7ª Arte

Os derradeiros clássicos para assistir na noite de Halloween

O fim do mês de outubro está mesmo aí à porta e com ele vem o Halloween. Criada com o intuito de celebrar os mortos e conhecida originalmente como All Hallows Eve,  esta é uma tradição anglo-saxónica com origem no século XVIII. Mas a verdade é que o modo como é celebrada hoje em dia já pouco ou nada tem a ver com as suas origens.

E se há quem adore passar a noite em festas ou na tradicional “trick or treating”, a verdade é que este ano a pandemia obriga a repensar os nossos hábitos e a criar outras formas de celebrar a festividade. Quem disse que uma noite passada no conforto do sofá, com uma manta e uma quantidade absurda de junk food, não é a forma ideal de passar a noite de 31 de outubro? Se a esta receita adicionarmos uma lista de filmes clássicos para esta época, acabamos com a fórmula perfeita para uma noite de Halloween covid-friendly. Por isso, agarrem as vossas jack o´lanterns e descubram os filmes ideais para ver nesta noite.

Beetlejuice” (1988), Tim Burton

Fonte: Youtube

Falar de Halloween e não mencionar o nome de Tim Burton é mais criminoso do que ir a Roma e não ver o Papa. Burton é o mestre da fantasia gótica, da comédia negra e das personagens excêntricas. Todos os seus filmes têm uma estética distinta e muito própria. É difícil hoje em dia encontrarmos realizadores com uma marca tão forte – conseguimos identificar que se trata de um filme seu após apenas alguns segundos. Com Burton, isso acontece. Os fortes contrastes de cor, a importância das linhas geométricas  ou o aspeto cartoonish das personagens são características a que o cineasta já nos tem habituado.

Beetlejuice” conta a história dos Maitlands, um casal que mora sozinho numa casa de campo no Connecticut e que falece após um acidente de carro. Para sua (enorme) confusão, descobrem que se tornaram fantasmas e que agora assombram a casa onde moravam. Quando os Deetzes, um casal vindo de Nova Iorque com uma filha gótica (interpretada por uma Winona Ryder nos seus tempos de glória), se instalam naquela que era a sua casa, os Maitlands usam o seu novo estatuto de fantasmas para tentar, a todo o custo, expulsar a família. Pelo meio, há um exorcista que já está morto e uma cena absolutamente icónica ao som de “Banana Boat Song”.

Depois de ver “Beetlejuice”, é fácil de entender o porquê de este ter sido o filme que afirmou Burton como um nome forte da indústria cinematográfica.

Hocus Pocus” (1993), Kenny Ortega

Fonte: Youtube

Se há filme que grita Halloween é este. Um grupo de adolescentes pouco inteligentes a meterem-se onde não são chamados? Check. Bruxas que ressuscitam para assombrar uma cidade inteira? Check. Piadas que não têm assim tanta graça? Check.

As irmãs Sanderson, três bruxas de Salem, são capturadas pelos habitantes da aldeia onde moram depois de raptarem e matarem crianças com o objetivo de garantir a eterna juventude. Numa noite de lua cheia e depois de serem acusadas de todos os crimes, são enforcadas em praça pública, mas não sem antes lançarem um feitiço que lhes permite voltarem à vida. Passados mais de trezentos anos, o feitiço concretiza-se na noite de Halloween e coloca a cidade inteira de Salem em risco. E quem é que entra em ação para salvar tudo e todos? Um grupo de adolescentes munidos de uma sorte extraordinária, pois claro.

Hocus Pocus” é tolo, repleto de clichés e está longe de ser uma obra prima do cinema. Ainda assim, é estranhamente fascinante e completamente indissociável do espírito de Halloween.

A Nightmare Before Christmas”(1993), Henry Selick

Fonte: Youtube

“Boys and girls of every age, wouldn´t you like to see something strange?”: é este o mote de “A Nightmare Before Christmas”. Realizado por Henry Selick, mas criado e produzido por Tim Burton (who else?), este filme tornou-se um símbolo da festividade.

Em Halloweentown, a cidade responsável pelo Halloween, todos os moradores são aberrações e os dias são cinzentos e deprimentes. Certo dia, o esqueleto Jack Skellington, o habitante mais importante e adorado da cidade, entra na porta errada e depara-se com uma cidade totalmente diferente da sua: não há fantasmas, nem abóboras, nem esqueletos. Os dias são felizes, cheios de cor e toda a gente parece abraçada por uma felicidade enorme. Fascinado com esta realidade drasticamente diferente, Jack regressa a casa com vontade de tornar Halloweentown num sítio melhor.

A Nightmare Before Christmas” é a sintonia perfeita entre uma história inesperada e a atmosfera peculiar e fantasiosa a que Burton nos tem habituado. Para além de tudo isto, Halloween e Natal juntos num só filme? É quase bom demais, mas a verdade é que existe mesmo.

Coraline” (2009), Henry Selick

Fonte: Youtube

A última escolha desta lista é “Coraline”, realizado por Henry Selick. E se, à primeira vista, parece apenas mais um filme de fantasia dirigido aos mais novos, a verdade é que a história sinistra e obscura o torna a escolha perfeita para a noite de Halloween. O estúdio de stop-motionLaika” foi o responsável pela estética deslumbrante “à la” Tim Burton (sim, já mencionei o nome dele aproximadamente 700 vezes).

Coraline”, baseado na obra homónima de Neil Gaiman, conta a história de uma rapariga extremamente curiosa de 11 anos (que, espantem-se, se chama Coraline) que muda de casa. Completamente ignorada pelos pais, que estão sempre demasiado ocupados para lhe prestarem atenção, Coraline conta apenas com a companhia de Wybie, o neto da senhoria da casa, e do gato deste (que parece saber mais sobre o que se passa do que qualquer outra personagem). Numa tentativa de combater o aborrecimento, a rapariga começa a explorar a casa nova e depara-se com um portal escondido numa parede que a leva a um mundo paralelo onde tudo é semelhante à sua vida real, mas melhor. Os pais tornam-se, finalmente, atenciosos e meigos, o jardim está cheio das mais belas flores e todos os dias há refeições deliciosas para comer. No fundo, o portal leva Coraline a um mundo que reflete todos os seus desejos. Parece perfeito, certo? Talvez não. 

Coraline” começa com um enredo aparentemente normal, mas tem o mais bizarro dos twists, que, certamente, torna este filme num verdadeiro tesouro para quem gosta de uma história que tem tanto de assustadora como de fascinante.

Artigo redigido por Madalena Guinote

Artigo revisto por Ana Roquete

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