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“Ordem Moral”: não é maluca, só não é submissa

Maria Adelaide Coelho da Cunha era, em 1918, a herdeira do Jornal Diário de Notícias. Uma mulher da alta sociedade que não segue a Ordem Moral, devido às suas atitudes incomuns para a época. Aproxima-se e cuida dos doentes, mantém amizades com empregados, interessa-se pela arte do teatro e tem convicções feministas.

Logo nas primeiras cenas desta pequena série, coordena uma peça com as suas amigas. Esta peça, mais tarde, acaba por ser elogiada pelo seu caráter revolucionário, especialmente porque inclui mulheres que representam papéis masculinos, algo que, segundo Maria Adelaide, serviu “para me vingar do tempo em que os papéis de mulheres eram dados aos homens”.

Era alvo de críticas por parte dos homens, devido à sua maneira diferente de pensar, em comparação com os seus pares, sendo que lhe apontavam o dedo com acusações de todos os tipos: menopausa, emoção excessiva, paixão pelo teatro, histeria e dissimulação. Um destes homens afirmou até que “o homem é uma inteligência servida por órgãos” e que “a mulher é um útero servido de órgãos”. Estas afirmações acabam por retratar a realidade feminina da época, à qual Maria Adelaide não obedecia.

Fonte: Visão

Maria Adelaide foge com o amante: um homem mais novo, o seu chauffeur. O seu marido também tem uma amante, mas usa o adultério de Maria Adelaide para a acusar de sofrer de demência. Consequentemente, sendo que acaba por ser internada num hospício, é vista como incapaz de continuar na posse do Diário de Notícias.

Mesmo neste hospício, Maria Adelaide usufrui das regalias da classe alta: tem acesso a um melhor tratamento e a um quarto maior, separado das restantes pacientes, e continua a alimentar a sua paixão pelo teatro, preparando uma peça com mais duas pacientes.

Maria Adelaide tem consciência dos seus privilégios, mas o que a distingue é a sua força por conseguir aquilo que quer, a sua compaixão pelos outros, independentemente da sua condição social, e as suas ideias progressistas que ainda são discutidas nos dias de hoje.

Ordem Moral foi um filme produzido por Mário Barroso, que, devido ao seu sucesso internacional, com destaque nas bilheteiras portuguesas e francesas, estreou em forma de série RTP1 no dia 3 de abril. Ainda é possível acompanhar os três episódios da série – cada um com cerca de 40 minutos – na aplicação gratuita da RTP:a RTP Play.

Artigo revisto por Beatriz Campos

Fonte da foto de capa: Comunidade Cultura e Arte

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