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“Control Z”: E se um hacker revelasse todos os teus segredos?

Estreada a 22 de maio de 2020, Control Z é uma das mais recentes produções mexicanas produzidas pela Netflix. Protagonizada por Ana Valerio Becerra (Sofía), Michael Ronda (Javier) e Yankel Stevan (Raúl), esta série desenrola-se em torno de um hacker que invade a privacidade de todos os estudantes do Colégio Nacional, revelando segredos bombásticos que comprometem as suas vidas. Este grupo de adolescentes vê, assim, toda a sua intimidade a ser exposta na Internet por alguém cuja identidade não é conhecida, que está no meio deles e que, por isso, todos passam a ser suspeitos.

Tudo começa durante uma apresentação escolar, em que Isabela é a primeira vítima e todos descobrem que ela é transsexual, deixando-a completamente embaraçada e desconfortável pelos comentários e olhares de todos.

Com o expose de todas as informações que estão guardadas nos telemóveis e redes sociais de cada um, os alunos começam a ser alvo de chantagem por parte do hacker que os obriga a fazer várias coisas para os colegas se prejudicarem uns aos outros.

Fonte: Adorocinema

Depois disso, Sofia, uma jovem antissocial, introvertida, observadora e que passa o tempo a ouvir música, começa a investigar quem está por detrás das chocantes revelações que assombram a vida de todos. Javier, um aluno recém-chegado na escola, ajuda Sofia a descobrir quem é o hacker e, ao longo da primeira temporada, os dois começam a nutrir alguns sentimentos um pelo outro. À medida que o hacker revela mais informações pessoais sobre os alunos, Sofia apressa-se para encontrar o inimigo, antes que este descubra os seus mais íntimos segredos, recolhendo várias pistas que são deixadas e que a levam por uma busca que se pode tornar perigosa.

Fonte: Netflix

Esta série, criada por Carlos Quintanilla, aborda temas bastante importantes como o perigo das redes sociais, o bullying e a transfobia. O tema dominante é, sem dúvida, o perigo de expormos as nossas informações pessoais por todo o lado, já que quando colocamos uma foto nas redes sociais ou mandamos uma mensagem a alguém temos de ter a noção de que essas informações deixam de ser privadas e passam a pertencer à Internet. Todas as informações recolhidas pelo hacker cuja identidade é revelada nos episódios finais da primeira temporada, bem como a maneira como conseguiu aceder às informações de todos, estavam espalhadas pela Internet e, portanto, foi fácil aceder aos telemóveis que estavam ligados ao Wi-Fi da escola e descobrir, em segundos, milhões de informações.

Fonte: Youtube

Como já referi, a transsexualidade também é um dos assuntos referidos na série, nomeadamente com a personagem de Zión Moreno (Isabela), que revela ter escondido que mudou de sexo pelo facto de ter medo do julgamento e dos olhares dos outros, como pelas constantes humilhações e preconceito associados às pessoas LGBTQI+. Portanto, esta personagem representa a luta de milhões de pessoas que, todos os dias, combatem o preconceito para assumir a sua verdadeira identidade, indo de encontro a uma sociedade machista e preconceituosa, onde as pessoas transsexuais ainda não têm, infelizmente, muita voz para se afirmarem, em pleno século XXI.

Apesar de ser uma boa história, com ganchos que nos prendem ao ecrã durante os oito episódios, esta série acaba por retratar de forma muito superficial questões deveras importantes na nossa sociedade, como a saúde mental na idade da adolescência, já que Sofia ficou transtornada com a morte do seu pai e recorria à automutilação, tendo que ser internada numa clínica psiquiátrica. Com uma segunda temporada já confirmada, pode ser que “Control Z” abra os seus horizontes e, de uma maneira mais aprofundada, aborde questões pertinentes, mostrando-nos como as personagens lidam com as suas várias fragilidades e problemas, tornando-se no reflexo das pessoas que assistem a série e se identificam com as personagens.

Artigo revisto por Inês Pinto

Fonte da foto de capa: Netflix

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