• Opinião

    A violência atrás de um ecrã

    Para agredir uma pessoa basta desumanizá-la. A Internet veio facilitar a humilhação e a violência de diversas formas. O mais assustador é que isso pode ter efeitos para a vida toda, porque o que é publicado na Internet fica lá para sempre. A violência no digital tem assumido uma presença cada vez mais forte e tornou-se mais apetecível para o agressor, talvez devido ao facto de este estar protegido por um ecrã e de não ter de ser confrontado pela vítima e pela sua reação. Este cenário oferece ao agressor uma sensação de invencibilidade e é como se houvesse uma queda de barreiras para os limites da violência. Chantagem, violência…

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    Chega de fascismo

    O assunto já não é de hoje. Liderado por André Ventura, o CHEGA foi formalizado pelo Tribunal Constitucional há cerca de 2 anos. Logo foram várias as vozes contra a legalização de um partido aparentemente populista e de ideologia fascista. E por que razões? Antes de mais, importa entender que tanto o populismo como a ideologia fascista se reinventaram. A própria Lei das Organizações Fascistas está desatualizada por essa razão – posição até defendida por constitucionalistas. Hoje, há um fascismo entendido essencialmente como neofascismo. É centrado no patriotismo xenófobo, com ênfase nas políticas de imigração e nas fronteiras – tal como o populismo – e é empenhado na procura de…

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    O antes que se perca

    Os seres humanos tendem a apaixonar-se por memórias. Gostamos de pensar que aquilo de que nos lembramos, eventualmente, vai voltar. Mas nem sempre acontece. E isso não é mau. Melhor, não é sempre mau. Porque há situações e situações. Apesar do facto de não gostar de admitir tal coisa com frequência, nunca fui menina de fechar portas. Gosto de deixar o meu estore entreaberto para ver levemente as luzes à distância. Escusado será dizer que as luzes não iluminam nada quando não está aberto, mas deixa que haja qualquer coisa em que acreditar. E não me deixo ficar pelos estores. Deixo portas encostadas, porque sei que são mais fáceis de…

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    Ser mulher

    Ser mulher nunca foi fácil. Que me perdoem os que acham que aqui vai mais um discurso de vitimização, desta vez vindo de uma rapariga de 19 anos ainda em formação. Não vos vou mentir e dizer que estão totalmente errados. Talvez vos traga, sim, mais um discurso de conscientização, onde o foco são as mulheres e aquilo que passamos diariamente às mãos de uma sociedade intrinsecamente machista.  Terão de concordar comigo quando digo que falar de nós, mulheres, é falar de uma das coisas mais bonitas que alguém lá em cima criou. Todos nós temos mulheres importantes na nossa vida e mulheres por quem daríamos a nossa vida. Reconforta-me…

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    O Benfica é que tem de apostar nos jovens emprestados

    Correm, nesta altura em que a época já vai com um terço, notícias sobre a pouca utilização de muitos dos jogadores emprestados pelo Benfica. Jovens como Tomás Tavares, Florentino, Gedson e Jota estão numa fase da carreira em que precisam de jogar. Vários comentadores de Portugal apontam que se nos clubes em que estes jogadores estão emprestados eles também não jogam, então é porque o problema não é do treinador A, B ou C. Mas se Matheus Nunes, do Sporting, fosse emprestado, alguém apostava nele?! Só se fosse um empréstimo a um clube da nossa Liga. Mas os jogadores emprestados pelo Benfica estão em grandes ligas. Porventura, para os encarnados…

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    A ilusão do eco friendly na indústria alimentar

    Mais-valia, mais·-va·li·a: nome feminino. Segundo a doutrina marxista, é o lucro do qual beneficiam os capitalistas e que é constituído pela diferença entre o valor dos bens produzidos pelos trabalhadores e os salários recebidos por estes.  O tema que uso como início para este não-tão-saboroso artigo é empregue por Karl Marx, de forma a simplificar o conceito de “lucro”. Dado que pretendemos abordar três polos, entre eles o capitalismo, seria indispensável uma menção ao seu grande opositor.  Num passar de olhos pelas redes sociais, reparei, por entre o conteúdo menos relevante, num assunto que se encontrava momentaneamente na berra. Já sabemos que, dentro do grupo de cyber-revolucionários – hashtag Marisa…

  • Opinião

    Natal em tempo de pandemia: A suprema tragédia do século

    Complexos. Não me ocorre outra palavra para descrever aquilo que foram os últimos meses. O culminar de um ano com consequências brutais e nefastas para todos os cidadãos do mundo merecia certamente uma palavra melhor para o caracterizar. Julgo que nenhum de nós conseguiria retratá-lo sem que se fizesse uma introspeção profunda sobre os impactos causados. No entanto, no momento em que um vírus arrasou a humanidade, deixámos de poder ser individualistas e de nos centrarmos apenas no nosso próprio sofrimento.  A suprema tragédia do século. Com audácia e astúcia, entrou de rompante e sem modos para ficar. A única catástrofe que nos permite representá-la de forma ambígua, pois nunca…

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    YouTube: Ying Yang

    O YouTube sempre foi uma plataforma que me fascinou imenso. Está tudo lá: desde música a como montar um motor passo-a-passo. Tudo à frente dos nossos olhos. O vídeo está muito rápido? Reduzo a velocidade. Está em chinês? Ativo as legendas. É só preciso pesquisar umas palavras e lá está tudo aquilo que quero. Quem é que nunca procurou no YouTube pela letra da música cujo nome não sabia e logo a encontrou?  Simples e rápido. É a melhor maneira que tenho para descrever esta plataforma que está aberta a todos e permite que muitos tenham um lugar para se expressar e mostrar muitos talentos que de outra maneira não…

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    Educação ambiental: a arma para mudar o mundo

    Problemas ambientais. As pessoas podem ignorar, mas esta realidade não pode ser negada. Uma grande parte da população não entende ainda a forma como os seus comportamentos podem afetar o planeta. Estamos tão preocupados com o nosso umbigo que não fazemos nada a respeito disso. Qual é o objetivo de lutarmos contra o racismo, a violência, a intolerância e a desigualdade, se no futuro nada disto importará, dado que não lutámos pelo meio ambiente? Vamos acabar por ser todos igualmente extintos. É necessário educar, no sentido de tornar os cidadãos mais atentos aos problemas que afetam o mundo. Só assim será possível garantir as gerações futuras. A degradação do meio…

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    Reler e Revisitar maio de 68

    Para um estudante universitário de 20 anos de idade ter sido participante ativo nas revoltas de maio de 1968, em França, há de ter nascido algures em 1948, o que lhe confere a idade de 72 anos no dia de hoje, caso se encontre vivo. Ao passo que um estudante universitário de hoje deverá ter nascido algures em 2000 para agora ter a idade do primeiro, aquando dos famosos e marcantes protestos. Em que medida é que isto é significativo? No estranho sentimento que os estudantes de hoje me provocam. Os revoltosos de 68 insurgiram-se pela liberdade individual e pela libertação dos dogmas conservadores, sob o lema “é proibido proibir“.…