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Mestrado de Jornalismo escsiano em tempos de pandemia

A pandemia provocada pela Covid-19 veio dificultar a vida de todos os estudantes a nível mundial. Infelizmente, o caso português não é exceção e a Filipa Murta, estudante finalista de mestrado de Jornalismo, bem como a Patrícia Rodrigues, iniciante do mesmo mestrado, são exemplos disso.

Filipa Murta tem 23 anos, é proveniente de Vila Nova de Milfontes e licenciou-se na Universidade do Algarve, no curso de Ciências da Comunicação. Neste momento, encontra-se a realizar o seu relatório de estágio com o objetivo de terminar este ciclo de estudos. Ao longo do seu caminho fez dois Erasmus, um para Málaga e outro para Paris, o que enriqueceu o seu percurso académico. 

Para além disso, tentou estar sempre envolvida em diversos projetos relacionados com o jornalismo, o audiovisual e a comunicação, como é o caso do “Jovens Repórteres para o Ambiente”, um projeto da Associação Bandeira Azul da Europa, que interliga o jornalismo às práticas sustentáveis. 

Filipa Murta. Fotografia cedida por Filipa Murta

A estudante entrou no Mestrado sem existir uma pandemia em Portugal. Contudo, encontra-se atualmente a viver com os problemas que o novo coronavírus veio originar e dificultar nesta fase final do seu percurso. A futura mestre em Jornalismo sentiu as diferenças com um pré-Covid e um pós-Covid no Mestrado.

É notória a influência que este vírus teve no seu trajeto, mas apenas a sentiu na fase final de estágio e de relatório, visto que, no seu caso, o programa das unidades curriculares foi lecionado na sua totalidade. Teve todas as aulas presenciais e todos os alunos conseguiram ir com normalidade e com frequência à faculdade.

Filipa acredita que o impacto que as pessoas que entram agora no Mestrado sentem é obviamente maior do que aquele que a mesma sente nesta reta final, visto que agora os estudantes não vivem do mesmo modo nem com a mesma intensidade tudo aquilo que a ESCS tem para lhes oferecer. 

No seu caso, a maior dificuldade sentida passa pela realização do relatório, onde encontra obstáculos constantes – quer em telefonemas e contactos nacionais e internacionais, quer em entrevistas presenciais e na procura de referências bibliográficas. A estudante acredita que não chega aquilo que está na Internet e os alunos têm de ir para o terreno experienciar para a posterior criação de conteúdo, com o objetivo de executar os seus trabalhos finais. 

Como vantagem, a estudante aponta o facto de todos os colegas terem visto o período de entrega das teses e dos relatórios mais alargado. Contudo, tudo tem dois lados e, apesar de ter mais tempo, não lhe é possível operacionalizar o seu trabalho com uma vertente mais prática.

Relativamente ao estágio, foram muitos os seus colegas que viram esta experiência cancelada, mas a Filipa e mais duas colegas que também se encontravam a estagiar na TSF tiveram a sorte de ver os seus estágios apenas adiados. Nesse sentido, as estudantes tiveram o privilégio de experienciar o antes e o depois da Covid-19 numa redação radiofónica. 

A Filipa iniciou o seu estágio em fevereiro, viu o mesmo suspenso em março e apenas voltou em outubro, onde constatou uma mudança drástica na redação. Equipas de trabalho separadas e algumas pessoas a trabalhar online, como aquelas que escreviam para as plataformas digitais.

No fundo, a estudante considera-se sortuda, visto que teve a oportunidade de perceber as dinâmicas e as medidas adotadas com a vinda da pandemia; isto é, pôde analisar as diferenças e semelhanças com o surgimento do novo coronavírus. O mesmo não aconteceu aos seus colegas que, com a suspensão dos seus estágios, se viram obrigados a alterar a sua ideia inicial para teses, projetos ou dissertações. 

Em relação ao seu estágio em específico, a aluna sentiu-se bastante apoiada e manteve uma relação estreita com a entidade responsável pelo seu estágio curricular. O mesmo não aconteceu com muitos dos seus colegas que não sentiram um apoio e uma base, ficando desamparados. É ainda importante frisar que a faculdade e o gabinete de estágios estiveram sempre presentes e nunca deixaram os estudantes sem um feedback.

