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Manifestação em Luanda: jornalistas detidos e um deputado agredido

Na manhã deste sábado (24), seis jornalistas foram detidos enquanto faziam a cobertura da manifestação que acontecia nas ruas de Luanda. O deputado e secretário provincial da UNITA em Luanda, Nelito Ekuikui, garantiu ter sido agredido durante a manifestação.

Fonte: Lusa

A manifestação, convocada há mais de três semanas, tinha como principal objetivo a reivindicação de melhores condições de vida, de mais emprego e da realização das primeiras eleições autárquicas em Angola. Na sexta-feira, um dia antes da manifestação, o Presidente angolano, graças à situação pandémica atual, decretou que os ajuntamentos na via pública não podiam ultrapassar o máximo de cinco pessoas por grupo.

Mesmo depois de a manifestação se ter tornado ilegal 24 horas antes de começar, a população saiu à rua, fazendo com que a polícia respondesse de imediato com violência. “Foi mobilizada quase toda a polícia nacional para as ruas de Luanda e os manifestantes resolveram, mesmo assim, promover esta manifestação, o que resultou em muita violência, muitos incêndios, tiros e houve ataques a carros, até da polícia. O povo resolveu sair à rua e foi reprimido“, revelou Emídio Fernando, diretor da Rádio Essencial e do jornal Valor Económico, em declarações à TSF. O protesto contou com a participação de dirigentes da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e de outros partidos de oposição. A polícia recebeu os participantes com gás lacrimogéneo e balas de borracha.

Fonte: Ampe Rogério/Lusa

Emídio Fernando, diretor do local de trabalho de alguns dos jornalistas detidos, garantiu que os profissionais estavam devidamente identificados. Segundo a TVI24, o diretor fez questão de sublinhar que “os jornalistas foram arrancados do automóvel onde estavam e encaminhados para uma esquadra“, reforçando que a polícia não revelou o local onde estes jornalistas estavam detidos.

Alguns dos ativistas já foram libertados, mas os jornalistas continuam detidos pela polícia angolana. “Não conseguimos perceber. Já libertaram os outros, já libertaram ativistas e os nossos continuam detidos”, disse Edno Pimentel, editor da Rádio Essencial. “Pode ser porque foram agredidos e estão a dar algum tempo para passar os hematomas”, sugeriu. O Presidente do Sindicato dos Jornalistas de Angola (SJ) repudiou a atuação da polícia angolana e informou que foram detidos seis jornalistas, um dos quais agredido pela polícia.

Nelito Ekuikui, deputado da UNITA – maior partido da oposição em Luanda -, garantiu, em declarações à Lusa, que foi agredido durante a manifestação. O deputado reforçou ainda que não houve uma razão que justificasse a agressão, revelando que ficou detido durante uma hora sob o “uso excessivo da força” da polícia angolana. “Disseram que a manifestação não podia ocorrer, porque violava o decreto presidencial [que atualiza a situação de calamidade pública e entrou em vigor], mas estão a violar a Constituição”, disse Ekuikui.

Artigo revisto por Lurdes Pereira

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