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Entrevista: Les Crazy Coconuts Dão Corda Aos Sapatos

Diz-se que três foi a conta que Deus fez. E que bela conta.

Les Crazy Coconuts são Adriana Jaulino, Gil Jerónimo e Tiago Domingues. Vêm de Leiria e unem, nos seus temas, o rock e uma sonoridade electrónica a algo inédito: o sapateado. O seu álbum de estreia, homónimo, foi editado no passado dia 23 de Outubro e a ESCS MAGAZINE teve o prazer de os entrevistar, junto à loja de discos Louie Louie, para saber um pouco mais sobre a banda e o seu mais recente trabalho.

Os Les Crazy Coconuts respondem à ESCS MAGAZINE:

Como surgiu a ideia de unir o sapateado a outros instrumentos?
Adriana Jaulino: Como é que foi Tiago?
Tiago Domingues: A ideia surgiu assim: a Adriana encontrou-me no Paredes de Coura, nós já nos conhecíamos… e ela virou-se para mim e disse – “olha, vamos formar uma banda: eu sapateado e tu bateria”. Depois experimentámos, chamámos o Gil e foi assim.
AJ: Ele disse logo que sim. É que nem pestanejou. (risos)

Pelo que li, a ideia surgiu no Festival Paredes de Coura. Anos depois, já passaram por vários festivais. Qual é a sensação?
AJ: Às vezes nem tenho noção se aconteceu mesmo, mas… é altamente!
Gil Jerónimo: É bom ver que passados três anos estamos a passar nos festivais…
AJ: E sem álbum editado na altura – o que é mais fantástico ainda. Normalmente vão sempre lá com CD’s e nós não tínhamos nada.

Como é que surgiu o nome “Les Crazy Coconuts”?
AJ: Acho que foi uma miúda muito gira que inventou esse nome… (risos) Não, foi mesmo ao calhas. Foi o primeiro nome que me veio à cabeça. Tinha de se chamar alguma coisa… Entretanto andámos à procura de mais nomes mas nada soava tão bem.
GJ:Depois de mil nomes…
AJ: Não sei, aquele (Les Crazy Coconuts) ficava no ouvido.

Sentem que já havia alguma expectativa em torno do álbum? Houve muita gente a perguntar-vos quando saía?
AJ: Eu acho que há muita gente curiosa para ver como é que o sapateado vai funcionar gravado e misturado com as músicas.
GJ: Eu acho que sim, acho que há muita gente que está expectante. Nós acabámos por fazer um bocado de produção para ligar mais o sapateado à componente visual em concerto e não tanto no álbum. Estamos com algumas expectativas de que vamos ter mais projecção, quando o álbum sair.
AJ: O trabalho que está no álbum e o trabalho ao vivo acabam por ser duas coisas diferentes.
GJ: O álbum não tem a parte visual.

O que podemos esperar do álbum?
AJ: Eu cho que tem músicas que ficam na cabeça.
TD: E que vão funcionar.
GJ: Acho que o álbum acaba por não ser um conjunto de canções avulsas. Acaba por ser uma homenagem aos anos dourados da rádio e ao sapateado. Não é um conjunto de canções – tem todo um seguimento.
AJ: Sim, quisemos criar um conceito para unificar as músicas. Quisemos criar uma linha de continuidade em todo o álbum.

E de vocês, o que podemos esperar?
AJ: Animação, festa… deles (Gil e Tiago) não espero nada. Não esperem nada, esperem só de mim. (Risos) Não, estou a brincar… é difícil. Não esperem dinheiro que não o vamos dar. (Risos).

Se pudessem escolher uma música do álbum que melhor vos definisse musicalmente, qual seria?
GJ: Eu escolhia Sailormoon. Era uma música que antes de gravar o álbum não me dizia muito. Gosto dela, é óbvio, mas depois de ouvir a gravação e de ouvir como está no álbum tornou-se numa música bastante épica. Tem uma mensagem muito especial, muito pessoal pela própria letra.
TD: Speedshoes. Gosto do andamento da música. Como sou da parte rítmica gosto do que faço na música e acho que tem um poder. É alegre, gosto dela.
AJ: Eu escolhia a Myself. Gosto muito daquela música. E escolhia a Define porque também gosto mesmo muito. Se calhar escolhia todas, não dá para escolher só uma. Não dá para escolher todas? (risos)

Que tipo de sonoridades influenciaram a vossa?
AJ: Eu acho que é tudo. Tudo o que fique na cabeça, que nos deixe a cantarolar, que seja electrónico… seja rock, seja pop. Não somos esquisitos.
GJ: Podemos ir ao rock dos anos 50/60, podemos ir ao pop dos Duran Duran – como alguém me disse.
AJ: O que vocês quiserem, nós somos.

Agora, uma pergunta bónus: Como é fazer parte da nova geração de músicos leirienses?
TD: É ótimo. Sentes-te bem. Há um grupo entre as bandas. E temos a sorte de ter o Hugo Ferreira connosco a ajudar as bandas todas.
AJ: É mesmo uma família. Queremos que todos nós tenhamos sucesso e sempre que podemos ajudamo-nos uns aos outros. Muitas vezes pedem-nos para escolher uma banda nacional… mas nós gostamos mesmo do que se faz em Leiria.
GJ: Acabamos por ser nós a representar a nossa cidade.
AJ: Se temos lá coisas boas, porque é que não escolhemos o que temos lá em casa?

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