Eurovisão 2019: de Lisboa para Telavive

O Festival da Eurovisão da Canção decorre todos os anos no país vencedor da edição do ano anterior. Em 2018 tivemo-lo em Lisboa. Este ano passou para Telavive, com a vitória de Netta, graças à música ‘Toy’.

Contou com a participação de 41 países – menos dois que no ano passado, pois a Ucrânia e a Bulgária decidiram não participar.

A final decorreu dia 18 e as semi-finais nos dias 14 e 16 de maio. O Conan Osíris representou Portugal na primeira, com uma das músicas mais faladas dos últimos tempos: ‘Telemóveis’, ficando em 15º, com 43 pontos do televoto e oito do júri.

Várias queixas foram apresentadas pelo facto de, em alguns países, como França, Espanha e Israel, imensas pessoas não conseguirem votar em ‘Telemóveis’, recebendo uma mensagem de resposta com a palavra ‘ERROR’. A delegação portuguesa apresentou a situação à EBU, mas esta alegou que nada de estranho teria ocorrido.

Passando agora às músicas a concurso, analiso então o Top 10:

10 – Islândia
       Harati – Hatrið mun sigra (O ódio prevalecerá)

Esta foi a primeira canção na Eurovisão cuja palavra ‘ódio’ se encontra no título. É uma canção dark electro que critica a Europa dos dias de hoje, fazendo passar a mensagem de que se nada fizermos e se não nos unirmos, o ódio prevalecerá.
O grupo está envolvido numa polémica pela qual o país será punido. Mostraram, em direto, durante o anúncio dos votos, bandeiras e cachecóis com a bandeira e o nome da Palestina.

9 – Austrália

     Kate Miller-Heidke – Zero Gravity (Gravidade Zero)

Zero Gravity expressa o sentimento de libertação de algo que nos prende e que não nos deixa ser quem somos, ou que não nos deixa fazer aquilo que tanto desejamos. Após a sua apresentação na segunda semi-final, passou a ser uma das grandes favoritas devido às notas altas e afinadas da cantora australiana e ao staging exagerado, mas bonito e adequado.

8 – Azerbeijão

     Chingiz – Truth (Verdade)

Uma canção dance-pop sobre um relacionamento tóxico do qual o homem não se quer desfazer, não querendo saber a verdade. É marcada pelo registo vocal de Chingiz e pelo staging, onde estão presentes dois robôs a remendar e a analisar o coração do cantor, projetado em LED’s.

7 – Macedónia do Norte

     Tamara Todevska – Proud (Orgulhosa)

A Macedónia do Norte disse New Year, New Me. Começou por alterar o nome do seu país de F.Y.R. Macedónia para Macedónia do Norte e trouxe uma canção poderosa sobre amor próprio, abandonando o registo pop e dance que tinha levado nos últimos anos. É um hino feminista, LGBT, igualitário e que apoia a ideia da emigração. Surpreendeu todos os espetadores, tendo ficado em 1º lugar na votação do júri, mas caído para 7º lugar por conta do televoto. Contudo, foi a melhor posição que o país alguma vez conseguiu obter no Festival, tendo apenas conseguido anteriormente, em 2006, um 12º lugar.

6 – Noruega

     KEiiNO – Spirit in the Sky (Espírito no Céu)

O televoto não só ajuda as canções a descer como também as ajuda a subir, e este é um desses casos. Spirit in the Sky estava em 18º lugar, até que, com a ajuda do público, subiu 12 posições, sendo a canção mais votada pelo mesmo. Retrata o facto de que, mesmo que sejamos julgados e renegados, existem sempre chances de alcançarmos os nossos objetivos, tal como aconteceu com cada um integrantes do grupo.

5 – Suécia

      John Lundvik – Too Late for Love (Tarde Demais para o Amor)

Segundo lugar na votação do júri e, tal como aconteceu com a Macedónia do Norte, caiu do pódio por conta do televoto. John Lundvik é londrino, mas vive na cidade sueca Växjö.
Exprime o amor não correspondido de alguém através de versos que parecem uma declaração amorosa. Para além desta, compôs ainda a música britânica que se classificou em último lugar.

