NO MOURNERS. NO FUNERALS.

Atualmente, há diversos livros de fantasia que alcançam os tops, são traduzidos para centenas de línguas diferentes e ganham outra vida nos cinemas e em séries de alta produção. Mesmo assim, há uma fórmula que acompanha muitos deles, sejam estes com ou sem reis, obras grandes ou pequenas, coleções ou stand-alones. A similaridade é inconfundível, mas não propriamente indesejada. É sempre bom entrar noutro universo e ver como cada escritor trabalha a fórmula.

Porém, neste verão, li pela primeira vez (e definitivamente não a última) Six Of Crows, um livro da aclamada escritora Leigh Bardugo. E se leste a Trilogia de Grisha vais encontrar algumas caras conhecidas pelo livro, dado que decorrem no mesmo universo, mas são dois livros completamente diferentes. Porque apesar de o primeiro ser um livro de fantasia de 2015, não segue a típica fórmula, não há uma personagem principal com poderes desconhecidos, mas sim um grupo de seis adolescentes (em que apenas dois tem poderes) que usa as suas capacidades admiráveis para roubar.

Kazz Brekker, Inej Ghafa, Nina Zenik, Matthias Helvar, Jesper Fahey e Wylan Van Eck são os seis “corvos” do título. De etnias diferentes, origens diferentes e com objetivos diferentes, formam uma equipa invulgar para realizar um assaltado impossível, nunca antes feito.

Desenho de Brezzami (Tumblr)
Fonte: https://breezami.tumblr.com/post/174074043756/no-mourners-no-funerals-among-them-it-passed

O livro é escrito na terceira pessoa, da perspetiva de cinco das seis personagens, com direito a alguns pensamentos pessoais em determinados momentos, o que leva a um maior envolvimento com a personagem, mantendo o leitor ansioso em relação ao que vai acontecer a seguir. Importante será avisar sobre a falta de momentos secantes, uma vez que há sempre algo acontecer, há sempre um plano a ser arquitetado ou um momento crucial entre as personagens, tornando quase impossível parar de ler.

Até porque, apesar de ser claramente uma fantasia, facilmente exportamos vários acontecimentos para o real. São abordados temas como a homossexualidade, stress pós-traumático e, especialmente, a solidão na adolescência. Isto porque algo que todas as personagens têm em comum é não terem ninguém, além dos outros membros, por perto. Uns por razões mais graves do que outras, mas todos se encontram na mesma posição, acabando, assim, por formar uma família disfuncional, mas ao mesmo tempo funcional e unida, com o objetivo de realizar o maior assalto alguma vez visto. 

É um livro que definitivamente merece um lugar na tua lista de “Must Read”, por ser diferente, com personagens POC e LGBTQ+, e engraçado! É de tal forma viciante que o li em apenas um dia. E a cereja no topo do bolo é que não tens de esperar pelo segundo livro!

Artigo revisto por Ana Roquete

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