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Da dor à aceitação: “Rótulo” é o primeiro longa-duração de Óscar Correia 

Depois do cartão de visita deixado no final de 2025 com o EP Laranja e de singles como Outra Fase e Anda Aí, Óscar Correia dá agora um novo passo no seu percurso artístico com “Rótulo”, o seu primeiro longa-duração. 

Editado a 29 de maio, “Rótulo” reúne muitas das reflexões que têm marcado a escrita do artista nos últimos tempos, cruzando memórias e experiências pessoais num conjunto de canções ligadas ao quotidiano. O disco surge na sequência de uma exposição fotográfica homónima.

Mais do que um exercício de confissão, “Rótulo” mostra um compositor atento aos detalhes. Há espaço para falar de romances falhados, dos efeitos secundários do amor e da forma como a rotina pode desgastar aquilo que antes parecia luminoso. São canções que partem do particular, mas que facilmente encontram eco em experiências comuns.

Fonte: Óscar Correia

São nove as faixas que compõe este disco, que percorre um caminho de autoconhecimento entre a dor e a aceitação, com a guitarra a servir de fio condutor logo desde a Intro”.

Fonte: Óscar Correia

Lisboa atravessa algumas das canções de “Rótulo”, não como postal ilustrado, mas como espaço vivido.

Em Cais”, entre “romances falhados”, ruas com “amor bonito e algum degredo” e regressos a casa ao nascer do dia, a cidade torna-se testemunho das experiências que moldam o crescimento pessoal do narrador.

Em O Teu Amor”, este registo mantém-se num movimento constante de procura e deriva, “Bora p’ró o cais / Para onde vais? / Não há certeza”

A completar o alinhamento temos ainda Melhor assim”, a nostálgica Rolo analógico”, Luz”, Ser humano” e Pensar menos”.

“Rótulo” encerra com Uma Casa e Um Jardim”, num crescendo de guitarras e bateria, como uma libertação prestes a acontecer, mas nunca totalmente concretizada, voltando a abrandar até desaparecer, deixando a sensação de que tudo o que foi dito acaba por se dissolver no silêncio.

Neste disco, o compositor lisboeta assume o papel de produtor, deixando apenas “Cais” e “Ser Humano” nas mãos de Sérgio Pereira, que assina ainda a masterização.

Paralelamente, Óscar integra a banda Parquê, onde assume as teclas e é a voz, e faz também parte do projeto comunitário Manta de Retalhos, ligado à criação coletiva e direção artística.

Óscar Correia apresenta um primeiro longa-duração sólido, ainda em afirmação, mas com identidade bem definida no panorama rock e indie rock nacional. 

Com “Rótulo” já cá fora, o próximo passo será levar estas canções a palco. As novidades estão para breve e podem ser acompanhadas através do Instagram do músico. Até lá, podem ouvi-lo nas principais plataformas – Spotify, Apple Music e Youtube

Fonte da Capa: Óscar Correia

Artigo revisto por Mariana Ranha

AUTORIA

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A Beatriz não vive sem música e tem uma playlist para todas as ocasiões. Entrou na Magazine para escrever sobre quem mais gosta de ouvir e para aperfeiçoar a sua escrita e a dos outros em Correção Linguística. Sem dar por isso, a Magazine tornou-se muito mais do que o lugar onde apenas escrevia. Um ano depois de entrar, tornou-se Editora de Música e, no seguinte, Vice-Diretora.
Ao longo de três anos, escreveu muito, aprendeu ainda mais e colecionou experiências que vão muito além dos artigos publicados. Despede-se da Magazine com a certeza de que esta foi uma viagem muito bonita. Quanto ao resto, basta dizer que se houver música a tocar há uma boa hipótese de estar por perto.