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    Record of Youth: até onde devemos perseguir um sonho

    Acho que “querer crescer” é algo que está constantemente na nossa cabeça até alcançarmos uma determinada idade. Queremos a liberdade, a vida e as experiências dos “crescidos”. Eventualmente, alcançamos essa idade e somos “crescidos” – e isso torna as coisas menos engraçadas. Record of Youth é uma das estreias de novembro da Netflix Portugal. Na série Coreana, Sa Hye-jun – Park Bo-gum no seu último papel, antes de partir para os seus dois anos de serviço militar obrigatório – é um aspirante a ator que, além de fazer trabalhos enquanto modelo, tem diversos part-time. Vindo de uma família humilde, não se pode dar ao luxo de se focar apenas em…

  • Opinião

    Quando vai e não volta

    Esta podia ser uma crónica sobre o tempo e como ele está constantemente a avançar. Mas como dizia o anúncio: “poder, podia, mas não era a mesma coisa”. Deixo os dilemas do tempo para a próxima. Também não escrevo sobre finais de relações. Quer dizer, até escrevo. Porque hoje faço um ensaio empírico sobre unilateralidade e pastilhas elásticas que já deviam estar no lixo.  Eu achava que esta palavra não existia e tinha sido criada por mim. No entanto, o Priberam diz que a unilateralidade é a “qualidade do que é unilateral”. O que não é nada esclarecedor, por isso, para os mais desligados, unilateral – ainda segundo a classificação jurídica dada pelo Priberam…

  • Opinião

    Entrar no mar

    Perder o medo é um processo gradual. Posso dizer-vos que normalmente sou uma mariquinhas de plantão. Deixo mares de coisas por fazer por ter medo de tentar. Seja porque acho que me vai doer ou porque penso que talvez não seja tão boa ideia quanto parece na minha cabeça. Recentemente, comecei a perceber que perder o medo é como entrar no mar: inicialmente, a água parece demasiado fria. Claro que depois há sempre duas soluções óbvias: ou nos atiramos e entramos na água naquela corridita de quem sabe claramente que vai custar, mas vai valer a pena, ou tentamos entrar pé ante pé. A verdade é que, quando partimos para…

  • Opinião

    Socorro! Fui eclipsada! E agora?

    Como já devem (ou deveriam) ter compreendido, não sou uma pessoa que se cala com peculiar facilidade. Às vezes, sou todo um oceano de honestidade e contestação. Por consequência deste comportamento (relativamente impulsivo), tenho-me deparado várias vezes com uma prática: o eclipsamento. “O que é isso, Mariana?”, pergunta o Carlos e todas as pessoas que não conhecem a pessoa que inseriu este termo no meu dicionário. Eu explico. Eclipsamento é a prática de retirar (nada) discretamente uma pessoa de um determinado grupo de amigos sem que esta se aperceba até ter acontecido. É muito chato. Aconteceu-me umas três vezes e duas delas foram no último ano. A vez sobrante foi…

  • Opinião

    A importância de dar um nome às coisas

    Eu juro que me esforço para ficar calada. Não consigo mesmo. Se há uns dias escrevia um artigo sem nome, hoje tinha de escrever um que falasse sobre a importância de chamar as coisas pelo nome.  Um artigo que expusesse todos os problemas que existem nesta sociedade e aumentam o fosso social tomar-me-ia demasiado tempo e, provavelmente, não expunha uma milésima do que realmente se passa neste mundo. Por isso, vou falar pouco sobre aquilo que vejo, oiço, leio e me preocupa muito. Compreendo que todos passemos por um período de negação sobre seja o que for. Claro que é mais fácil travar uma luta que nos toque diretamente. Sim,…

  • Opinião

    Problemas maiores, Carlos?

    Claro que eu não discordo totalmente do ponto fulcral. Há problemas maiores. Haver pessoas a morrer é pior do que eu não ter conseguido celebrar os meus 20 anos, claro que é. O que são meia dúzia de planos meus cancelados comparados com pessoas a perder a vida? São um grandessíssimo zero.  Mas, num mundo sem covid-19, se tivesse de cancelar planos que me eram queridos, fosse por que motivo fosse, isso afetava-me. E morriam pessoas na mesma. Aliás, morriam e morrem milhares de crianças subnutridas todos os dias, para não falar sobre o trabalho escravo, muitas vezes infantil, para fazer aquela blusa gira da Zara. Antes também eram coisas…

  • Opinião

    Pela liberdade, um artigo sem rosto

    Escrevo este artigo por medo. Porque acredito que se as coisas continuarem a seguir o rumo que estão a seguir talvez não possa manifestar este tipo de opinião daqui a alguns anos. Acredito que qualquer um que se debruce sobre o mesmo assunto consegue chegar à mesma conclusão. Mas agora vou guiar-te pela minha cabeça. Não vou usar a persona do Carlos. Ou qualquer outra. Este vai ser o meu monologo para ti. Que lês isto através de um ecrã. Em casa, num transporte, no trabalho ou numa aula. Bem, aulas agora só à distância, mas isso nem é o mais importante.  Proponho que comecemos pela história, pode ser? Sou…

  • Opinião

    Flores e mais flores

    Dia 8 de março. Dia que simboliza a emancipação da mulher. As redes sociais repletas de mensagens bonitas com purpurinas digitais.  Durante este dia magnífico todas as mulheres recebem a benção de ter direito ao dobro da consideração. De repente todos os seres têm alguém para homenagear: a avó, a mãe, a mulher, a filha, a enteada. Todas têm direito a gerbera. Esta é a flor que eu associo a este dia, apesar de normalmente receber uma rosa. Distrações à parte, falemos da mensagem por detrás das gerberas: felicidade, energia positiva, beleza, amor, nobreza. Significados que, na verdade, são milhares e variam consoante a cultura – sim, porque na verdade…