes, gostos divergentes e físicos diversos – é possível que, algumas vezes, haja atitudes de estranheza e de questionamento por parte das crianças. Contudo,  é fundamental que haja uma valorização da diversidade na infância, uma vez que o bullying não é uma mera brincadeira. Pelo contrário, é algo que pode ter repercussões negativas tanto no presente como no futuro da criança. 

Foi a partir dos anos 90, após uma pesquisa do psicólogo norueguês Dan Olweus, que começou a haver um profundo estudo relativamente ao bullying, bem como um intenso combate contra o mesmo. A publicação do livro “Bullying at School”, de Olweus, teve uma grande protuberância e, neste contexto, foram criadas campanhas contra esta prática, o que possibilitou a sua diminuição em 50%, em muito pouco tempo.  Os estudos de Olweus proporcionaram também um programa de intervenção anti-bullying que teve como objetivos: o aumento  da consciencialização sobre o problema e a promoção do apoio e proteção às vítimas que sofrem esse tipo de violência. Desde então, algumas soluções foram encontradas. Porém, a verdade é que muitas crianças continuam a praticar estes atos desagradáveis contra outras crianças.

 Uma das principais formas de derrubar as práticas de bullying é a participação ativa das escolas na preparação de professores, tornando-os aptos para identificar o bullying entre os alunos e para traçar estratégias que acabam com estes atos nas escolas. Salienta-se o ambiente escolar, pois é aqui que existe uma maior incidência. Também o empoderamento e a valorização da diversidade são temas fundamentais que podem ser abordados em aula. Por exemplo, a solidariedade, a diversidade, o comportamento ético e o respeito são assuntos que poderiam ser o foco de exercícios ou de trabalhos de grupo. Isto porque a estagnação destas más práticas contra crianças inofensivas tem uma grande influência da educação que é fornecida na infância.

Os adultos (tanto professores, como familiares) devem incentivar ao respeito em todo e qualquer momento. É significativo que sejam criadas campanhas que incentivem as crianças a expor a problemática, bem como palestras para discutir assuntos como o desrespeito, a agressão e o bullying

FONTE: R7

Na realidade, é ainda mais imprescindível que os pais percebam que o bullying não é “uma coisa de crianças” nem “uma brincadeira”. O bullying é algo sério e é com um enorme desgosto que ouvimos notícias sobre um menino ou uma menina que são hospitalizados por terem sido vítimas de bullying.

No vídeo que circulou nas redes sociais, o menino de 13 anos atravessava a estrada de um lado para o outro, com o objetivo de fugir de atos pouco agradáveis, acabando por ser atropelado.

É impossível ficarmos indiferentes quando visualizamos vídeos que retratam crianças a divertir-se enquanto agridem um colega e gozam com ele. Ou, até mesmo, quando vemos pais que afirmam que tudo não passa de uma brincadeira. 

Na verdade, uma educação anti-bullying não deve ser apenas a transmissão de informação de adultos para crianças na escola. Neste sentido, o anti-bullying deve ser um processo responsável por formar tanto crianças, como adultos ou até idosos. Só através de ações coletivas e profundas será possível mudar a forma como agimos com os outros. Deste modo, os pais têm um papel extremamente importante, não só no que diz respeito à transmissão dos ensinamentos corretos às crianças, como também à aplicação desses ensinamentos no seu dia-a-dia.

É desagradável perceber que muitos adultos só têm noção da gravidade do bullying quando este chega ao extremo da situação: quando a vida de uma criança corre risco. Seja devido a atos de violência, seja devido a uma tentativa fracassada de suicídio.

É necessário perceber que a atribuição de alcunhas fere uma criança. As perseguições mexem com o psicológico de uma criança. As ameaças intimidam uma criança. O bullying é um dos maiores causadores de stress infantil,  de depressão, de ansiedade, de suicídio. 

É o “gordo”, é o “estranho”, é o “caixa de óculos”, é o “girafa”. São expressões que afetam uma criança e que, consequentemente, afetam o bem-estar atual e futuro da mesma. É na infância que se tem de explicar às crianças que as diferenças existem e que o desrespeito não é uma solução. O bullying é um assunto das crianças, da escola, dos pais, da sociedade. Isto porque, apesar de ter uma especial incidência em ambientes escolares, o bullying não conhece fronteiras. O bullying é um problema de todos e a educação é a solução. 

Revisto por Beatriz Campos

Fonte da imagem de destaque: Escola da inteligência

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