Isto não está fácil

As consequências da COVID-19 ainda não se revelaram todas. Se há muitas que ainda estão a fermentar para posteriormente aparecer, há outras que já se mostram à disposição de todos – como, por exemplo, os efeitos na economia. Preveem-se momentos complicados para todos. Não só em Portugal, mas no resto do mundo, havendo a necessidade de encontrar soluções rápidas e eficazes num curto de espaço de tempo.

Esta realidade não se verificava quando mais de um milhão (1 119 943, segundo dados da PorDATA) de alunos ingressavam no ensino superior, nos anos de 2017, 2018 e 2019. Portugal apresentava valores de crescimento até 2023, criando espaço para inovação e crescimento e menores taxas de desemprego. A realidade era bem diferente daquela que os finalistas de 2020 estão agora a enfrentar – tornando-os o maior reflexo do efeito Covid-19 sobre a economia nacional.

Muitos são os alunos que entraram para áreas que, apesar de atualmente serem as mais fragilizadas, em 2017 eram aquelas cuja empregabilidade era quase certa – como é o caso de cursos como Turismo, Hotelaria ou Restauração. Quando, em março de 2020, o Mundo parou, estas foram as áreas que imediatamente se começaram a ressentir. A chegada de turistas que durante anos era considerada certa não existiu e os restaurantes e hotéis começavam a fechar.

Enquanto isso, milhares de alunos continuavam a estudar no curso em que já se tinham matriculado em 2017 – quando esta situação era impossível de prever mesmo pela mente mais perversa –,  e prestes a entrar num mercado de trabalho de tal maneira imprevisível que ninguém tinha respostas para o que fazer a seguir. Estágios cancelados, entrevistas esquecidas, oportunidades de negócio perdidas – o pior pesadelo tornou-se, então, uma realidade.

O que antes era um mercado de trabalho que “precisava sempre de gente”, tornou-se um mercado saturado e de difícil acesso. Muitos encontraram a sua solução para o mercado de trabalho atípico nos Mestrados ou em outras Licenciaturas, enquanto outros aceitaram trabalhos precários dentro da sua área ou simplesmente conformaram-se com o primeiro trabalho que os aceitou, em troca de um ordenado fixo no final do mês.

Fonte:  Jornal Público

Mesmo tendo noção de que a culpa da situação em que nos encontramos não pode ser atribuída a ninguém, é necessário que haja não só uma abertura por parte dos empregadores, mas também que estes tenham maior empatia pelos recém-licenciados – que, embora desacreditados, ainda sonham com um futuro promissor.

Artigo revisto por Bruna Gonçalves

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