4 – Suíça

     Luca Hänni – She Got Me (Ela faz-me)

A Suíça, inspirada no icónico Fuego de Eleni Foureira, do Chipre, da última edição, decidiu levar a concurso uma das canções mais energéticas e pop, que põe toda a gente a dançar. Tem uma letra genérica, sobre um rapaz que fala de uma rapariga que avista no bar e na qual se interessa, com uma coreografia espetacular e contagiante.

3 – Rússia

     Sergey Lazarev – Scream (Gritam)

Mais um repetente na Eurovisão e um dos artistas mais queridos do público. Sergey Lazarev traz ao palco de Telavive uma narrativa onde relata que as lágrimas, por mais pequenas e silenciosas que sejam, são dolorosas e gritam, levando-nos muitas vezes a ficar sem ar. No videoclipe representa-se a si mesmo em criança, quando o medo estava mais presente nele.

2 – Itália

     Mahmood – Soldi (Dinheiro)

Uma das canções mais sinceras e pessoais desta edição. Mahmood critica o próprio pai por não ter desempenhado esse mesmo papel da melhor forma, tendo sido traído pelo mesmo. É egípcio, e a sua mãe é italiana. Por isso, canta dois versos em árabe para interpretar o que o seu pai lhe dizia: “Meu filho, meu filho, querido, vem aqui”, algo que lhe parecia tão real.

1 – Holanda

     Duncan Laurence – Arcade (Salão de Jogos)

Terceiro lugar na votação do júri, segundo lugar na votação do público. O cantor holandês conquistou o troféu apenas com um piano e uma bola de luz em palco. A música já era a favorita à vitória desde que a versão de estúdio foi lançada. É também uma canção pessoal, onde Duncan fala sobre o seu vício num jogo que já estava perdido – a sua relação amorosa.

Menções honrosas

Malta

Michela – Chameleon (Camaleão)

A intérprete maltesa é uma das mais novas da competição, com 18 anos, e acabada de sair vencedora do Fator X do seu país. A canção é jovem, pop e fresca. Fala sobre empoderamento pessoal, através de um tom suave.

Eslovénia

Zala Kralj & Gašper Šantl – Sebi (Para ti mesmo)

Esta canção é a mais irreverente – não por ser excêntrica, mas, pelo contrário, por ser tão simples, tanto em termos de staging como em termos de suavidade musical. Diz-nos para sermos nós mesmos e para não nos desculparmos, a menos que seja necessário. Transporta-nos para outra dimensão, deixando-nos completamente relaxados.

Albânia

Jonida Maliqi – Ktheju tokës (Retornai à terra)

Esta é uma balada tradicional, que nos relembra automaticamente dos países Bálticos. A sua qualificação para a final foi uma grande surpresa, dado que o público, apesar de gostar imenso dela, estava bastante receoso. É marcada pelos vocais incríveis e emotivos de Jonida e pela mensagem pessoal acerca de ter perdido imensas pessoas próximas de si por causa da crise da emigração, incluindo a sua irmã, que foi morar para o Chipre.

Fonte wiwibloggs e wikipedia

(https://wiwibloggs.com/2019/04/25/ktheju-tokes-lyrics-translation-jonida-maliqi/237785/ ( (https://wiwibloggs.com/lyrics )

(https://wiwibloggs.com/2019/04/25/ktheju-tokes-lyrics-translation-jonida-maliqi/237785/ ( ( https://wiwibloggs.com/lyrics )

(https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_Eurovis%C3%A3o_da_Can%C3%A7%C3%A3o_2019 )

O espetáculo foi também marcado pelas duas das atuações mais faladas do momento: a da Madonna com Quavo e a Switch Song. Madonna cantou três músicas – “Like a Prayer”, “Dark Ballet” e “Future”, com o rapper. Em Switch Song, Conchita Wurst interpretou “Heroes de Mäns Zelmerlöw” (música vencedora de 2015). Este cantou “Fuego”, de Eleni Foureira (segundo lugar em 2018), e Eleni arrasou com a música “Dancing Lasha Tumbai, de Verka Serduchka (segundo lugar em 2007). Verka interpretou a canção vencedora do último ano, “Toy”, de Netta. Juntam-se todos à vencedora do festival de 1979, Gali Atari, para cantarem o temaHallelujah.

Artigo revisto por Mariana Coelho

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