Marcelo não escondeu o tema dos direitos humanos em Pequim

Fonte: TVI24, Foto de Reuters

Visita oficial do Presidente da República tem, segundo o próprio, a “intenção de estreitar os laços económicos entre os países”. Marcelo não esqueceu a luta pelos direitos humanos “efetivos” na China. Presidente português falou também no desafio global das alterações climáticas.

A segunda edição do fórum “faixa e Rota”, uma iniciativa do governo Chinês de promoção de investimentos da Ásia à Europa, teve a presença do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa. Num discurso, o Presidente indicou a necessidade do respeito pelos direitos humanos: “Combinemos a ação multilateral com o diálogo político, pois esta é mesmo a única forma possível de garantir um mundo melhor, onde prevaleça a paz, o desenvolvimento, a justiça e o respeito efetivo pelos direitos humanos”, referiu na parte final do seu discurso. Importante referir que o Bloco de Esquerda recusou participar na comissão oficial da visita à China por causa “da violação do regime Chinês pelos direitos humanos”.

O discurso é, no mínimo, ousado, dado que a China já é um dos principais investidores no setor empresarial Português: Detém parte da EDP, da REN, da Fidelidade ou do BANIF. De recordar que na China é permitida a pena de Morte, e são conhecidos os seus atropelos à democracia, com casos conhecidos de perseguição étnica no Tibete; limitação das liberdades individuais com a repressão política a opositores do regime ou ainda a perseguição a figuras proeminentes, como o prémio Nobel da Paz Liu Xiaobo. A declaração de Marcelo em território chinês reveste-se de especial simbolismo por ter sido feita perante o presidente da segunda maior economia do Mundo, Xi Jinping.

Fonte: Rádio Renascença, Foto de Mário Cruz/EPA

Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou também para referir, em conversa com os jornalistas, que a visita oficial à China serve para “estreitar os laços económicos entre os países”: “Do ponto de vista militar os nossos aliados são conhecidos (NATO E União Europeia) e convém referir que a China não é um aliado militar. Agora, as relações entre os países são excelentes, e o objetivo é potenciar as exportações portuguesas em setores em que pode fazer a diferença, bem como aumentar o investimento chinês no terreno”, referiu.

O presidente Português aproveitou para reforçar a necessidade da adoção do acordo de Paris e que para isso são necessárias “uma liderança forte e ambição política”. Marcelo referiu que “o direito a um ambiente saudável é um direito fundamental”, mantendo que Portugal tem como objetivo neutralizar as emissões de dióxido de carbono até 2050.

Revisto por Ana Roquete

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