Opinião

Dia da Saúde Mental: a influência da sociabilidade

No dia 10 de outubro celebra-se internacionalmente o Dia Mundial da Saúde Mental. Este dá lugar à conscientização e à educação sobre um tema que já foi considerado um estigma da sociedade. Hoje em dia, há mais investimento e sobretudo maior acesso aos serviços de cuidados da saúde global. Todos eles se inserem no contexto social.

O campo da saúde abrange também o campo da integridade física. Porém, é o psicológico que possibilita o físico, pois o poder da mente influencia o nosso corpo. É graças à neurologia, à psicologia e à sociologia que entendemos cada vez melhor a natureza do núcleo do Homem e a sua imprescindível interdependência com o contacto social.

Nascemos no útero de outro ser, e a ligação de dependência que desenvolvemos com esse é tão significante como a sociabilidade é para o nosso bem-estar. O primeiro abrir dos olhos de um recém-nascido é suficiente para entender que neste mundo não se vive só. Na presença do desconhecido, o colo e as vozes dos enfermeiros e dos visitantes permitem que o bebé se aperceba de que não se encontra isolado.

Fonte: DN Life

Todavia, solidão não é estar sozinho. Estar sozinho é uma situação positiva. É desse modo que aprendemos a gerir a nossa autonomia e a desenvolver o amor-próprio.

Por outro lado, a solidão é um sentimento negativo, apesar do filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980) a considerar uma parte fundamental da condição humana. Esta surge quando o indivíduo sente uma sensação de vazio profundo, ou quando há uma discrepância entre o desejo de contacto social e aquele que realmente se tem. É a partir dessa solidão que se manifesta a busca pelo novo estímulo. Quando esse não aparece, o indivíduo fica sujeito a um distúrbio mental, como a ansiedade e a depressão.

É através da socialização que esses transtornos psicoemocionais, que afetam a rotina diária, se resolvem. Desde a terapia à integração social, o Homem procura compreensão e afeto. É essencial existir, já na infância, uma ausência de opressão nas relações de parentesco e amizade, de forma a dar lugar à autodeterminação pessoal. Uma mãe que nos ensina a interiorizar a presença na sua ausência é um exemplo que leva um indivíduo a desenvolver a competência de estar sozinho, sem se sentir solitário. Cuidar da mente é cuidar da vida, e toda a forma de vida passa pela comunicação.

A comunicação é um processo cultural, não inato, que se foi desenvolvendo ao longo das gerações. É o processo social primário, porque é nele que a socialização se fundamenta. É graças ao ato comunicativo que o Homem consegue trocar informações e expressar-se por meio de signos semióticos mutuamente entendíveis. Por meio da comunicação não verbal, o ser humano explicita o seu isolamento. Por meio da comunicação verbal, este expressa os seus sentimentos e permite ao destinatário – seja ele um familiar, amigo ou profissional de saúde – entendê-lo de modo a ajudá-lo.

Para além da ajuda externa, é com seriedade que se deve encarar a meditação. Na serenidade, o Homem consegue observar os seus problemas na percepção do observador, evitando assim a dramatização e desenvolvendo planos de ação. Meditar, individualmente ou em grupo, ensina-nos a focar-nos no presente.

Em síntese, se cuidarmos bem da nossa mente, cuidamos bem dos outros. Quando nos valorizamos a nós próprios, damos mais valor aos nossos relacionamentos e esforçamo-nos tanto a nível profissional como pessoal. Mens sana in corpore sano

Fonte da imagem de destaque: RawPixel

Artigo revisto por Inês Pinto

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *