Lifestyle

Um guia para alunos deslocados

Alguns com 18 e outros ainda com 17 anos; uns felizes e seguros da sua decisão, outros nem tanto. É assim que podemos descrever os estudantes que mudam de casa aquando da sua entrada no Ensino Superior. Esta etapa é só por si pesada o suficiente para jovens adultos que iniciam agora a sua vida, tornando-se ainda mais marcante quando implica uma deslocação para longe da família.

À partida, se colocaste um curso longe de tua casa nas opções de candidatura, é porque estavas dispost@ a mudar de cidade. No entanto, essa mudança traz sempre consigo alguns medos e anseios, naturais de quem vai voar do seu ninho. Precisamente por já ter passado por esta situação é que hoje, um ano depois de me ter mudado, posso ajudar quem agora está a passar pelo mesmo. 

Em primeiro lugar, o pensamento que deves levar nesta aventura é o de que precisas de sair da tua zona de conforto para crescer, pois a vida só tem a sua piada quando somos colocados à prova. Encara esta mudança como um desafio a ti mesm@ e não te esqueças: se não te adaptares, podes sempre voltar atrás; nada é impossível. 

Em segundo lugar, há que ver o copo meio cheio. Neste caso, isso implica pensar nas vantagens de morar longe dos pais: tornas-te independente, sem ter de dar justificações a ninguém; podes deixar a cama por fazer, sem ouvir um raspanete todos os dias de manhã; e crias os teus próprios horários, sem ter de depender de terceiros para jantar. Há que pensar que as vantagens serão mais do que as desvantagens. No entanto, é bom ter a noção de que os pais vão fazer muita falta nalgumas situações – por exemplo, quando não tiveres roupa limpa e passada para vestir, ou quando faltar comida em casa e tiveres de ser tu mesm@ a ir comprar. 

aluno com uma mala de viagem na mão
Fonte: Fórum Estudante

Porém, se te tornas independente dos teus pais, passas a ser dependente das pessoas com quem vais partilhar casa – facto esse que te vai levar a adaptar alguns dos teus hábitos e a não aproveitar a liberdade ao máximo. A tua rotina vai resultar de uma coordenação com a dos teus colegas, pois é preciso que se organizem com coisas práticas dentro de casa, como por exemplo, com os banhos. Da mesma forma que tu e os teus pais, que já se conhecem há anos, têm atritos em casa, também tu e os teus colegas podem vir a ter alguns e, para isso, é crucial criar desde o início uma cumplicidade e uma confiança que vos leve a comunicar de forma transparente. Apesar de ser um cliché, não posso deixar de reforçar a ideia de que a comunicação é a base de qualquer relação. Se algo te incomodar ao ponto de afetar o ambiente da casa, deves imediatamente falar com os teus colegas de forma educada e calma, para que não se gerem conflitos desnecessários. Mais importante do que não ter vergonha de falar, é saber fazê-lo da melhor forma.

Para que te sintas mais em casa no teu novo ambiente, leva objetos específicos que te façam lembrar do teu lar. No meu caso, pus um ambientador com o mesmo cheiro que aquele que está no meu carro. Pequenas coisas fazem-nos sentir mais confortáveis num sítio que ainda nos é estranho. 

Assim que tens estes pensamentos bem implementados na tua mente, é hora de os transformar em ações e de iniciar a nova vida. A tua integração na cidade e na faculdade vai ditar a tua experiência académica; e é por aí que deves começar, assim que inicies este período. Na faculdade, existem atividades que ajudam neste processo – tais como a praxe e os diversos núcleos –, por isso, deves perder a vergonha e experimentar participar nelas, o que te vai permitir conhecer pessoas novas. Todos ali estão no mesmo barco, então não tens de te sentir receoso em abordar os teus colegas para meter conversa. Quem sabe, não conheces alguém que viva perto de ti para te fazer companhia a explorar a cidade. Este aspeto – conhecer a cidade onde estás agora a viver – é fundamental para te sentires mais “em casa” quando estás fora da tua terra Natal.

aluno de férias numa varanda a ver a vista
Fonte: NIT

Tu és a tua melhor companhia e, por isso, caso não tenhas com quem sair, deves sair sozinh@ e aprender a viver contigo mesm@. Deves sair de casa e fazer um caminho diferente do habitual ou sair numa estação de metro na qual nunca saíste e explorar as imediações, para animares os teus dias que se podem tornar aborrecidos no início. Depois de algumas experiências, coloca num frasco papéis nos quais tenhas escrito planos e passeios de que gostaste ou que gostavas de fazer. Assim, quando tiveres tempo livre, podes tirar um papel do frasco e sair de casa.

Esta etapa, que é fruto de uma grande escolha tua, depende quase inteiramente de ti para ser vivida da melhor forma. Um psicológico preparado é meio caminho andado para uma boa integração na nova vida, mas ter a humildade de assumires perante ti mesm@ as tuas fraquezas torna-se ainda mais importante, assim como em qualquer fase da vida. Não vai ser fácil no início, mas, depois da leitura deste artigo, o objetivo é que saibas dar a volta aos momentos mais complicados.  

Fonte da capa: Ekonomista

Artigo revisto por Andreia Custódio

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *