Literatura

Franny and Zooey

2017 começou e uma das primeiras coisas que fiz foi aventurar-me nas obras de J.D. Salinger, algo que há já muito queria fazer.
Franny e Zooey é uma obra que junta duas histórias do autor – Franny, de 1955, e Zooey, de 1957, ambas originalmente publicadas na revista americana The New Yorker.
Não posso (nem quero) revelar muito sobre a história para a piada não se perder, mas vamos a isto…
O livro foi editado em 1961 e narra três episódios diferentes da vida dos dois irmãos, Franny e Zooey Glass. O primeiro capítulo centra-se num momento específico da relação de Franny com o seu namorado, Lane. Durante um almoço num restaurante da “moda”, Lane monopoliza a conversa e arma-se perante Franny. O resto do capítulo conta de que forma Franny reage às atitudes do namorado.
Em Zooey a história torna-se um pouco mais alegre, com um episódio entre Zooey e a sua mãe, Bessie, e outro entre os dois irmãos. No primeiro, assistimos a uma atípica relação entre mãe e filho. No segundo, a uma brincadeira entre irmãos.
As três histórias, apesar de serem narradas com uma linguagem simples, informal, e, ainda assim, descritiva, refletem muito sobre valores familiares e de relações pessoais.
Atrevo-me a dizer que as personagens passam mesmo por uma espécie de crise existencial, onde tudo é questionado, em especial no capítulo de Franny.
A escrita de Salinger é apelativa e ao longo do livro nota-se que muitas das passagens já foram vividas pelo autor, que sempre teve preferência em escrever obras sobre adolescentes.
Nota-se também o recurso a monólogos interiores, com os quais, quer queiramos, quer não, nos identificamos; muitos dos pensamentos das personagens são também os nossos. Mas este é um livro que incomoda, que cria um pequeno mal-estar e que teima em não desaparecer.
Confesso que, apesar de ter simpatizado com livro, tinha expetativas mais altas. Talvez seja por não ter lido em primeiro lugar a obra mais famosa do autor, The Catcher in the Rye, ou talvez seja pelo stress do fim do semestre que teima em chegar.
Ainda assim, este é um dos livros que vou guardar carinhosamente no fundo da minha estante para, quem sabe, um dia reler. Se não me esquecer dele…

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