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Houve Grammys, mas faltou o sal

Ao contrário do habitual, a 58.º edição dos Grammys realizou-se na passada segunda-feira dia 15, em vez de ser emitida ao domingo. Quase uma semana depois, revemos aqui o que melhor e pior caraterizou a cerimónia, que prendeu ao pequeno ecrã 25 milhões de americanos, o número mais baixo de espectadores em seis anos.

A pré-cerimónia, onde foram entregues a maioria dos prémios, sendo os mais importantes relegados para o grande palco (as quatro categorias consideradas principais e transversais são: Álbum do Ano, Canção do Ano, Gravação do Ano e Artista Revelação). Nesta cerimónia, nada de grandes surpresas: Kendrick Lamar a levar todos os prémios da categoria de Rap/Hip-hop com “Alright” e “These Walls”, e também a dividir o prémio de Melhor Teledisco com Taylor Swift, em que Bad Blood foi considerado o melhor do ano. A americana saiu-se bem também com o seu primeiro álbum assumidamente pop, ao levar a categoria que premeia os melhores trabalhos deste género.

D’Angelo e The Weeknd disputaram as categorias de R&B e Urban Contemporary: Black Messiah, do primeiro, levou o prémio de melhor Álbum de R&B, enquanto a outra categoria foi dominada pelo projeto canadiano de Abel Tesfaye, com o álbum Beauty Behind the Madness.

Para fechar a pré-cerimónia, relembramos que Justin Bieber recebeu o seu primeiro Grammy pela colaboração com a dupla Jack Ü, formada por Diplo e Skrillex; os Alabama Shakes confirmaram o seu favoritismo na categoria de Best Alternative Album (ainda não é desta, Björk, apesar de este prémio ser dos Tame Impala desde o dia do lançamento de Currents); os Muse receberam críticas mistas sobre o seu álbum Drones, o que não impediu que fosse considerado pela academia o melhor disco rock.

3, 2, 1, oh! Começaram os Grammys e lá está a Taylor Swift a cantar o seu sexto single do candidatado a Álbum do Ano, 1989. Já acabou? Então? Sim, já acabou. Uma performance que caiu no esquecimento, e que foi, de longe, uma das piores apresentações que a artista nos deu. Quem também não se saiu bem, devido a problemas técnicos, foi Adele. A sua performance de All I Ask não foi ao encontro das expetativas do público.

https://www.youtube.com/watch?v=tLLUrsFxUgM

Foram tantas as performances que caíram na mesmice que até eram confundidas com intervalos para ir à casa de banho. Quem sai vencedor dos Grammys é quem é falado no dia a seguir. Neste caso, pouca gente saiu vencedora. Por isso, vamos falar de quem deu que falar.

Apesar de ontem não ter parecido uma entrega de prémios, mas sim um cartaz do Rock In Rio com uns tributos pelo meio, houve mesmo prémios a serem entregues! Kendrick Lamar ganhou o seu último da noite, o quinto, com To Pimp a Butterfly a ser considerado o melhor álbum de Hip-hop. Alabama Shakes levaram para casa o Grammy de Melhor Performance Rock, o que confirmaram após a sua brilhante atuação de “Don’t Wanna Fight”.

Um dos grandes momentos da noite estaria reservado para Kendrick Lamar. O rapper foi responsável pela melhor performance da noite, carregada de mensagem política, na qual interpretou “The Blacker The Berry”, “Alright” e “Untitled 3” (com ele a ir buscar músicas à pasta Unreleased e a tocá-las ao vivo). Se havia dúvidas de que To Pimp A Butterfly era o Álbum do Ano, tais dúvidas desapareceram depois desta atuação… ou então não.

https://www.youtube.com/watch?v=M2VHR31bg5w

Outra performance que marcou pela positiva foi o medley de The Weeknd, dos seus temas “Can’t Feel My Face” e “In The Night”. E ainda é preciso bater palmas a Justin Bieber, que também trouxe uma das atuações da noite. Cinco estrelas para esta performance de “Love Yourself” e de uma versão mais rock de “Where Are Ü Now”, com Diplo e Skrillex a serem os restantes membros desta banda. Quem também merece todas as estrelas do mundo é a performance do musical “Hamilton”, transmitida em direto da Broadway – o musical ganhou o prémio para Melhor Álbum de um Musical, e teve direito a um discurso de agradecimento todo em rap.

Mas ainda podemos ir buscar a definição de “tributo” ao dicionário, e, se lermos a primeira linha, é um link para a atuação de Lady Gaga (em parceria com a Intel), que prestou homenagem ao grande David Bowie, falecido em janeiro passado. Simplesmente incrível, juntou nove músicas numa atuação de sete minutos. Mas quem também decidiu ir ao dicionário foi o filho de Bowie, para criticar o tributo: “superexcitada ou irracional, normalmente como resultado de uma paixão ou entusiasmo excessivo; mentalmente confusa”. Adivinham qual a palavra que corresponde a esta definição? Gaga.

https://www.youtube.com/watch?v=3fGBZhsa4VU

Mas ah! Pois é! Isto é uma cerimónia de entrega de prémios! Vamos lá às quatro categorias então. Tanto FKA Twigs como Courtney Barnett podiam ser as vencedoras do prémio para Melhor Novo Artista, mas como a primeira não estava nomeada e a segunda estava, mas não é conhecida, o prémio claramente foi para Meghan Trainor, que chorou tanto, ao ponto de o concelho de Águeda temer outras cheias.

Okay, vamos para a Canção (para os compositores) e Gravação (para os artistas, produtores, engenheiros e misturadores) do Ano. Nada a dizer, e ambos vencedores justos, Ed Sheeran com “Thinking Out Loud” (finalmente foi aos Grammys para ganhar algo e não ficar apenas a aquecer o banco) e a vibrante “Uptown Funk!” de Mark Ronson com Bruno Mars.

Nisto, só resta um prémio, ou “o” prémio. E o Grammy para Álbum do Ano vai para……. TO PIMP A BUTTERFLY! Ah, espera. Hã? O quê? Não? Mas este era o ano do Kendrick!!! Como assim? Okay, Taylor, o teu álbum é ótimo e merecia o prémio, se tivesse sido lançado noutro ano, porque este ano era o ano do Kendrick! Mas pronto, sempre tivemos um discurso com direito a umas indiretas para Kanye West.

https://www.youtube.com/watch?v=L3TwJdDCynM

E chegámos ao fim. O Pitbull fechou a cerimónia para nos relembrar o que este ano os Grammys foram: uma mess. Muita desinspiração, os snubs do costume. São os Grammys que toda a gente critica, mas que toda a gente volta a ver no ano seguinte, porque não vivemos sem tal.

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