Ainda assim, a Filipa teme pelo seu futuro e pelo de todos os estudantes no que toca ao mercado de trabalho e acredita que a pandemia terá implicações enormes nesse ramo. Se dentro da faculdade já existiam complicações em relação ao equipamento, então neste momento tudo isso se duplicou, tendo sido impostos planos mais restritos e rígidos de desinfeção. Não só os professores tiveram de se adaptar, como também todos os funcionários e alunos.

Não sei como iria reagir a tantas aulas online e a toda esta falta de contacto humano. Por isso, considero-me uma privilegiada; porque consegui vivenciar todas as etapas do Mestrado da melhor maneira possível”, afirma a finalista. 

A estudante acredita ainda que o plano curricular mudou bastante com o surgimento da pandemia e que isso se fez sentir nos novos alunos. As disciplinas mais práticas tiveram de ser reestruturadas e o “sumo” que os novos estudantes retiraram da ESCS e destas disciplinas foi completamente diferente do seu. 

A Patrícia Rodrigues faz parte desses novos alunos do mestrado. Tem 21 anos e é licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Autónoma de Lisboa. Apesar da situação pandémica que se faz sentir, decidiu continuar o seu ciclo de estudos no Mestrado em Jornalismo da ESCS.

Patrícia Rodrigues. Fotografia cedida por Patrícia Rodrigues

A estudante sempre teve como um dos seus principais objetivos tirar uma Licenciatura. A mesma acredita que o curso de Ciências da Comunicação é uma área bastante vasta e, por isso, sentiu a necessidade de se especializar, escolhendo o Mestrado escsiano. Nunca pensou que iria passar por uma situação pandémica como a que se faz sentir, o que, obviamente, levantou algumas dificuldades. 

Se os períodos de adaptação a novas realidades já são complicados, então no meio de uma pandemia tudo é pior. Com poucas aulas presenciais –  sem o toque, com a máscara e com o medo constante de ser contagiado –, as relações interpessoais tornaram-se ainda mais distantes e a experiência do Mestrado modificou-se.

Saímos de uma Licenciatura para entrar num Mestrado. No meu caso, entrei numa universidade nova, onde ia conhecer novos professores, colegas, instalações, funcionários, desafios e unidades curriculares. Tudo isto foi um mundo novo para mim”, afirma Patrícia.

Para si, o ensino à distância tem as suas vantagens e desvantagens. Por um lado, a Patrícia destaca a flexibilidade associada ao local onde se pode ter as aulas; isto é, basta ter um computador ou outro aparelho eletrónico com acesso à Internet. A estudante acrescenta ainda a “economia de tempo” como uma vantagem, principalmente para quem mora longe da faculdade e para quem trabalha. 

Por outro lado, em relação às desvantagens, Patrícia aponta a falta de contacto, independentemente de os estudantes saberem que podem e devem estar em constante contacto com os professores via e-mail. Para além disso, as unidades curriculares mais práticas tentaram adaptar-se a esta pandemia, mas ela e os seus colegas sentiram as diferenças e acreditam que não aproveitaram as aulas a 100%, tal como gostariam.

A Patrícia remata o seu testemunho com vista a uma preocupação sobre o futuro, tendo em conta aquilo por que os estudantes como a Filipa passaram: os estágios curriculares ou as teses. A possibilidade de verem os seus trabalhos finais interrompidos ou adiados tem deixado a estudante e os seus colegas com o “coração nas mãos”.

Um estágio é aquilo que aproxima estes alunos da realidade profissional e que lhes pode abrir portas para essa mesma realidade. Vivem numa constante insegurança e incerteza sobre o futuro, sem saber o que vai acontecer a seguir, mas mantêm-se confiantes na esperança de encontrar um mundo lá fora cheio de novas experiências e de novas oportunidades. 

Artigo escrito por: Carolina Figueiras

Artigo revisto por: Andreia Custódio