Caso Valentina: o crime que está a chocar o país

Valentina tinha nove anos. A menina desaparecida em Peniche desde a madrugada do dia 7 de maio foi encontrada sem vida 3 dias depois – na Serra d’el Rei, a mais de 5 km de Atouguia da Baleia. O pai e a madrasta são os principais suspeitos deste homicídio.

Fonte: Diário de Notícias

Os suspeitos autores do crime foram ouvidos em tribunal nesta manhã de terça-feira. Na chegada e saída do tribunal foram alvo de insultos e indignações por inúmeros populares. As medidas de coação foram reveladas nesta quarta-feira: prisão preventiva para ambos. Segundo o Expresso, o pai, Sandro Bernardo, está indiciado pelo “crime de homicídio qualificado, profanação de cadáver e violência doméstica”. A madrasta, Marta Bernardo, está indiciada pelo “crime de homicídio qualificado por omissão e por profanação de cadáver”.

Estas são as medidas mais gravosas pois o resultado preliminar da autopsia à criança apontava para uma morte violenta – lesões na cabeça e indícios de asfixia.

A semana de 11 a 17 de maio começou com os desenvolvimentos deste crime. Segundo Fernando Jordão, coordenador da Polícia Judiciária de Leiria, o progenitor e a madrasta estavam “fortemente indiciados de crimes de homicídio, ocultação de cadáveres, entre outros”. O pai, Márcio, foi intensivamente interrogado pelas autoridades – terá dito que a filha tinha caído acidentalmente durante uma discussão e batido com a cabeça, morrendo de seguida.  A judiciária percebeu de imediato que a sua versão era mentira. Não se tratava de uma morte acidental. 

Nesta sexta-feira, o pai de Valentina foi hospitalizado. Deu entrada no hospital de São José com vários cortes no corpo. O principal suspeito estava em prisão preventiva na zona prisional anexada à PJ.  Sandro Bernardo não corre perigo de vida depois da alegada tentativa de suicídio.

Sónia Fonseca, mãe de Valentina, encontra-se desolada. Sofre o luto da filha que tinha apenas 9 anos de idade. A progenitora perdeu a “sua” Valentina, mas após muito sofrimento e apelos a história teve um desfecho. Agradeceu, numa publicação no Facebook a todos aqueles que, de alguma forma, ajudaram nas buscas.

Fonte: postal.pt

As testemunhas

O irmão de afeto mais velho de Valentina, de 12 anos, é a testemunha-chave deste crime. O menino que é filho da madrasta, Sandra Bernardo, foi ouvido no Tribunal de Leira, na passada segunda-feira.

Em depoimento revelou que viu a irmã a tremer, espumar da boca e depois adormecer. Aflito, terá ligado à mãe que, entretanto, tinha saído com Sandro. O menino já teria ouvido Valentina gritar na casa de banho.

A pequena Valentina esteve cerca de 6 horas morta no sofá, onde o pai e a madrasta a deixaram, depois do progenitor a ter torturado com água a escaldar e pancadas, durante a manhã. Esperaram pela noite para se desfazer do cadáver.

Valentina já tinha fugido

A menina já teria fugido de casa do pai em 2019. Na altura Valentina foi encontrada pela PSP, numa estrada e disse que tinha sentido saudades da mãe e queria ir ter com ela.

A criança foi então sinalizada pela CPCJ – Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, mas na altura não encontraram índices de maus tratos. Não aplicaram medidas de promoção e proteção e arquivaram o caso.

A Família

Os pais de Valentina estavam separados e partilhavam a guarda da filha. Valentina vivia com a mãe, Sónia Fonseca, que estava desempregada no Bombarral. Frequentava o 3º ano da Escola Fernão do Pó.

Segundo o programa Sexta às 9, a menina não teve relação com o pai até aos 8 anos. Foi criada pelo ex-companheiro de Sónia, Nelson Andrade. Valentina era ainda bebé e não tinha qualquer contacto com o pai quando Nelson entrou na vida desta família. Recorda que uma vez a menina saiu de lá com “pulgas, piolhos e nódoas negras – tinha apenas 1 ano e meio quando isto aconteceu.  Sandro Bernardo recusava assumir a filha – só reconheceu a menina quando esta tinha 1 ano.

O ex-companheiro de Sónia revela não perceber por que razão a menina estava no pai. Segundo as primeiras notícias em Portugal quando se conheceu este caso a menina estaria em casa do pai pois a mãe não tinha internet em casa. Outras, indicavam que, com a pandemia, e com Valentina em casa todo o dia, Sónia decidiu mandá-la para o pai para poder trabalhar.

 Ainda não são claras as razões que levou Valentina ao sítio onde iria morrer.

Balões no último adeus

Fonte: TVI

O funeral da pequena Valentina ocorreu na passada segunda-feira no cemitério do Bombarral. Centenas de pessoas despediram-se com balões brancos e cor de rosa, num mistro de grande emoção, entre a tristeza e a raiva.

Devido à pandemia a GNR impediu a presença de pessoas no cemitério reservando apenas a familiares e amigos. Apesar disso as pessoas mantiveram-se sempre próximas das barras de segurança. Quando o carro funerário passou ouviram-se aplausos em rostos cobertos de tristeza e lágrimas.

Artigo revisto por Carolina Cacito

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