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Ending Again: Uma boa construção para quando o tempo escasseia

O estado de exaustão é bem conhecido pelos estudantes universitários no início dos anos civis. Este traduz-se em finais do semestre, cheios de entregas que nos pareciam demasiado longínquas até que se tornam em trabalhos intermináveis. Para esta juventude e para todos os outros sujeitos que não tenham tempo, paciência ou cabeça para séries de vinte temporadas com quarenta episódios cada, trago-vos “Ending Again”. Vá, talvez deva acrescentar aqui o target de romance, algo que pelo título já seria expectável.

Em 12 episódios que somam três horas e treze minutos, o drama coreano conta-nos a história de Cha In-Young (interpretada por Jo Soo-min), uma estudante universitária no final do seu percurso académico e estagiária numa empresa de arte. De Yoon-soo (interpretado por Kim Geon-Won), que abandonou a faculdade por alguma razão e retorna, com mágoas que não desvendo. O ex-namorado, Yoo Chan-hee (interpretado por Kang Hui), que depois de um intercâmbio volta como pintor, Rezzo. E por último, mas muito relevante, Go So-hye (interpretado por Kim Min-a) – a melhor amiga de In-Young e a personagem mais hilariante desta série: as suas paixões foram encontradas na igreja, na universidade, no café e na rua, da forma mais inusitada.

Fonte: Playlist

Explico a quem seja meu leitor de primeira viagem: a apresentação óbvia e lamechas é uma parte indispensável para desconstruir uma história que é muito mais do que isso. In-Young está no seu processo de reconstrução depois de uma relação de oito anos, enquanto procura arranjar forma de pagar as propinas e o aluguer da casa, o que pode não ser fácil apenas com o rendimento do estágio. Quando o dinheiro escasseia, vê num casamento contratual a solução para poder pedir um empréstimo.

Chan Hee, que volta como um artista em lançamento, mas conceituado, traz consigo o arrependimento de uma relação findada. Mas sem este fim, não seria uma série que traz tantas reflexões.

Os rumores construídos em volta de Yoon-soo levam-no a ser uma pessoa apática e aparentemente desligada. Num cruzar de caminhos, acaba por se tornar uma parte essencial para esta história. A personagem comete o erro de esconder algo por demasiado tempo, mas, neste caso, eles estavam os dois a usar-se com uma finalidade. Não atribuímos culpas.

Artes exibidas durante a série, apresentadas como tendo a autoria de Rezzo. Fonte: Playlist

Viajar por finais de relação (dos outros) é sempre enriquecedor. Pode parecer uma afirmação sádica, é verdade, mas uma vez ouvi: “temos de aprender com os erros dos outros”. E eu falho bastante para dar o exemplo ao próximo. E a In-Young também.

Desconstruir um amor pode parecer uma tarefa fácil, mas relembro que analisamos uma série com pouco mais de três horas. Nos seus pequenos episódios, através de pequenos flashbacks, conhecemos a relação de In-Young e Chan-hee. Vemo-la a ser desmanchada durante os seus oito anos: vemos o artista a afastar-se aos poucos e a protagonista a senti-lo, mesmo que em negação, mas também compreendemos o que a mantém ligada às memórias.

Largar o apoio e a companhia de alguém que esteve sempre lá pode ser moroso e demorado. Mas o web-drama consegue passar a mensagem na quantidade certa e ideal, para nos fazer compreender um amor antigo e uma nova mensagem: crescer a partir do ocorrido e reconstruir um eu, perceber que, mesmo que os finais sejam um dado quase adquirido, a única forma de colmatar a dor é viver cada momento e aproveitando cada gota de incerteza.

Artigo revisto por Constança Lopes

Fonte da foto de capa: Playlist

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